As chamadas SETE ARTES são realmente algo fascinantes da criação humana, e estão presentes em todo o planeta, por criadores cada mais espetaculares. A mais nova delas é o Cinema que já tem mais de 100 anos como tal. Fala-se que a próxima será o desenho animado. Vamos aguardar.

A Música e a Literatura que são temas recorrentes desde blog – sem deixar de lado as demais CINCO -, se renovam ( e nos encantam) a cada manhã, mês, ano, década, século, e por aí vai. O conceito abaixo, por exemplo, é tão significativo que possibilitaria qualquer pessoa interessada a explorar esse assunto, escrever (e publicar) artigos, ensaios, livros, tratados, etc. Além, é claro, da música propriamente dita.

“Musica é a arte de manifestar os diversos afetos da nossa alma através do som. A música divide-se em três partes: melodia, harmonia e ritmo. Melodia: é a combinação dos sons sucessiva, dados uns após outros. Harmonia: é a combinação de sons simultâneos emitidos de uma só vez. Ritmo: é a combinação dos valores pequenos e grandes, nos mostrando a velocidade da melodia” (1). E as notas musicais? São outras grandiosidades.

Estas três palavras acomodam a nossa alma por meio do som, de sons. E a letra, a composição que acolhe esses afetos quando lemos, cantamos, balbuciamos seus versos, suas rimas, como fica o nosso contentamento, o nosso entretenimento? Portanto, as notas nos deixam estasiados, diriam alguns ouvintes.

“O novo sempre vem”, versou o poeta Belchior. Vem mesmo! Com a Música é assim. Possivelmente, é uma das Artes que mais transformam o nosso modo de viver, de pensar. Há sempre algo novo nesse reino. E de qualidade, diga-se de passagem. É só você sair à procura de excelentes músicos, compositores e intérpretes que estão em algum lugar do presente. Do passado, mais ainda. Mas, vamos nos ater à atualidade.

Em 2014, Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda lançaram Bossa Negra. Na capa do CD já vem escrito: “O encontro de dois expoentes da nossa música brasileira”. Com 13 músicas esse trabalho é um dos mais importantes dos divulgados nos últimos anos para o nosso cancioneiro. Seus músicos são: Andre Vasconcellos (contrabaixo), Diogo Nogueira (voz), Hamilton de Holanda (bandolim de 10 cordas) e Thiago da Serrinha (percuteria).

CD Bossa Negra
CD Bossa Negra

Hamilton tem 44 anos, nasceu no Rio de Janeiro e com apenas um ano de idade foi morar em Brasília. Hoje, como bandolinista e compositor é uma referência distrital e nacional; Diogo tem 39 anos, é carioca e como cantor e compositor é o herdeiro nato da musicalidade do pai, o grande sambista João Nogueira.

Trata-se de um CD imperdível. Na “orelha” estão as seguintes considerações: “Bossa Negra é o encontro despretensioso de dois dos maiores expoentes da nova geração da música brasileira, inspirados nos Afrosambas de Baden e Vinicius. De um lado, Diogo Nogueira, filho do grande João Nogueira, representando a entidade do samba de propriedade autoral do subúrbio, nascido nos morros e jongos e que hoje canta e encanta o Brasil. Do outro lado, o instrumentista Hamilton de Holanda, nascido na tradição do choro, que traz em seus dedos a erudição de Villa-Lobos, a genialidade de Pixinguinha e a sofisticação despojada de Tom Jobim, numa leitura sempre brasileira do jazz. A ideia do projeto é retratar, de forma autoral, a síntese do improviso do choro, a malemolência do samba e o relaxamento da bossa nova que enfeitiçam o Brasil e o mundo. Bossa Negra é a miscigenação da música europeia com os ritmos dos escravos africanos que, sucumbidos pelo calor, alegria e inventividade do povo daqui, renasceram brasileiros. Bossa Negra é a mistura de composições autorais e clássicas dos craques Ary Barroso, Vinicius de Moraes, Pixinguinha, Arlindo Cruz, entre outros, além da inédita Salamandra, de Paulo César Pinheiro e João Nogueira. Bossa Negra é o sol, a praia, a pelada, o morro, o asfalto, o botequim, a feira, a praça, as crianças, o Rio, o Brasil, sou eu e você. Desfrute!” (2).

É tudo isso sim! A primeira faixa, Bossa Negra, traz estes versos: “Senti, pedi, o samba é meu/Partiu, caiu, ninguém perdeu/Senti, pedi, o samba é meu/Ouvi, curti, meu pé mexeu…” É pura bossa negra. O povo que não volta atrás. Outras canções do disco são: Tá, Desde que o Samba é Samba, Brasil de Hoje, O que é o Amor, Mundo Melhor, Mais um Dia, entre outras. Assim, a música, em todos os sentidos, segue seu curso, com este ou aquele artista. Não há como viver bem a vida sem música. Independente do gênero apreciado, ou “curtido”, como falam alguns.

O genial Hamilton, aos 5 anos “inicia sua educação musical com o pai, o violonista José Américo de Oliveira, que desde cedo lhe dá instrumentos de brinquedo como presente” (3). Aos 6 anos ganha uma escaleta, ou seja, um instrumento de verdade. Em 81 o menino fez sua primeira apresentação, no Clube de Choro de Brasília, ao lado do pai e do irmão Fernando César. “Ainda em 81, ganha o primeiro bandolim. O primeiro tema aprendido no instrumento e Flor Amorosa, de Joaquim Callado, considerado o “Pai do Choro” (3).

A partir daí sua carreira tornou-se uma realidade pujante. Em 82, com o irmão, criou o duo Dois de Ouro e na sequência lançam três discos. Em 97, foi a vez de Destroçando a Macaxeira. No ano seguinte, A Nova Cara do Velho Choro. Em 2000, Dois de Ouro. Ainda na década de 80, estuda violino na Escola de Música de Brasília e violão com os mestres Everaldo Pinheiro e Paulo Andre Tavares. Aos 10 anos, em 86, compõe Chorinho pra Pernambuco, seu primeiro tema.

Cabe salientar que seu repertório não está limitado apenas ao choro e ao samba. Hamilton já foi beber na fonte do Rock e da MPB, como também tem formação musical. Aos 17 anos, entrou para a faculdade de contabilidade, mas ficou lá apenas um ano. Em 95, passa no vestibular da UNB para bacharel em Composição, onde se formou em 2001. Sempre trabalhou com outros músicos. Por exemplo, da parceria com o violonista Marco Pereira, em 2000, lança o disco Luz das Cordas. Nesse mesmo ano, se apresenta no exterior. No ano seguinte, com Rogério Caetano e Daniel Santiago, lança o álbum Brasília Brasil: Abre Alas.

Sua identidade musical é o bandolim de 10 cordas, feito sob encomenda ao luthier Virgílio Lima. E um apelido emblemático que lhe foi dado nos EUA: “O Jimi Hendrix do Bandolim”. Holanda sempre buscando aprimorar seu universo musical, em 2001, embarca para Paris, onde permanece até 2002. De volta ao Brasil, lança o disco Hamilton de Holanda. Em 2003, muda-se para o Rio e no ano seguinte, com outros músicos lança Música das Nuvens e do Chão e o trabalho independente, Hamilton de Holanda com 20 composições. Em 2005 lança o disco de bandolim: 01 Byte 10 Cordas.

Em 2006, formou um quinteto, vindo a gravar Brasilianos (1, 2 3), nos anos 2006, 2008 e 2011, respectivamente. Em 2007, conquista duas categorias no Prêmio TIM: como melhor solista e com melhor grupo musical. Ainda em 2007, divulga o disco Íntimo, e da parceria com André Mehmari surge o álbum Contínua Amizade. “Entre trabalhos coletivos e individuais, apresenta Luz da Aurora, de 2008, com a participação do consagrado violonista Yamandu Costa, e o disco solo Esperança, em 2010. E volta a trabalhar com Mehmari em 2011, lançando Gismontipascoal (2011), em homenagem à música de Egberto Gismonti e Hermeto Pascoal” (3).

Saltando um pouquinho, vamos para 2014, com Bossa Negra, tema deste artigo. Repetindo, trata-se de um CD imperdível (e recomendável) aos nossos leitores, isto é, para os que ainda não conheciam este disco, é claro. E para finalizar, vamos à letra de Brasil de Hoje: “Noites de luar/E dias com o céu azul/Clima tropical/América do Sul/Não existe igual/Veredas de encantos mil/Povo de lutar/ Esse é o meu Brasil/Povo de sambar/Esse é o meu Brasil./ Peri, Jaci, Ipanema, Manaus/Pantanal, Borborema/Iracema, Capão, Alemão/Muito junto, misturado/O certo, o errado/Virtude, pecado/O sim e o não/Muita história/E pouca memória/Aqui tanto faz/Ser herói ou vilão./ A esperança que era o amanhã/Não chegou/Bolinhas pelo ar/Moedas pelo chão/O azul do mesmo céu/A tinta no papel/Mudará”.

Pesquisa e texto por Francisco Gomes Fotos por Winnie Barros.

Notinha de agradecimento – Chegou ao nosso conhecimento que o jovem universitário Hektor Bruno Souza Sampaio, de 21 anos, do 7º período de Economia (Campus Manaus-AM), da UFAM – Universidade Federal do Amazonas, é leitor do Facetas. Ao dedicado estudante, os nossos agradecimentos por prestigiar o nosso trabalho.

Fontes 1.www. portaleducacao.com.br 2. CD “Bossa Negra“, de Diogo Nogueira e Hamilton de Holanda, Universal/EMI, 2014. 3. http://www.itaucultural.org.br