Moacyr Franco: o amor é tudo, tudo

No final dos anos 70, o empreendedor das comunicações do Amazonas, e posteriormente de outros Estados regionais, Fhelippe Daou, fez chegar na cidade de Lábrea (AM), um canal de televisão, em VHS, é claro. Porém, de grande avanço nesse setor. Foi nessa época que fiquei sabendo quem era Moacyr Franco, por meio de um programa de humor, muito bem produzido, no qual ele cantava, dançava, apresentava, satirizava, etc. Era o espetáculo do espetáculo.

No início da década seguinte, o meu irmão Evans, adquiriu um LP desse artista: “Seleção de Ouro” (1978), com músicas como: Cartas na Mesa, Nosso Primeiro Amor, Balada nº 7, A Rosa, Balada das Mãos, entre outras. O nosso contentamento era tamanho. Aquele disco significava uma dádiva. Lembro-me que juntos, comentávamos: “Esse cara canta ‘com a alma’, assim como canta Antônio Marcos” (também sucesso nacional).

A partir daquele ano (1981), passamos a comprar com frequência os discos, as fitas K7 e, bem depois, os CDs de Moacyr. Só para exemplificar, em dezembro de 2018, quando estive no Recife (PE), fui levado pela minha filha Winnie à Praça do Sebo, no centro daquela metrópole, e numa única lojinha compramos 12 LPS de Moacyr Franco. Entre eles, “Nosso Primeiro Amor”, de 1970 e “Somente Sucessos”, de 1965. Hoje são obras consideradas raras.

Nesse trabalho de 65, o cantor e compositor Nazareno de Brito (1925-1981), escreve o seguinte, na contracapa:

“A IDEIA e o título deste Long Play são como um prêmio à sólida maturidade de MOACYR FRANCO que, na opinião de grande número de pessoas do disco, do rádio, da televisão, do teatro, da imprensa, e até mesmo do cinema internacional […], é o artista brasileiro mais completo, dada a sua versatilidade.

Estamos habituados a vermos que se iluminam e apagam ao capricho de uma momentânea preferência popular. MOACYR FRANCO se renova continuamente, revelando aspectos do seu talento toda vez que, por sua vontade, ou solicitado, enfrenta um novo setor no campo artístico.

Trata-se de uma personalidade realmente atraente pelo seu poder de criar, em quantidade e em qualidade, textos humorísticos, melodias, letras, tipos, expressões, inflexões vocais, interpretações musicais, mímica, enfim, aquilo que lhe é exigido quase sempre a curto prazo para as suas variadas produções.

Convivendo quase diariamente com o amigo MOACYR, somos surpreendidos muitas vezes com algo inesperado que vem facilitar o trabalho de toda equipe, iluminando nitidamente o objetivo daquela produção em termos de aceitação popular, coisa que, somente ele, o intérprete, e razão final do nosso trabalho, pode definir.

Este disco fez-nos reviver muitos momentos de sincera alegria, porque nos intervalos de cada faixa, ouvimos o eco dos aplausos e o otimismo dos comentários que cercaram todos os trabalhos, para levar as excelentes melodias até o seu conhecimento.

Estas são apenas quatorze seleções exponenciais, mas estamos certos de que, se escolhêssemos a esmo outras tantas canções em seu mais que espetacular repertório, seríamos aplaudidos e bem recebidos pelo público que continua querendo MOACYR FRANCO sempre, mais e mais…” (1).

Realmente esse disco é uma obra de arte. Lançado há 56 nos, quando seu intérprete era um moço de apenas 28 anos, mas maduro e versátil o suficiente para ser hoje um dos artistas mais influentes do Brasil. Nesse trabalho, além de cantar de forma impecável, ainda tem à sua disposição uma orquestra. Tem mais: os arranjos são de maestros notáveis como Pachequinho, Moacyr Fortes, Ivan Paulo, Guerra Peixe, Élcio Alvarez e Ted Moreno, e músicas inesquecíveis: Suave é a Noite (Tender Is The Night0, de F. Webster e S. Fain, versão: Nazareno de Brito: Riram Tanto, de Luiz Vieira; Valsa das Velas, de D. P.. letra brasileira de David Nasser: Pobre Elisa, de Jorge Smera e Paulo Gesta, etc.

Independente de ser as musicas de Moacyr, versões italianas, inglesas ou autenticamente brasileiras, ou ainda de mensagem sacra, a emoção que a gente sente, é a mesma, ou seja, o nosso coração fica sossegado, pincipalmente quando ouve-se estes versos: “Tuas mãos, só tuas mãos,/gêmeas no riso e na dor/manterão, sempre acesa a luz…/Votiva do amor” (Balada das Mãos, de David Nasser e Elizabeth), ou “Que as jornadas da vida, são bolas de sonho/Que o craque do tempo chutou…/No vídeo tape do sonho, a história gravou” (Balada nº 7, de Luiz Alberto, dedicada não somente ao craque do futebol, Mané Garrincha, mas à vida de cada um de nós.).

Moacir de Oliveira Franco, nasceu em Ituiutaba (MG) em 05 de outubro de 1936 (84 anos). Ainda na adolescência demonstrou muito talento para a música. A sua singularidade em representar, apresentar, compor e interpretar, fê-lo um dos maiores cantores brasileiros. Entre dezenas de suas composições, Seu Amor Ainda é Tudo é, sem dúvida, a mais bela. É imbatível! A sua sonoridade enche nosso ser de saudade… Nela, o amor fala mais alto. Essa canção Iguala-se em significância e sentimentos, a Detalhes (Roberto e Erasmo Carlos); Como Vai Você (Antônio Marcos e Mário Marcos); e O Mais Importante é o Verdadeiro Amor (Valério Negrini e Camillo Facchinetti), etc.

O próprio Moacyr (em vídeo), admite que lá pelos idos anos 80, andava meio desmotivado, triste e desorientado. Nessa época foi procurado pela dupla sertaneja João Mineiro e Marciano, os quais queriam autorização para gravar Seu Amor Ainda é Tudo. O autor disse sim, e os dois venderão 2,5 milhões de discos. A dupla ganhou ainda 8 discos de ouro com outras composições de Moacyr, criadas posteriormente àquela. Eu particularmente, não conheço outra interpretação à altura da de João Mineiro e Marciano, bem no contexto do sertanejo-raiz/Romântico, cujos versos certificam que o amor é tudo, tudo. Vamos à letra.

SEU AMOR AINDA É TUDO

“Muito prazer em revê-la, você está bonita/Muito elegante, mais jovem, tão cheia de vida/Eu ainda falo de flores e declamo seu nome/Mesmo meus dedos me traem e disco seu telefone.

É, minha cara, eu mudei minha cara/Mas por dentro eu não mudo/O sentimento não para, a doença não sara/Seu amor ainda é tudo, tudo.

Daquele momento até hoje esperei você/Daquele maldito momento até hoje, só você/Eu sei que o culpado de não ter você sou eu/E esse medo terrível de amar outra vez é meu.

Sei, não devia dizer, disse: perdoa/Bem que eu queria encontrá-la e sorrir numa boa/Mas convenhamos, a vida nos faz tão pequenos/Nos preparamos pra muito e choramos por menos.

É, minha cara, eu mudei minha cara/Mas por dentro eu não mudo/O sentimento não para a doença não sara/Seu amor ainda é tudo, tudo.

Daquele momento até hoje esperei você/Daquele maldito momento até hoje, só você/Eu sei que o culpado de não ter você sou eu/E esse medo terrível de amar outra vez é meu” (2).

É isso aí, leitor. Não culpe o seu coração pela ausência do amor. Disse um poeta: “Toda forma de amar é válida”.

Por Angeline e Francisco Gomes

Fontes

  1. LP “Somente Sucessos” de Moacyr Franco, SP: Gravadora Copacabana, 1965.
  2. https://m.letras.mus. br

2 comentários em “Moacyr Franco: o amor é tudo, tudo

  1. Excelente música de nossa diversifica da arte brasileira. Temos que relembrar sempre as coisas boas que ficam e estão no Memorial se arte e história. Vamos evoluindo e para evoluir é preciso criar várias maneiras para viver sempre em nostalgia. Obrigado ao professor Gomes, excelente publicação.

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  2. Meu amigo Gomes, minha mãe em sua mente sã, costumava dizer “nao fazem mais música como antigamente”. E ela estava certíssima.
    “Seu amor ainda é tudo” de Moacir Franco, nos fala de um sentimento tão raro, nas letras de muitas músicas atuais. Principalmente pra nós amantes de uma boa música. Bem que no decorrer dos tempos os estilos músicais (funk, batidão eletrônico, etc…), onde os “famosos” djs, deturpam hipocritamente o belo sentido das letras musicais. E vc como amante do belo, nos proporciona a certeza, que apesar dos pesares, o amor ainda é tudo.

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