“Folclore ajuda a formar o cidadão” (II)

Dando continuidade a esse interessante tema da manifestação cultural popular brasileira, vamos de música e dança que advêm de todas as Regiões do nosso país. Alguns exemplos são:

MÚSICA DE FEITIÇARIA. “De todas as práticas supersticiosas, concernentes ao nosso povo, culto religioso de caráter mágico é a mais interessante e bem documentada. Existem em diversos Estados e apresentam um corpo de crenças e ritos próprios e definidos que são baseados em reminiscências africanas; variam de acordo as Regiões, porém, conservam a mesma estrutura. É conhecida como “Macumba”, no Rio de Janeiro; “Candomblé”, na Bahia; “Tambor de mina”, no Maranhão; “Xangô”, em Pernambuco, Paraíba e Alagoas; “Bassué, no Pará. E ainda, conforme nos ensina Oneida Alvarenga, “esse tipo de Feitiçaria baseia-se no culto a entidades sobrenaturais que eles chamam de Orixás, Santos ou Mestres” (2).

CANTOS DE TRABALHO. Os executados durante o trabalho coletivo. Por exemplo, na ocasião das moagens, de pilão e de peneiração de café. Serve para aliviar o cansaço e, às vezes, para ajudar a coordenar os movimentos de um grupo de trabalhadores que prestam uma atividade coletiva. Essa prática pode ser constatada na lavoura de cacau, na Bahia; no Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco, no cultivo do algodão.

Outras modalidades populares, também, são: MODINHA – ou canção amorosa e sentimental, atualmente em desuso; PREGÕES – são constituídos geralmente de melodias curtas, alusivas aos objetos oferecidos à venda nas feiras livres do Nordeste; ACALANTO – de melodia dolente, comumente cantada pelas babás, para adormecer a criançada. Já foi bastante utilizada no Brasil de outrora (que o diga Dorival Caymmi, autor de um acalanto clássico); e ABOIOS – vocalizados pelos vaqueiros para conduzir as boiadas. Práticas muito comum no Nordeste e Minas Gerais.

CAIAPÓ. Com igual nome de tribo indígena do Brasil Central. “Dança bastante praticada nas festas religiosas e que representa ataque do branco ao índio e à sua ressurreição. Os personagens são “Mecuru” (rapazinho), o cacique e os dançadores. Executa-se em volta do “Macuru”que não se sentindo bem é protegido (contra o mal) pelos dançadores que fecham o circulo. O rapazinho morre, mas chega o cacique (pajé ou feiticeiro) que, com baforadas de fumo e muitos gestos (mímicas) consegue a ressurreição. Por fim, tudo termina com uma alegre dança constante de saltos e pulos. Os instrumentos usados são: pandeiro, reco-reco, caixa, arco e flecha” (2).

De inspiração ibérica, temos: Bumba-meu-boi, folguedo que provém do “ciclo do boi” e da “civilização do couro”, sendo muito praticado no Nordeste e também no Amazonas durante as festas juninas. São, portanto, diferentes as denominações: “Bumba-meu-boi, no Amazonas; “Boi de mamão”, em Santa Catarina; “Surubi”, no Ceará; e “Boi de Jacá” e “Boizinho”, em São Paulo. “O Bumba-meu-boi” é integrado por vários quadros autônomos ou independentes, de curta duração, finalizando com a morte e ressurreição do boi” (2).

CHEGANÇA. Vem de uma dança cantada que foi muito popular em Portugal no século XVIII. Folguedo de trecho dramático intercalado de cantos, cujos participantes são homens. A dança é executada no Nordeste, entre Natal e Reis, e Carnaval e São João. Na Paraíba, por exemplo, chama-se “Barca Paraíba ou “Nau Catarineta”; em Minas Gerais e São Paulo, “Marujada”, e no Rio Grande do Norte, “Fandango”. “A “Chegança de Marujos” representa as aventuras e conquistas marítimas de Portugal; e a “Chegança de Mouros”, significa as lutas entre cristãos e mouros” (2).

FOLIAS DE REIS. Visa angariar fundos para a festa do “Santos Reis”. O folguedo celebra a visita dos Reis Magos ao Menino Jesus. São entre 12 e 20 componentes que se organizam em torno do “Mestre Violeiro”. Os festejos acontecem entre 15 de dezembro e 6 de janeiro, em vários Estados, com ênfase em São Paulo. “A parte cantada contém saudação petitória, agradecimento e despedida. Os instrumentos usados são: viola, cavaquinho, flauta de bacará, caixa, pandeiro, reco-reco e chocalho” (2).

CONGADA/CONGADO. Dança muito conhecida em São Paulo, cujo congo representa a conversão dos infiéis. CANTIGAS DE CECO, no Nordeste, com grande potencial melódico tipicamente brasileiro. E o interessante DESAFIO? Faz parte de “uma das mais ricas manifestações poéticas, generalizada no Nordeste. Consiste numa disputa poética, de dois cantadores, que se digladiam até que um se dá por vencido. Os cantadores se fazem acompanhar de violas sertanejas (de 10, 11 ou 12 cordas) e pandeiros” (2).

Temática superinteressante, mas encerramos por aqui, este artigo. Ainda temos mais UM, ou seja, a terceira parte. Esperamos que os nossos leitores também gostem dessa abordagem.

Por Angeline e Francisco Gomes e Winnie Barros.

Fontes consultadas: as mesmas descritas no artigo da semana passada.

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