22º Tour Cultural do Facetas

Olá leitores! O nosso tour de hoje é sobre os livros: Quando me descobri negra, A Terra uma só e As crônicas de Fiorella. Estes nos possibilitam uma ótima leitura, não apenas às crianças e adolescentes, mas aos adultos, também. A E. E. Jairo da Silva Rocha, (ZL/Manaus) onde sou professor, recebeu do MEC/PNLD algumas dezenas de diferentes títulos, dos quais extraí três para divulgação do Facetas, com o intuito de motivar a leitura entre os alunos e professores. Por que não?

1 – QUANDO ME DESCOBRI NEGRA. Pense num livro interessante e impressão gráfica criativa: páginas na cor preta com texto e ilustrações na cor branca. A autora, Bianca Santana é professora, pesquisadora, jornalista e estreante como escritora. “Escrevi este livro – dividido em três partes: Do que vivi, Do que ouvi e Do que pari – porque, embora eu sempre tenha sido uma leitora voraz, encontrei poucas histórias com as quais me identificava. Tantos livros fantásticos falavam de realidades distantes da minha…” (1).

Para ela, escrever foi uma oportunidade de registrar fatos vividos na sua infância (…), de expressar angústias com o cabelo crespo que a acompanharam por anos, mas que resultaram em motivo de orgulho; histórias de outras pessoas negras que viveram situações semelhantes às suas. Com os 28 relatos que compõem a obra, Bianca espera “inspirar estudantes, professores e pessoas de qualquer canto do Brasil a escreverem (seus relatos). A história de cada um(a) é a história de todos nós” (1).

Sobre o trabalho em análise, a professora paulista Mei Hua Soares, garante: “Ao iniciar a leitura (…), a primeira sensação é de que talvez a gente não queira mexer nessas feridas. Na verdade, escancaras. Dói muito”. Dói mesmo. Não é fácil saber que milhões de brasileiros insistem em conviver com as desigualdades sociais, em todos os aspectos, que corroem nossos corpos e maculam os nossos espíritos, tirando-nos a paz. É forte mas a pesquisadora afirma: “Tenho 30 anos, mas sou negra há dez. Antes, era morena” (1). Como ela, cada um de nós deve se redescobrir sempre.

2. A TERRA UMA SÓ (Yvyrupa). Da coleção “Mundo Indígena”, é um estudo memorável de Verá Tupã Popygua, o Timóteo da Silva (www.timoteovera@gmail.com). A organização do livro é de Anita Ekman (brasil.anita@gmail.com) e a introdução de Maria Inês Ladeira, além de um Glossário com mais de 140 vocábulos: português/tupi. Uma leitura para todas as idades, ou seja, “uma versão escrita de parte da sofisticada literatura oral do povo Guarani” (2).

Sua pesquisa vem daquilo “que aprendeu e pensou nos caminhos que percorreu pela Mata Atlântica, na América do Sul, junto a seu povo (…). É um mundo de saberes que pertence aos Nhande’i va’ e (antigo nome do Guarani Mbya)”, dos quais recebemos as palavras milenares, consagradas e cultivadas oralmente por esse povo, que refletem suas cultura e realidade de vida, donde brotam fontes de sabedorias para várias partes do Yvyrupa (planeta Terra, no sentido amplo), e que jamais serão (por nós) totalmente capturadas como expressão do pensamento Guarani (2). Pois, naquele seio, o 1º pai divino, foi o criador dos seis firmamentos e da Terra, para depois dividir “a sabedoria das origens do amor infinito, do canto sagrado e das belas palavras que animam, consagram seus filhos como guardiões das fontes divinas. Ainda não existia a Terra, mas sim, a noite primitiva” (2). Lindo demais!

A seguir, o poema Ara ymã (tempo primordial), do mesmo Timóteo, o qual consagra os mistérios dessa “noite primitiva” citados acima: “Nos primórdios não havia nada,/Era um lugar sombrio./Havia somente o oceano primitivo,/Lava./Não havia vidas sequer.// Ainda não existia a Terra,/nem o sol,/nem a lua,/nem estrelas.// Permanece a note originária” (2). Mais lindo ainda!

Sobre essa obra, o pesquisador Bartolomeu Melià, diz: “O Guarani busca a perfeição de seu ser, de seu dizer. Nós somos a história de nossas palavras. Tu és tua palavra, eu sou nossas palavras. Che ko fiandeva. Potencialmente, cada Guarani é um profeta – e um poeta -, segundo o grau que alcance sua experiência religiosa” (2). Por esse mesmo prisma, assim, Inês conclui a sua nota introdutória à obra: “Quem dera, chegue o tempo em que etava’e kuery (aqueles que são muitos no mundo) possam ser dignos de reverter o quadro de extermínios e destruição promovidos durante séculos e passar a figurar como aliados na conservação da Terra em que pisamos” (2).

3. AS CRÕNICAS DE FIORELLA. A autora, Vanessa Martinelli, “escritora por acaso e leitora desde de sempre”. Revela ainda que seu amor pela literatura infantojuvenil é incondicionado. “Aliás, foi por causas da filha Luiza que a leitora se transformou em escritora”. A ideia do livro surgiu em 2014, quando participou de um prêmio literário, na categoria juvenil de crônicas e venceu o concurso. A sua temática é voltada para o cotidiano dos jovens. Por isso, os fatos são narrados por um adolescente. O conteúdo é excelente. Assim como são sugestivas as ilustrações de Carla Irusta. Anexo, um CD: manual do professor.

“Vida de adolescente não é moleza. Responsabilidades, hormônios, o adeus à infância e a entra da vida adulta: todos têm suas boas e más recordações desses momentos – e quem ainda não tem não perde por esperar!” (trecho). “Com Fiorella não é diferente. Ele a é uma menina comum, com pais divorciados, que vive com o irmão e a mãe e vai à escola todos os dias. Ah, ela também tem uma melhor amiga, a Flávia”, o cachorro Rufus e adora chocolates, mas madura o suficiente para emocionar o leitor com a narrativa das crônicas (nota da editora) (3).

Ficou curioso (a)? Então confere essas pequenas grandes obras aqui por nós recomendadas. Até breve!

Por Angeline, Francisco e Winnie.

Fontes: 1. Santana, Bianca. Quando me descobri negra. Ilustrações de Mateu Velasco, 2. ed. SP: Sesi, 2018; 2. Popygua, Timóteo da Silva Verá Tupã. Yvyrupa: a Terra uma só. (Org. Anita Ekman. – SP: EdiLab, 2018; e 3. Martinelli, Vanessa. As crônicas de Fiorella. Ilustrações de Carla Irusta. – 2. ed. SP: Saraiva, 2018.

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