Olá, leitores! Nesta semana o Facetas fez um tour revisitando a arte musical de Jessé e Tom Jobim, textualmente juntos. Os dois nos deixaram há 30 e 29 anos, respectivamente. Porém, a produção artística dos dois permanece vivíssima entre seus fãs e admiradores, dentro e fora do Brasil.
1 – Jessé Florentino Santos. Carioca de Niterói, nasceu no dia 25 de abril de 1952, e morreu em Ourinhos (SP), no dia 29 de março de 1993, aos 41 anos de idade. Ficou conhecido pelo grande público brasileiro quando foi realizado o Festival MPB Shell 80, com o sucesso estrondoso de Porto Solidão. Nos anos subsequentes fez sucesso com: Voa Liberdade, Solidão de Amigos, Estrela de Papel (“Carlitos“), Campo Minado, Estrela Reticente, Gaivota Dourada, entre outras.

Na década de 1970, Jessé usou os pseudônimos Christie Burgt e Tony Stevens para cantar em inglês – prática muito comum entre cantores brasileiros ainda desconhecidos – e fez sucesso com a música If You Could Remember, até hoje executada nas rádios brasileiras.
Após o Festival 80, é lançado um compacto com Porto Solidão e Sem Terra e Sem Rei. Em dezembro do mesmo ano, a gravadora RGE, lança um LP com 12 músicas, foram dois sucessos: Vou Liberdade e Campo Minado. Além, é claro, de Porto Solidão. Em 1981, novo disco, contendo composições de Tom Jobim, Chico Buarque, Belchior, Oswaldo Montenegro, etc. Com Estrela Reticente, Jessé ganha como melhor intérprete do Festival MPB Shell 81.
Em 82, lança o volume 3, cuja capa do LP é bem criativa: uma gaiola de passarinho. Fez muito sucesso Solidão de Amigos. Contém também o clássico Chão de Estrelas, de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa. Porém, Paraíso das Hienas, do saudoso cantor e compositor pernambucano Accioly Neto, é uma canção grandiosa. Em 83, lança Estrela de Papel (“Carlitos”), vencedora do 12º Festival Ibero-americano. Ainda nesse ano, grava ao vivo o álbum duplo “O Sorriso ao Pé da Escada”. O cantor faz reverências a Dolores Duran, Maysa, Dalva de Oliveira, Elis Regina e Charles Chaplin.
Em 84, grava seu 2º disco (Álbum duplo) ao vivo: “Sobre Todas as Coisas”. Em 85, lança “Todos os Palcos”, no qual consta Gaivota Dourada. Nesse mesmo ano divulga o LP gospel “Ao Meu Pai”. Em 87, chega a vez do disco “Eterno Menino”, com destaque para Amor ou Fascinação e Todavia. Em 88, a RGE relança 20 sucessos em dois LPs “Convite Para Ouvir Jessé”. Em 89, chega em mercado o disco “Jessé in Nashville”, híbrido, isto é, com 5 músicas em inglês e 6 em português.
Esse material citado em vinil (foto ao lado), faz parte do acervo do Facetas. Assim com maior número de CDs. A seguir, alguns versos de Campo Minado (Mário Maranhão-Mário Marcos-Maxciliano): “Ah! meu coração é um campo minado/Muito cuidado ele pode explodir/E se depois de tão dilacerado/For desarmado por quem há de vir/Alguém que queira compensar a dor/Plantar o sonho e ver nascer a flor/Alguém que queira então me residir/E explodir meu coração de amor” (1).
2 -Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim. Carioca da Tijuca, onde nasceu em 25 de janeiro de 1927 e faleceu em Nova York no dia 8 de dezembro de 1994, aos 67 anos de idade. Tom é considerado um dos maiores nomes da música brasileira, desde os anos 50, com o advento da Bossa Nova, cuja fusão com o Jazz nos anos 60, esse artista, além de tornar esse gênero popular, criou uma nova sonoridade. Teve vários parceiros musicais. Com Vinicius, por exemplo, criou clássicos como: Chega de Saudade, Garota de Ipanema, Insensatez, A Felicidade, entre outras.

Segundo Toquinho, “para quem conheceu, sua inteligência e seu humor deram sempre um colorido especial às suas harmonias irretocáveis e suas melodias eternas. Tom foi tudo para a minha geração”. Diz ainda que a sua canção predileta dele e do Poetinha, é Eu Sei Que Vou Te Amar.
Tom era dedicado, sempre naquilo que se dispunha a fazer. Fosse como compositor, cantor, violonista, pianista ou como arranjador. Fez parcerias no Brasil e nos EUA. Por exemplo, em 1965, o disco Getz/Gilberto foi o 1º de jezz ganhador do prêmio Grammy de álbum do ano (instrumental e o melhor produzido). Em 1966, grava um disco com um dos artistas mais influentes dos EUA (e por que não, do mundo?)Frank Sinatra (The Voice). Isso só fez aumentar o seu prestígio na terra do Tio Sam, e colhendo os louros para si, para o Brasil e seu cancioneiro.
Segundo a pesquisadora musical Márcia Blasques, no artigo “O Arquiteto de Sons”, garante: “A vida de Tom confunde-se com a construção de sua arte. Uma arquitetura composta de rasgos de azuis de céu e de verdes de matas harmonizados numa melodia brasileira” (2). Tom era formado em Arquitetura. No entanto, fez seus projetos na outra arte: a música.
Entre tantas belas composições, escolhemos estes verso de Falando de Amor, de autoria do grande maestro: “Se eu pudesse por um dia/Esse amor essa alegria/Eu te juro te daria/Se pudesse esse amor/Todo dia // Vem depressa/Vem sem medo/Foi pra ti meu coração/Que eu guardei este segredo/Lá no fundo do meu coração”(2). Tem mais: essa música interpretada por Ney Matogrosso é simplesmente fascinante! A foto ao lado com alguns discos de Jobim, é uma pequena amostra do nosso acervo; também temos uns 30 CDs desse artista. Além de vídeos musicais e documentários.
Esperamos que você, leitor (a), goste, da nossa iniciativa, ou seja, de termos revivido a memória desses dois grandes artistas que cantam e encantam a nossa alma e nos enchem de contentamento e emoção, sem dúvida alguma.
Por Angeline e Francisco Gomes e Winnie Barros.
Fontes: 1. LP “Jessé”, de Jessé. SP: – gravadora RGE, 1980; 2. Encarte Tom Jobim, vol. 13, da col. “MPB Compositores”, SP: – editora Globo, 1997.