O folclore amazônico, segundo Mário Ypiranga

O historiador amazonense Mário Ypiranga Monteiro, nasceu em Manaus em 23 de janeiro de 1909. Há exatos 115 anos. E faleceu nessa cidade no dia 9 de julho de 2004, aos 95 anos. Formado em Direito. Foi professor tanto do Estado como da UFAM, na área de Literatura Brasileira.

Desde jovem, quando era estudante do Ginásio Amazonense Pedro II (Colégio Estadual, no centro de Manaus), já escrevia para revistas e jornais sobre História, Teatro, Geografia, poesia, etc, cujo ofício foi exercido por mais de 65 anos. Esse feito projetou seu nome para o Brasil e outros países europeus, sempre colaborando em trabalhos de alto nível técnico. Isso fê-lo integrar-se em mais de 70 Instituições Culturais e agraciado com mais de 40 condecorações.

A sua bibliografia também é muito rica. As principais obras por ele produzidas são: Teatro Amazonas; História da Cultura Amazonense; O Sacado; O Regatão; Roteiro do Folclore Amazonense; A Catedral Metropolitana de Manaus; Danças Folclóricas Singulares do Amazonas; Fundação de Manaus; A Capitania de São José do Rio Negro. Alguns desses trabalhos tiveram repercussão nacional e internacional, além de premiadas.

Aqui, a nossa abordagem é sobre “Roteiro do folclore amazônico”. Um estudo interessantíssimo com a temática “jogos”. Tem mais: além de não ser denso seu conteúdo – tem apenas 82 páginas -, o autor, com muita maestria, classificou “as brincadeiras” inseridas em: jogos indígenas, jogos adventícios, jogos de calçadas, jogos de escola e aquáticos. Há também, bastante ilustrações para melhor interpretação para que não conhece essas modalidades lúdicas.

O autor explica o porquê dessa pesquisa: “É necessária a reconstrução dos brincos (brincadeiras) infantis, aquelas aprendidas na meninice. Precisamos mostrar às gerações futuras o que tínhamos e o que desapareceu com o passar dos anos. Hoje no mundo dos jogos eletrônicos a criançada não tem interesse pelos nossos brinquedos e as escolas não ajudam na transmissão dos jogos rueiros (…). Infelizmente estamos perdendo as nossas tradições, precisamos correr para salvá-las” (1).

“Os jogos de rua e de salão aproximavam as pessoas, faziam-se novas amizades, da mesma maneira que criavam ciúmes e despeitos (no bom sentido, é claro). Aprendi e vivi todas as brincadeiras rueiras do meu tempo. Com muita saudade recordo a minha infância” (1).

Segue dizendo, o estudioso: “Como todo fato folclórico local os jogos também suportam uma classificação oportuna, podendo ser de origem indígena e de origem alienígena, ocorrendo que os da última categoria são os mais numerosos. Acredito que algumas fórmulas de escolha na técnica de alguns jogos sejam exclusivamente amazonenses, talvez mesmo só de Manaus, sem ligação remota com a Europa” (1).

O historiador Robério Braga, no prefácio, diz: “São precisamente estes e vários outros jogos (cabra-cega, manja, esconde-esconde, pular corda, pião, canga pé, curica, papagaio, carrapeta, pincha, perna de pau, perna de lata, etc) que Mário descreve com detalhes, ilustremente, nesse livro que se pode chamar, ao mesmo tempo, de relicário infantil pela delicadeza com que relata essas atividades lúdicas que tende a desaparecer diante da voragem dos jogos eletrônicos, das brincadeiras com que cada brincante é um mundo em s, isolado, e cada vez mais isolado, sem possibilidade de interagir senão com bonecos, monstros, e figuras extravagantes do imaginário de seus criadores, quase todos de culturas diversas da nossa” (1). Relata ainda, o professor Robério, que, sobre a brincadeira de papagaio d papel, há relatos imperdíveis de autoria do poeta Thiago de Mello, do ex-senador Jefferson Péres e dele, Braga.

Isso aí, amigos leitores. Cada um de nós onde quer que tenha vivido (ou vive) a sua fase infanto-juvenil sabe bem as brincadeiras que teve (ou tem), de acordo com a cultura popular, o folclore do lugar. As da nossa região amazônica são as comentadas aqui. Quer saber mais, adquira e leia a obra em questão. Ótima leitura!

por Angeline e Francisco Gomes e Winnie Barros.

Fonte: Monteiro, Mário Ypiranga. Roteiro folclórico amazônico: etnografia amazônica – jogos. Tomo VIII – Manaus: Reggo/ALL, 2019.

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