Um presídio que virou poesia: Casa da Cultura

Essa semana estive na Casa Cultura, localizada em Recife. É um antigo presídio que foi transformado em um espaço para a venda de artesanato local. Cada cela é uma loja.

É incrível como conseguiram preservar a estrutura do local: os portões de ferro, os pisos, as escadas para o primeiro andar. É algo surpreendente.

Fonte: Portal Cultura Pe
Fonte: Which Museum

O presídio foi inaugurado em 1855 como Casa de Detenção, a edificação foi concebida pelo engenheiro José Mamede Alves Ferreira, seguindo o modelo pan-óptico francês. Seu formato cruciforme, com quatro alas orientadas aos pontos cardeais, permitia vigilância total a partir de um saguão central coroado por uma cúpula metálica. Durante 118 anos, abrigou figuras como Graciliano Ramos e Gregório Bezerra, até ser desativada em 1973 .

A transformação do cárcere em centro cultural foi idealizada por Francisco Brennand e concretizada com o projeto da arquiteta Lina Bo Bardi. Em 14 de abril de 1976, renasceu como Casa da Cultura, preservando a arquitetura original. Das 156 celas, 150 foram convertidas em lojas de artesanato, livrarias e lanchonetes, enquanto uma permanece intacta, testemunha silenciosa do passado.

Fonte: Which Museum

Durante minha visita algo me chamou a atenção. Placas na parede com um poesia de Audálio Alves: Frei Joaquim do Amor Divino Caneca.

“Jornalista, advogado e poeta, nasceu a 2 de junho de 1930 no município de Pesqueira, interior do Estado de Pernambuco. Concluiu o curso Clássico em Pernambuco no Colégio Diocesano. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Recife (1955), bacharelou-se em línguas Neo-Latinas pela Universidade Católica do mesmo Estado. Professor da Cadeira de Português, no Instituto de Educação de Pernambuco, advogado militante e Assistente Jurídico do Ministério do Trabalho, ainda assim se desenvolve como poeta. Tendo publicado em 1954 “Caminhos de Silêncio” poemas;  publicou em 1958 “Olhar da sede”, em 1961 “Alicerces da Solidão”.); o Áspero de Uma Canção Sem Terra – Canto Agrário”, “Canto Soberano”, “Canto Por Enquanto“.


Foi diretor de assuntos culturais da Fundação de Arte de Pernambuco (Fundarpe), assessor jurídico do Ministério do Trabalho e diretor do suplemento literário do Jornal do Commercio, Recife. Morreu no Recife a 08/04/1999″. (Antônio Miranda).

Everardo Norões no texto “Nostálgico, sim, mas não muito” nos explica sobre o poema de Audálio:

“Da sala da repartição de Orley Mesquita, na Casa da Cultura, observam o poema de Audálio Alves plantado no mural de azulejos, celebrando o martírio de Frei Joaquim do Amor Divino Caneca.

Uma pergunta ocorre:
– Qual o sentido da poesia?

No que era a antiga Casa de Detenção, à beira do rio Capibaribe,
onde antes desaguavam vozes de torturados,
pressentem
o centro do poema”.

E quem foi Frei Caneca?

“Frei Joaquim do Amor Divino Caneca nasceu no Recife, no dia 20 de agosto de 1779. Em 1796, aos 17 anos, tomou o hábito carmelita e aos 22, ordenou-se padre. Considerado um dos grandes pensadores literários no momento da Independência brasileira, foi também professor de retórica e geometria e depois de filosofia racional e moral, em Pernambuco e Alagoas. Em 1817, Frei Caneca esteve entre os líderes da Revolução Republicana em Pernambuco. Com o fracasso do movimento, acabou detido e enviado para Salvador, sendo libertado em 1821 pelo movimento constitucionalista de Portugal. Frei Caneca também foi um dos chefes da Confederação do Equador. Em 13 de janeiro de 1825, acabou executado no Forte das Cinco Pontas”. (Prefeitura do Recife).

Ainda visitando o local encontrei uma geladeira sendo usada como estante para guardar o livros.

Para visitar a casa da cultura está localizada na Rua Floriano Peixoto, no bairro de Santo Antônio, a Casa da Cultura funciona de segunda a sexta, das 9h às 19h; aos sábados, das 9h às 18h; e aos domingos, das 9h às 14h. A entrada é gratuita.

Espero que tenham se surpreendido, tanto quanto nós, com um local histórico de u.a antiga detenção que agora respira arte, cultura e poesia.

Notinha útil: desejamos um excelente domingo de Dia das Mães. Em especial, eu (Winnie) e Angel queremos desejar um feliz dia das Mães para a nossa mãe Priscila.

Winnie, Gomes e Angel.

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