No último dia 4 de junho ele completou 88 anos de vida e segue bem, inclusive profissionalmente. Estamos nos reportando a Aurino Quirino Gonçalves, ou seja, o cantor e compositor paraense, artisticamente conhecido por Pinduca, ou melhor, o “rei do carimbó estilizado”. Nascido em Igarapé-Mirí em 1937 de onde saiu para conquistar o Brasil e o mundo latino-americano.
Seu canto, seu ritmo contagiante, ultrapassou as fronteiras geográficas do Estado do Pará, no Norte do país, para as demais Regiões. Estar, portanto, na estrada há mais de meio século “nos bailes da vida”, como o maior representante do dançante gênero de música: O Carimbó. Além do Pinduca, outros artistas regionais também cantam e dançam o Carimbó. Inclusive a Fafá de Belém gravou vários hits, um deles, Sinhá Pureza (“Vou ensinar a sinhá pureza/A dançar o meu carimbó).

Dono de uma discografia inconfundível desde o lançamento do seu primeiro LP, em 1973: “Carimbó e Sirimbó do Pinduca”. Em 1980, por exemplo, quando lançou o disco número 9, sua gravadora fez este registro na contracapa: “1º Sargento da Polícia Militar do Pará, onde exerce sua profissão de exemplar militar e que em sua vida artística é o nosso conhecidíssimo “Pinduca”, o Rei do Carimbó, cujo ritmo do Folclore do Pará ele tão bem soube divulgar e o fez conhecido em todo o Brasil. Neste disco há uma seleção espetacular de carimbós, inclusive incluindo um xote, mostrando toda sua versatilidade e o ritmo extraordinário das suas músicas.
Pinduca, além de cantor também é militar – como dito acima – que tem na sua corporação grandes amigos dos quais alguns fazem parte de seu conjunto e, por sinal, sempre teve o apoio de seus comandantes, para que pudesse divulgar através de suas apresentações em shows, Rádios e TV e também em gravações a excelente música do Estado do Pará e à PM, a Copacabana Discos agradece por ter como artista um dos seus integrantes e pela colaboração que sempre nos tem dado” (1).
Em 1981, quando do lançamento do LP número 10, na contracapa, a seguinte mensagem da produção artística diz: “Toda uma existência em prol da Música Regional Brasileira. Muitas lutas, algumas decepções, porém muito mais alegrias. Tudo começou com um casamento muito bem sucedido: Pinduca X Copacabana”. Fala-se, portanto, de “um ritmo novo, por muitos desacreditado, ritmo este típico do Pará: o Carimbó”. O mesmo, que anos depois de ser cantado e divulgado “tomou conta do país e é difundido também no exterior”. Mas, “para que o Carimbó assumisse tal posição de vanguarda na Música Brasileira, foi necessário o apoio incansável de toda uma retaguarda”. Neste mesmo disco o cantor faz seu agradecimento à gravadora e, principalmente, ao consumidor e aos músicos por terem tornado o Carimbó “uma realidade no mundo” levando “alegria a todos” (2).
Em 1983, no volume de número 12, a gravadora faz um retrospecto “dos primórdios” do cantor: “Pinduca tinha uma pequena orquestra, que já dominava esse ritmo, daí levou o legítimo Carimbó, dos terreiros e praias para os salões e festas da época. Em curto tempo, o ritmo causou sensação e pouco a pouco foi virando exigência nos acontecimentos da Região” (3). Daí nasceu o disco, e com ele aconteceu o sucesso musical que ficou conhecido como Carimbó, desde os idos dos anos 70.
Até então, praticamente desconhecido dos próprios paraenses, esse gênero chegou às ruas, ao rádio, e à indústria fonográfica, por mais de uma dezena de regravações de conjuntos locais. Mas, o mais destacado mesmo era o som do mestre Pinduca e da sua banda, que foi batizado como “O Rei do Carimbó”. Porém, para tal, foram dez anos de intenso trabalho, de divulgação no Pará, no Brasil e em outros países. O ritmo então, “deixou de ser uma dança do interior, de caboclos, para invadir a sociedade da capital e se transformar, hoje, na música representativa dos festejos do Pará, tornando-se sucesso nacional, e já reconhecida no exterior” (3). Motivo de orgulho para todos.
Em 1984, quando do lançamento do LP 13, foi a vez do escritor, poeta e professor da UFPA, João de Jesus Paes Loureiro (86 anos), escrever o seguinte: “Pinduca é uma das mais legítimas e importantes expressões musicais da Amazônia paraense. Filho de músico, nasceu em 1937 na cidade de Igarapé-Mirí, onde teve, assim na vizinha Abaetetuba, espontânea iniciação musical. É um caboclo típico do Pará, meio tapuio, cara de remador de Igorité, sensível, inteligente, irônico, perspicaz. Homem de beira de rio, acostumado, antes de mudar para Belém, com os ritmos nativos mesclados com a música do conjuntos de “jazz” que tocavam nas festas e danças do interior, das bandas de música alegrando paradas cívicas, festas religiosas e desembarques de políticos na ponte-grande. O universo de sua primitiva formação de compositor e músico constituiu-se de Carimbós, Baiões, Mambos, Rumbas e Dobrados. Tocou maracas e pandeiro em conjunto de dança onde formou seu estilo com pique de metais e ritmo alegre. É antes de tudo, músico de baile, de festa, de arrasta-pé” (4).
É tão prazeroso falar sobre esse fantástico artista que resolvemos dividir o texto em duas partes. Em breve, publicaremos a segunda. A foto acima retrata os 6 primeiros discos de Pinduca.
Notinha útil – Ontem o jovem Heitor completou mais UM mês de saudável vida. Os seus pais e um casal de amigos, o levaram para um passeio no parquinho de sua cidade nordestina. Ao mesmo desejamos muita saúde.
Por Angeline e Francisco Gomes e Winnie Barros.
Fontes consultadas: Os LPs de 1980, 1981, 1983 e 1984 de Pinduca. – RJ: gravadora Copacabana.