Continuemos, então, com a nossa série de palavras existentes no português, originárias do tupi, as quais fazem parte do dia a dia do brasileiro, entre milhares de vocábulos que herdamos do latim, do grego, do italiano, do francês, do inglês, entre outros idiomas. São sete termos e seus significados:
GUARIBADA: “De guariba, do tupi gua’riva, tipo de macaco que recebeu tal designação a partir de guara, indivíduo, e aiba, feio, mau. A presença de três pré-molares e três molares verdadeiros de cada lado, tanto nas mandíbulas como nos maxilares, dá ao rosto desse símio um contorno peculiar que inspirou medo nos índios, influenciando essa denominação. Os primeiros registros do vocábulo datam do final do século XVI. No interior de São Paulo, havia muitos desses macacos na Sesmaria dos Pintos e da Cachoeiras, situada entre Araraquara e Jaboticabal. Nos finais do século XIX, com a chegada do trem àquela região, alguns fazendeiros locais fundaram um povoado ao redor da estação ferroviária, dando-lhe o nome de GUARIBA. Denominação consolidada em documento de 21 de setembro de 1895 quando João José de Abreu Sampaio, que inaugurou ali a Capela de São Mateus. Era o auge do café e GUARIBA teve notável desenvolvimento, interrompido com a crise de 1929. A retomada deu-se a partir de 1940 com a cana-de-açúcar. Os automóveis dos antigos fazendeiros tinham sido transformados em calhambeques pelo tempo, ajudado pelo estado precário das estradas e pela deficiência de manutenção. Surgiu, então, um restaurador desses carros desgastados, que passou a atender à proprietários de GUARIBA e adjacências que a ele acorriam para reformar os veículos. Nasceu assim, a expressão “dar uma guaribada”, com o sentido de restaurá-los. Pouco a pouco a expressão veio a ser aplicada também a roupas a té chegar à cirurgia plástica, de modo que dar uma guaribada no rosto não remete mais às origens do macaco guariba, mas à beleza dos carros reformados”.
JENIPAPO: “Do tupi iani’paua, uma rubiácea. O coronel Odorico Paraguaçu, personagem do teatrólogo, novelista e membro e membro da ABL Dias Gomes, bebia licor de jenipapo na mítica cidade de Sucupira e não se cansava de proclamar seu poder afrodisíaco diante do fingido horror das irmãs Cajazeira”.

GABIRU: “Do tupi, provavelmente nome de um rato. A imprensa tem mostrado um novo tipo de brasileiro, o homem-gabiru (numa percepção científica de Geografia e Sociologia, estudada pelo famoso pesquisador pernambucano, Josué de Castro), surgiu nas últimas décadas no Nordeste, caracterizado pela baixa estatura devido a fome e subnutrição. Mário Souto Maior, em seu Dicionário do Palavrão e Termos Afins, dá o vocábulo como sinônimo de malandro, espertalhão, conquistador de mulheres e pederasta ativo”.
PIRANHA: “Do tupi, pirá, peixe e ãya, com dentes, ou seja, peixe dentado; vive nas águas fluviais e é carnívoro e extremamente voraz; seus numerosos dentes são muito cortantes; ataca tanto a pessoas como os demais animais. Os cardumes são comumente encontrados nas águas do rios da Amazônia e no Pantanal Mato-grossense. Ao todo são conhecidas 15 espécies no Brasil, cujo tamanho pode varias entre 18 e 45 centímetros. A piranha-caju e a piranha-preta, são mais comuns no Estado do Amazonas; a piranha-preta também existe nas águas do rio São Francisco. Os dentes desse peixe são usados em adereços domésticos pelos indígenas. Pejorativamente (gíria) chama-se de “mulher-piranha”, àquela que não se prende a um único relacionamento; ou que “ataca” sempre aos homens. Sem ser, no entanto, “necessariamente meretriz, ou que leva a vida licenciosa”. Popularmente, atribui-se o termo “piranha”, também, para o “prendedor de cabelos: dentado, de plástico e de molas fortes “.
ITAMARATI: “Do tupi ita, pedra, mirim, pequeno(a), e ty, rio, que em português, significa “rio das pedras pequenas” ou “corrente por entre pedras soltas”. Nesse mesmo sentido, temos Itacoatiara, pedra pintada; escrita; gravada; esculpida. Isto é, a junção ita, koati, ara. O histórico Palácio do Itamaraty, que fica em Brasília, acolhe nas suas suntuosas dependências o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, com dezenas e dezenas de outras nações pelo mundo”.
GUARANÁ: Do tupi wara’na ou wurana, na tribo dos sateré-mawé, ou melhor, “fruto que se parece com os olhos das pessoas”. A lenda do guaraná, por exemplo, é superinteressante. O Município de Maués (AM) produz a melhor semente de guaraná do Brasil e do mundo. São muitos os seus derivados. O refrigerante “Baré” fabricado em Manaus, em escala industrial, é muito comum na Região Norte. Por aqui, é comum ser servido o guaraná em pó com amendoim nas feiras e mercados públicos. Dizem os seus adeptos que é uma bebida afrodisíaca.
TAUBATÉ: Do tupi, taba-ibaté ou tabaybaté, aldeia alta ou aldeia no alto. Importante cidade do interior do Estado de São Paulo, localizada no Vale do Paraíba; terra natal do escritor Monteiro Lobato e Capital Nacional de Literatura Infantil.
Muito bem. Nos três artigos em questão, pesquisamos e publicamos 18 expressões originárias do tupi guarani. Todas Inseridas, assim como outras, no vocabulário brasileiro. Além de termos como: tucano, butantã, tapioca, candiru, ubatuba, etc. Etc. Etc. O nosso objetivo, com esse resgate, é proporcionar aos nossos fiéis leitores, maior conhecimento da língua portuguesa (“inculta e bela”, como versou Olavo Bilac), por um lado. Por outro, despertar em cada um as “curiosidades” etimológicas de expressões que possam lhes ser “diferentes”. O nosso muito obrigado.
Por Angeline e Francisco Gomes e Winnie Barros.
Fonte consultada: Coluna “Etimologia”, do prof. Dionísio da Silva. Revista Caras, abril e junho de 1994; e junho de 2004.