José de Alencar: o alvorecer da existência

O cearense José Martiniano de Alencar, nasceu em Mecejana, “um dos bairros mais antigos e importantes de Fortaleza”, no dia 1º de maio de 1829 e faleceu no dia 12 de dezembro de 1877, no Rio de Janeiro (RJ), aos 48 anos, vítima de tuberculose. Alencar foi um dos maiores escritores do romantismo brasileiro de todos os tempos. Sei pai, José Martiniano de Alencar, foi padre até se casar com a prima Ana Josefina, mãe do futuro romancista. “Por amor dela, abandonou o sacerdócio” (1).

Em 1832, seu pai fora eleito senador; em 1834, o político já era presidente da Província do Ceará. Em 1838, o senador foi ao Rio de Janeiro e levou consigo o pequeno José de apenas nove anos. “Essa viagem por terra, pelo interior do Nordeste, do Ceará até Bahia, causando profunda impressão à criança”. Aliás, já adulto, aos 45 anos, o escritor relatou esse fato no livro “O sertanejo”.

Aos 10 anos, o menino já costumava fazer divertidas leituras em voz alta, na sala de espera da sua casa para “familiares e amigos de seus pais”. Isso já demonstrava a sua familiaridade com as letras. Um hábito semelhante ao enraizado no Brasil dos anos 80, quando da “reunião da família, à noite, para assistir a telenovela” (1).

Em 1844, aos 15 anos, foi aprovado para a Faculdade de Direito de São Paulo., lá, “fundou a revista semanal “Ensaios Literários”, onde publica os seus primeiros artigos. Porém, antes de concluir o curso de Direito, em 1848, transfere-se para Olinda (PE), e continua os estudos acadêmicos. Nesse mesmo ano, publica seu primeiro romance: “Os contrabandistas”. Ainda em Olinda, escreve duas obras históricas: “A alma de Lázaro” e “O Ermitão da Glória”.

De volta a São Paulo, termina Direito em 1850. No ano seguinte, “inicia-se na profissão de advogado”, na cidade do Rio. Aí passa a escrever para o Correio Mercantil, sobre diferentes assuntos. Levou tão a sério a atividade paralela à advocacia, que em 1854, estreia como jornalista e faz sucesso. Logo começa a ser crítico literário, intensificando a escrita de seus livros. Por exemplo, “O guarani” fez história. O leitor carioca “seguia comovido e enlevado com os amores tão puros e discretos de Ceci e Peri” (1).

Os seu afazeres tornaram-se intensos: clientes, livros, peças teatrais, redação de jornal, etc. Mas, apesar disso, Alencar “viaja para o Ceará, para continuar a carreira política do pai, que falecera. Eleito como deputado pelo Partido Conservador, começa a carreira política, que há de envolvê-lo, subtraindo-o, embora não totalmente, à literatura” .

Em 1864, se casa com Ana Cochrane, filha de médico inglês, da família do Almirante Cochrane herói da luta pela Independência”. Naquele ano, publica “Diva”, e em três meses, redige os cinco últimos volumes (do total de seis) de “As minas de prata”. No ano seguinte, edita “Iracema”, seu segundo livro mais lido à época. Só perdendo para “O guarani”, que até os dias atuais é um dos mais conhecidos da nossa literatura.

Aos 39 anos, o romancista é nomeado Ministro da Justiça, conciliando a nova atividade com a carreira de escritor. Em 1868, ele publica a íntegra de sua carta, apresentando o poeta Castro Alves a Machado de Assis. Politicamente, queria mais. Em 1869, foi eleito o senador mais votado. “Deixa então o cargo de ministro e volta à política, mas em oposição ao Imperador D. Pedro II que veta seu nome ao Senado” (1). Esse ocorrido põe fim às suas pretensões partidárias, que, “desiludido, se volta – apenas – para a literatura. Tem apenas 41 anos de idade, mas já se sente velho, pois, como romântico autêntico, considera a juventude como o auge da vida” (1).

Em 1875, publica “Senhora” e “O sertanejo”, os últimos em vida. Dois anos depois, ou seja, em 1877, viaja à Europa em tratamento de saúde. Mas, sem bons resultados, volta ao Rio, onde morre em dezembro daquele ano. Ao saber da notícia, Machado de Assis, escreve: “Tinha-lhe afeto, conhecia-o desde o tempo em que ele ria (“do alvorecer da existência”), não me podia acostumar à ideia de que a trivialidade da morte houvesse desfeito esse artista falado para distribuir a vida” (1).

Alencar classificou seus livros em três séries: Aborígine: Iracema e Ubirajara; Colonial: O guarani, As minas de prata; e Moderna, subdividida em Interior: Gaúcho e Til; e Exterior: A pata da gazela, Lucíola, Senhora, etc, cuja produção literária ficou assim: 18 romances, 8 peças de tetro, 4 ensaios críticos e filosóficos e 2 discursos político e jurídico. Números expressivos no mundo literário para a época.

Considerando-se o contexto histórico do Brasil, José de Alencar nasceu no reinado de D. Pedro I e morreu no de Pedro II, entre 1829 e 1877, isto é, foi contemporâneo do Primeiro Reinado, das Regências e do governo pessoal de Pedro II, Quanto ao autor, as suas características são, digamos, “a de um escritor consciente de sua missão“, para quem “a literatura tinha (e tem) uma função social: criar uma consciência nacional”. Por essa ótica, o escritor cearense foi um criador de super-heróis da literatura, quer dizer, o grande marco do amor romântico – do romantismo brasileiro -, diga-se de passagem. Sem sombra de dúvidas, o primeiro romancista de destaque no país, principalmente no Nordeste e Sudeste; um criador de personagens.

O nosso leitor sabe bem que alguns dos livros de José de Alencar continuam sendo reeditados e, portanto, são facilmente encontrados nas livras ou até mesmo na Internet. Fica a critério de cada um, escolher qual deles deve ler, recomendar aos filhos, netos ou aos alunos. Boa leitura!

Notinha útil – Alguns dos nossos leitores mantêm contatos semanalmente com a nossa equipe. Seja para elogiar, sugerir ou até mesmo discordar de alguma publicação. Pelo menos dois desses amigos, são os estudiosos – principalmente nas áreas da literária e da sociológica -, Antônio Carlos Lacerda de Souza, de Lábrea (AM) e Adélcio Lima de Oliveira, de Manaus (AM), aos mesmos dedicamos este artigo. Gratos pela ideia do tema.

Por Angeline e Francisco Gomes e Winnie Barros.

Fonte consultada: 1. Beraldo, José Luiz. “José de Alencar“, in Literatura Comentada. – SP: Abril Educação, 1980.

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