O Galo da Madrugada

O consagrado carnavalesco Joãosinho Trinta (1933-2011), foi preciso ao dizer: “O desfile das escolas de samba é o grande momento da verdadeira comunicação do povo brasileiro”. Ele fala, é logico, sobre o nosso carnaval. Da manifestação popular cultural da nossa gente, que corre nesta época, de Norte a Sul do país. Não importa se a folia e seus foliões são de Salvador, Manaus, São Paulo, Recife, Rio de Janeiro, etc. É carnaval.

No ano passado, 2025, o Facetas fez uma pesquisa do carnaval das antigas, ou seja, das décadas de 50, 60 e 70. O nosso artigo foi muito bem aceito, com bastante acessos. Este ano, porém, o nosso tema é mais palpitante ainda. Trata-se, portanto, do GALO DA MADRUGADA, considerado o maior bloco de carnaval do Brasil, cuja concentração ocorre no centro histórico do Recife (PE).

“O Clube das Máscaras O GALO DA MADRUGADA foi fundado oficialmente em 23 de janeiro de 1978” e desde então, há quase meio século, ano após ano a adesão popular é cada vez maior. Tanto as autoridades de Estado, artistas, turistas, como anônimos, ocupam o mesmo espaço igualmente. O Galo… é um fenômeno e se agiganta sempre. Por tudo isso, e muito mais, é mérito ser patrimônio cultural das tradições populares brasileiras.

Por exemplo, o disco (LP) “O GALO DA MADRUGADA”, lançado em 1991, contém 10 músicas cantadas por Alceu Valença, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Amelinha, Nando Cordel, Bubuska, André Rio, Gustavo Travassos e Mestre Duda e Orquestra. É uma obra-prima, um registro histórico do gênero há 35 anos. No encarte, com as letras das composições, consta este lembrete: “E o Galo promove, além do seu desfile de sábado, as prévias: Baile do Galo, Desfile de Fantasias de Papel e Baile dos Estandartes” (1).

Segundo a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (FUNDARPE), o disco em questão, “é uma coletânea das músicas (Hino do Galo, Frevo do Galo, Galo de Ouro, o Canto do Galo, entre outras) que cantam o Galo, produzidas pela modernidade de Carlos Fernando, interpretadas por Alceus, Elbas, Amelinhas, Geraldos, Nandos, Andrés, Gustavos, Bubuskas e Dudas que somos nós, amantes do frevo e da riqueza do carnaval pernambucano” (1).

Ainda sobre a origem do Galo, diz a Fundação de Cultura CIDADE DO RECIFE, vinculada à Secretaria de Educação e Cultura, que o bloco surgiu “da intenção de reviver o carnaval de rua, nostálgico, partido do Recife Antigo e caminhando pelas suas ruas centrais, Enéas Freire uniu sua família e seus amigos para criar um Galo que brilhasse e cantasse na madrugada de sábado de Zé Pereira, em 1978.

Esse Galo que encantou – e encanta cada vez mais -, saiu da Rua Padre Floriano, número 43, no bairro de São José, no centro do Recife, em nome da alegria. E vai cantando a folia de, pelo menos, 1.000.000 (um milhão) de pessoas (à época), onde está o Estandarte do “CLUBE DAS MÁSCARAS GALO DA MADRUGADA”, partindo (hoje) nas manhãs do eterno sábado de carnaval, conduzindo os corações atrás de frevo e folia” (1).

Em 1991, o então deputado federal pernambucano, e ex-ministro de Estado, Gustavo Krause (hoje com 79 anos idade), autor, em parceria com Luís Bandeira, de Fogo do Galo, um dos sucessos daquele ano, na voz de Bubuska (grande cantor e primo de Alceu Valença), publicou a seguinte declaração sobre a folia e os foliões embalados pelo seu apaixonante Galo da Madrugada:

“A minha vida é regida por dois calendários. Um é o tradicional calendário gregoriano que me faz cantar os dias no ritual do envelhecer. O outro é um calendário sentimental que me faz dividir o ano em dois tempos: o antes e o depois do Galo da Madrugada, que se fundem magicamente na mesma contagem regressiva. São trezentos e sessenta e quatro dias de uma saudade em bloco. A saudade do que foi e a saudade do que está para ser. É assim a minha longa espera para a chegada do fugaz sábado de Zé Pereira. E que, quando chega, mistura uma santa devoção à mais profana liturgia sabática deste país carnavalizado: O Galo da Madrugada. Entro de alma lavada e lata cheia na mais “ofegante epidemia” da epidemia chamada carnaval. Meto a cara na minha cara sem a (mas) cara das convenções. Enxergo na palavra de ordem – escrita no pentagrama – Ei Pessoal! Vem Moçada – as cores da alegria. Mastigo poeira e sol. Bebo suores. E embriagado de folia, sou sábado. Sou Galo. Sou Fantasia. EVOÉ!” (1).

Ontem, por exemplo, foi exibido pela mídia nacional, o emocionante show que aconteceu no Marco Zero, no centro histórico do Recife, com centenas de milhares de pessoas cantando com João Gomes, Mestrinho, Jotapê e participação de Vanessa da Mata. Isso foi, sem dúvida, uma prévia de que o GALO DA MADRUGADA, mais uma vez, será apoteótico este ano. Quando então, a ponte Duarte Coelho, fincada sobre o rio Capiberibe, ligando as avenidas Conde da Boa Vista à Guararapes, onde há de prevalecer, entre todos brincantes, além da alegria, a paz e harmonia. Violência, never !

Notinha útil – Àquele (a) que, ao sair de casa, vai ingerir bebida alcoólica, não dirija veículo automotor. Preserve a vida, tanto a sua quanto a das demais pessoas. A vida também é foliã e pede passagem, seja antes, durante ou depois do carnaval.

Por Angeline e Francisco Gomes e Winnie Barros.

Fontes consultadas: 1. LP coletivo “O Galo da Madrugada”, gravado na Estação do Som (Recife) e no Deck Estúdio (Rio), Recife-PE, 1991; 2. Foto da capa do LP, pintura de Sônia Malta e foto do estandarte oficial do Galo.

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