Esperança: “a menininha de olhos verdes”

Eu e a Angeline estamos no Norte do Brasil, mas precisamente em Manaus (AM), e a Winnie, no Nordeste, ou seja, no Recife (PE). Mas, as palavras que formam esta mensagem de final de ano, vem de alguém muito especial que nasceu em Alegreto (RS), do poeta Mário Quintana (1906-1994). Foram dois poemas selecionados para este artigo, cuja publicação foi antecipada em dois para que os nossos leitores possam analisar melhor o seu conteúdo, é só correr ou pouquinho menos com os afazeres da vida material.

CANÇÃO DO PRIMEIRO DO ANO

“Anjos varriam morcegos/Até jogá-los no mar.

Outros pintavam de azul,/De azul e de verde-mar,/Vassouras de feiticeiras,/Desbotadas tabuletas,/Velhos letreiros de bar.

Era uma carta amorosa?/Ou uma rosa que abrira?/Mas a mão correra ansiosa/ – Ó sinos, mais devagar!-/À janela azul e rosa,/Abrindo-a de par em par.

Ó banho de luz, tão puro,/Na paisagem familiar:/Meu chão, meu poste, meu muro,/Meu telhado e a minha nuvem,/Tudo bem no seu lugar.

E os sinos dançam no ar./De casa a casa, os beirais,/ – Para lá e para cá -/Trocam recados de asas,/Riscando sustos no ar,

Silêncios. Sinos. Apelos. Sinos./E sinos. Sinos. E sinos. Sinos/Pregoeiros. Sinos. Risadas. sinos./E levada pelos sinos, toda ventando de sinos, Dança a cidade no ar!” (1).

A seguir, por sugestão de Angeline, segundo ela “desde que vi alguém recitando esse poema, nunca mais o esqueci. Por isso, vala a pena compartilhar com quem ainda não o conhece”.

“Lá bem do alto do décimo segundo andar do Ano/Vive uma louca chamada Esperança/E ela pensa que quando todas as sirenas/Todas as buzinas/Todos os reco-recos tocarem/Atira-se/E/ – ó deliciosos voo! – Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,/Outra vez criança…/E em torno dela indagará o povo/ – Como é o tem nome, menininha de olhos verdes?/E ela lhes dirá/ (É preciso dizer-lhe tudo de novo!)/Ela lhes dirá bem devagarinho para que não esqueçam:/ – O meu nome é ES – PE – RAN – ÇA…” (2).

Os meses do ano tiveram origem no calendário romano, e de início, eram apenas dez, isto é, de março a dezembro. Os meses de janeiro e fevereiro foram adicionados mais tarde aos demais, e seus noves estão relacionados aos deuses Janus, de duas faces e Februs, quer quer dizer purificação, respectivamente.

O deus Janus tinha um rosto na frente da cabeça e outros atrás. Com o rosto da frente ele via o presente, ou seja, o ano que começava. Com os olhos de trás, via o passada, quer dizer, o ano que acabara. Por isso, o nome desse deus da mitologia romana, foi usado para batizar o mês de janeiro que abre o calendário anual,

Que venha, portanto, o ano de 2021! Que velha janeiro, que se iniciará amanhã! Que ambos tragam novos olhares, novos viveres, novos horizontes para toda a humanidade. E que, essa menininha de olhos verdes chamada hope, speranza, espérer, esperanza, esperança, independentemente de qual sejam a pátria, a língua, o povo, e o continente, possa, nos fazer novamente, estampar no rosto de cara limpa, um largo sorriso, declamar versos de amor nas praças, nas escolas, nas Universidades, nos lares principalmente, ouvir e cantar uma bela canção nos shows em carne e osso, orar, rezar, acreditar, nos lugares sacros de sempre e, tudo isso e muito mais possa contagiar a todos os seres humanos, mas, o contágio da FÉ, da PAZ e da ESPERANÇA. Parafraseando o poeta amazonense Chico da Silva, que o amor esteja no ar, não os males que grassar sobre a Terra, sobre o mar.

Só mais uma coisita: Não podemos deixar de ler e reler estas palavras do velho pensador alemão, mas, jamais ultrapassado Bertolt Brechet (1898-1956), o qual nos conclama – no plural -, a desconfiar das coisas que querem nos acomodar, desistir, silenciar; não, não. Vamos lutar pela manutenção da vida:

“Nós vos pedimos com insistência: não digam nunca: isso é natural! Diante dos acontecimentos de cada dia, numa época em reina a confusão, em que corre sangue, em que o arbitrário ter força de lei, em que a humanidade se desumaniza, não digam nunca: isso é natural! Para que nada passe a ser imutável!”.

A todos os povos. Ao mundo, almejamos PAZ, ESPERENÇA nesse ano de 2021 que está chegando. São os ilimitados desejos de nossa equipe do Facetas: Angeline, Francisco e Winnie.

Fontes: 1) Quintana, Mário. Poesia Completa. Vol. Ún./Org. Tânia Franco Carvalhal – RJ: N. Fronteira, 2005; 2) http://www.pensador.com

2 comentários em “Esperança: “a menininha de olhos verdes”

Deixe uma resposta para Anônimo Cancelar resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s