Este o quinto artigo consecutivo publicamos sobre o nosso tour cultural realizado por nossa equipe, no mês passado, na cidade de Recife (PE). Hoje a nossa abordagem diz respeito ao surpreendente MEPE – Museu do Estado de Pernambuco.

O MEPE está situado na Avenida Rui Barbosa, nº 960, bairro das Graças, Zona Norte da capital. O edifício é um palacete construído no século XIX, muito bem conservado, diga-se de passagem. Além do amplo estacionamento, cujas vagas ficam sob a sombra de muitas árvores – algumas com mais de 100 anos de existência. No todo, o espaço ali ocupado, não remete ao visitante, apenas a ideia de História e de Cultura, mas, acima de tudo, um lugar harmoniosamente ecológico de ambiente familiar. Belíssimo! Agradabilíssimo!
O princípio de criação de museu surgiu em 1929, por meio do Ato nº 240, ou seja, uma “Lei pioneira no Nordeste e no Brasil”. Com a edição dessa norma, foi criada a Inspetoria Estadual de Monumentos Nacionais e um Museu Histórico e de Arte Antiga, a ela subordinado. Dado esse primeiro passo, só faltava, agora, o governo do Estado instalar essa pioneira entidade regional. Instituído por lei estadual em 1930, com a criação de um museu histórico e de arte, localizado na cúpula do Palácio da Justiça, na Praça da República, no centro de Recife, com telas do pintor pernambucano Telles Jr (1815-1914).

“Em 1933, é extinto e seu acervo permanece sob a guarda da Biblioteca Pública do Estado até 1940, quando um outro decreto recria a instituição. O Museu do Estado de Pernambuco – o MEPE, como é conhecido – é inaugurado em novas instalações, em um casarão em Ponte D’Uchoa, onde funciona até hoje como unidade da Secretaria de Cultura de PE”. Nas décadas de 40 a 60, foram realizados Sação Anual de Pintura e Salão Oficial de Arte; nos anos 70, Salão de Artes Plásticas de PE; no decênio de 1980, Salão de Arte Contemporânea de PE. O que não houve nas décadas seguintes.

O palacete que abriga o Museu em questão, pertenceu à família do Barão de Beberibe e em quase cem anos já passou por várias adaptações: no início do século XX, foi construído um 2º pavimento; em 1951, é incorporado um pavilhão de mil metros quadrados, destinado a eventos, logística e atividades administrativas. “Em 1988, os porões do casarão são reformados e o Museu passa a oferecer ao público duas galerias de exposições temporárias”. Na década de 90 é editado um catálogo após a revisão das obras pertencente a instituição; em 2003 e 2006, o prédio é fechado e passa por reforma para aprimorar as condições técnicas das salas expositivas.

O Museu ocupa uma área de mais de 9 mil metros quadrados, e como já frisamos acima, conta com ótimo estacionamento e belos jardins. Onde estão, por sinal, estão “expostas esculturas e vasos de cerâmica portuguesa. Pela escadaria da entrada principal chega-se ao terraço frontal, onde se encontram estátuas de mármore representando as musas que presidem as artes. No terraço lateral e na área dos fundos, espalham-se canhões das artilharias holandesas e portuguesas”.
Em 1932, chega ao Museu em evidência o conjunto de 28 peças pré-incaicas. Na década seguinte, chega lá a coleção com mais de três mil peças , que leva o nome do arqueólogo e antropólogo brasileiro Carlos Estevão de Oliveira (1916-1946). Assim, vão somando-se novas peças indígenas do Pará, Pernambuco e Ceará, catalogadas no século passado. Por exemplo, “o conjunto de peças religiosas afro-brasileiras apresenta mais de 300 itens”. O acervo conta com uma importante coleção de porcelana chinesa, inglesa e francesa. Entre o mobiliário pernambucano dos séculos XVIII e XIX, como telhas e cofres de madeira dourada.

Ao todo, são mais de 14 mil itens. Os quais estão distribuídos em classificações distintas, como: “Arqueologia, Cultura Indígena, Presença Holandesa, Arte Sacra, Cultura Afro-Brasileira, Ex-Votos, Iconografia, Mobiliário, Porcelana, Cristais, Pintura (telas de Talles Jr, Francisco Brennand e Burle Max)”, entre tantos outros objetos museológico. Inclusive o Espaço Cultural “Cícero Dias” e uma casa onde são realizados cursos e oficinas de artes, em espaços contíguos ao palacete.

Como já foi mencionado, o Museu tem espaço destinado para exposições, como: 1. A 22ª Exposição de Artes do IMIP, realizada em abril de 2023, com 120 obras de artistas estaduais, cuja parceria com o MEPE já existe há 15 anos; 2. Em outubro de 2023, foi a vez da Exposição para celebrar os “50 anos do Movimento Armorial”, com “concerto do Quinteto da Paraíba em homenagem ao seu criador, o escritor Ariano Suassuna (1927-2014), inspirado em elementos da cultura popular, como a Onça Caetana, personagem de mitos sertanejos presentes na obra de Ariano”; e 3. A mais recente exposição: “EVOÉ! É Carnaval em Pernambuco!” aberta a visitação de 26.02.24 até 17.03.2024, quando foram selecionados 32 trabalhos artísticos.

Além fotos nossas – autorizadas pela administração do Museu – nos espaços onde estivemos, não deixamos de nos encantar com os livros. Aliás, “O MEPE conta com uma biblioteca especializada em arte, história, antropologia e ciências correlatas, com um acervo de cerca de 4 mil títulos e 2 mil catálogos de salões e de exposições individuais e coletivos além de recortes de jornais, vídeos, documentos administrativos e impressos publicados pelo Museu”.

Para não nos tornarmos enfadonhos, fiquemos por aqui, com essas melhores informações por nós obtidas sobre o MEPE. Esperamos, assim, que os nossos leitores que ainda não conhecem aquele acervo, aprovem este conteúdo e estas fotos (mais que selecionadas, entre tanas outras). É apenas uma pequena amostra do todo que podemos ver, analisar e registrar.
Notinha útil – Os nossos parabéns vão para a psicóloga, doutora Winnie Barros, fundadora deste Blog e, conosco tem colaborado incansavelmente, nestes quase nove anos (e 457 publicações). Que, no dia 1º de Maio estará aniversariando. Desejamos-lhe, muita saúde e vida longa.
Por Angeline e Francisco Gomes e Winnie Barros.
Fontes: 1. http://www.mapaculturl.pe.gov.br 2. enciclopedia.itaucultural.org.br e 3. fotos autorizadas, perguntas ao museólogo, observações e anotações da equipe do Facetas.
Não me surpreende a qualidade e a calosidade dos antigos do Facetas Culturais. O Nordeste, especialmente o Estado de Pernambuco, possui uma memória histórica e cultural relevante para o Brasil.
A toda a equipe do blog Facetas Culturais o meu agradecimento.
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