Nos anos 1980, o mundo já sabia da existência do regime de segregação racial, o APARTHEID, que ocorria na África do Sul. Imposto por uma minoria branca de origem neerlandesa. Essa prática sórdida surgiu nos anos 40 e se estendeu até 1994.
O ativista negro Nelson Mandela (1918-2013), não silenciava diante daquelas atrocidades contra sua gente e, nos anos 60, como advogado decidiu enfrentar o governo com veemência após o Massacre de Sharpeville, que ocorreu em março de 1960, quando a polícia matou dezenas de manifestantes desarmados. Mandela então, partiu para a luta armada. em movimento antiapartheid.
Em 1962 foi preso. Em 1964, foi julgado e condenado à prisão perpétua. Foi solto depois de 27 anos, em fevereiro de 1990, após forte pressão de muitos países contra o governo sul-africano. Nesses quase 30 anos mantido no presidio, sua esposa Winnie, casados desde 1958, enquanto lutava pela liberdade do marido, concomitantemente, lutava pela libertação do seu povo, das garras do racismo institucional.
Segundo o professor norte-americano, John J, Vail, da Universidade Rutgers, logo após se casarem, Nelson teve nela, sua incansável companheira na luta política. “Winnie revelou-se uma das mais corajosas e admiradas figuras políticas do continente africano. Apesar de hostilizada pela polícia, presa diversas vezes e confinada durante anos a um vilarejo remoto do interior, ela se manteve intransigente no combate ao racismo – virou a “Mãe África”, como éra carinhosamente chamada nos guetos negros sul-africanos” (1)
A sua determinação fê-la dizer esta oração: “A maior honra que um povo pode fazer a um homem atrás das grades é manter acesa a chama da liberdade e continuar a luta” (1). A luta continuou. Após ser liberto, Mandela foi presidente daquele país de 1994 a 1999. O primeiro presidente negro após as primeiras eleições multirracionais como pacificador. São suas estas palavras: “Neste país, qualquer africano que pense é empurrado continuamente para um conflito entre a consciência e a lei” (2).

Para os bôeres, colonos de origem neerlandesa, francesa e alemã, Winnie era a encarnação do “perigo negro”, que precisa ser combatido por todos os meios, mesmo que reconhecessem ser uma mulher inteligente, bela e de grande habilidade política. Nascida na pequena aldeia do Transkei, na costa leste da África do Sul, com o nome tribal de Nonzamo Winifred Zanyiwe Madikizela, que língua xhosa, Nonzamo, quer dizer “aquela que luta”; “que enfrenta provações”; ou em português, “aquela que vai passar por vários julgamentos”, no dia 26 de setembro de 1936, como Winnie Mandela, em Johanesburgo, no dia 2 de abril, aos 81 anos.
“Parte de minha alma” (2), cujas palavras estão repletas de dor, de tristeza, de opressão, de discriminação, por um lado. Por outro, as palavras são compostas de força, de coração, de luta por liberdade/libertação, de vitória, de conquista de direitos humanos, de igualdade racial. “Parte de minha alma foi com ele naquela ocasião”, lembra-se Winnie numa das visitas ao marido – no dia de sua prisão -, no presídio Pollsmoor, na ilha Robben, onde ele “residiu” por praticamente três décadas. “Agora ele só vê o céu. A prisão situa-se num vale – ele teve de ser preso num local onde não pudesse ver as montanhas, nem mesmo talos de grama, só pedra cinzenta; quem teria pensado que ainda existe uma diferença entre o nada e nada?” (2), questionou Winnie.
Notinha útil 1 – E a nossa Winnie, a brasileira? A psicóloga amazonense/pernambucana, atualmente é professora universitária, concursada lá em Nazaré da Mata (PE). Tem esse nome, não por comparação, não. Mas, por admiração àquela. Carismática e dona de um sorriso contagiante, Winnie Barros honra com galhardia esse nome. Desde muito jovem é apaixonada por música e literatura. Leu João Cabral de Melo Neto, Graciliano Ramos, Milton Hatoum, Jostein Gaarder (“O mundo de Sofia”), Milan Kondera (“A insustentável leveza do ser”); sempre ri com Zé Lezin e Ariano Suassuna; lê Clarice Lispector, Adélia Prado; conhece bem o mundo de poético de Florbela Espanca, de Drummond, de Jessier Quirino; por ofício e por amadurecimento do conhecimento, é uma estudiosa nata das teorias de Freud. A música é outra arte na sua vida. Vai de Djavan a João Gomes; de Duda Beat a Dominguinhos; de Marisa Monte a Zé Ramalho; de Alceu Valença e Zé Geraldo a Elba Ramalho, etc. Quando tem um tempinho afora aos seus afazeres profissionais e maternais, visitas os museus pernambucanos, e ainda contempla a linha do horizonte do Marco Zero, passando por livrarias e sebos. É muito culta, mas sem “perder a ternura”. Gente, este blog por ela criado há mais de 10 anos, tem publicado belas crônicas, poesias e artigos com a sua assinatura. Hoje, portanto, eu e Angeline parabenizamos Winnie Barros. É o aniversário dela neste 1º de Maio, à mesma desejamos muita saúde e vida longa. E que, sempre seja essa pessoa: talentosa, sorridente e humilde (www.facetasculturais.com.br).

Notinha útil 2 – Lá em Camocim de São Félix, distante 120 km de capital Recife, a aniversariante nesta data, é a conhecida pela comunidade, egressa das famílias Aparecida Xavier e Barros, carinhosamente chamada de Cida, a pedagoga, doutora e professora concursada do IFPB. Seu currículo como educadora é vasto. Assim como vasto o seu domínio sobre os ensinamentos de mestre Paulo Freire, por exemplo. À citada professora, o Facetas deseja Feliz Aniversário! (www.facetasculturais.com.br).

Notinha útil 3 – O hoje, 1º de Maio é comemorado em mais de 150 países mundo afora, como Dia Internacional das Trabalhadoras e dos Trabalhadores, e teve origem nos EUA em 1886. A todos que labutam dia a dia, dedicamos o poema “Perguntas de um trabalhador que lê”, do poeta alemão Bertold Brecht; e estes verso de “Guerreiro Menino”, de Gonzaguinha: “Um homem se humilha/Se castram seus sonhos/Seu sonho é sua vida/E vida é trabalho/E sem o seu trabalho/O homem não tem honra/E sem a sua honra/Se morre, se mata”.
Por Angeline Gomes e Francisco Gomes.
Fontes consultadas: 1. Winnie e Nelson Mandela (Col. Os grandes líderes), SP: Nova Cultural, 1988; 2. Mandela, Winnie. Parte de minha alma. SP: Círculo do Livro – 3º trimestre, 1988.