“A arte da música” – 2

Na semana passada, publicamos “breve história da música” na Era da Antiguidade. Hoje, portanto, vamos nos reportar sobre a evolução musical na Idade Média. Conteúdo esse dividido em três itens:

1 – MELODIA: UM INSTRUMENTO DE FÉ. Nos dias atuais, o mundo da música tem na melodia, um dos seus elementos fundamentais. Mas, nem sempre foi assim, é claro. Por exemplo, na Idade Média, “o cristianismo mostrou ao homem um mundo interior que ele desconhecia e essa revelação transformou a sua visão de si mesmo, bem como a sua posição face às coisas” (1).

Por essa razão (modo de ser), os primeiros cristãos desenvolveram sua própria arte com o objetivo de exteriorizar não somente sensações, mas sentimentos de integração religiosa. Essa ideia foi a causa de origem da monodia cristã. Os Hinos e Cânticos da nova concepção musical inspiram-se nos Salmos da Bíblia.

“Aos poucos, formaram-se artistas profissionais que aperfeiçoaram o canto das melodias. A princípio, dividiram o texto em sílabas, atribuindo apenas um som a cada uma delas. Mais tarde, por influência da música oriental, as sílabas, já reuniam vários sons, enriquecendo-se com um ornamento vocal” (1).

Os grandes centros da Igreja, como Bizâncio, Roma, Antioquia e Jerusalém, eram as referências da música, cada qual com sua liturgia musical particular. Nos idos do século IV, em Milão, Santo Ambrósio criou um estilo que tomou o seu nome – ambrosiano. Três séculos depois, surge na Espanha o estilo moçárabe, com Santo Isidoro.

Porém, foi em Roma, que se estabeleceram os padrões que deram ao canto litúrgico da Igreja Romana uma forma fixa. Quem os organizou foi o fundador da Schola Cantorum, Papa Gregório Magno – o que explica o nome de Canto Gregoriano com o qual se tornou conhecido esse gênero musical.

2 – “ARS ANTIQUA” – ANTIGA SÒ NO NOME. Ao longo dos séculos seguintes, o canto se modificou. No século XIII, certos contracantos clandestinos se infiltraram na melodia tradicional, subvertendo a liturgia musical religiosa vigente. Tanto a erudita como as canções populares dos aldeões. Era a chamada “música profana”, ou seja, aquela livre da rigidez litúrgica, que podia reunir várias melodias no mesmo canto. “E o povo ajudado pelos trabalhadores, acabaria impondo sua fusão com o canto tradicional” (1).

Apesar de todos os avanços no campo musical durante esse Período, a História o registrou como arte antiga. Na verdade, ao fim do século (XIII) a música já era uma arte nova. Parte desse progresso, no entanto, deve ser atribuída ao Mestre Leoninus, que trabalhou, inclusive, na Catedral de Notre-Dame, em Paris. Outros compositores também deram “vida” à música como o monge Guido D’Arezzo (995 – 1050) que adotou uma pauta de 4 linhas e definiu as claves de e para registras a altura dos sons. Ele também deu nome às notas, tirando as sílabas iniciais de um Hino a São João Batista.

3 – A NOVIDADE DA “ARS NOVA”. “Quando nasceu, na França, a polifonia erudita consistia numa forma bastante simples de tirar efeito de um som contra outro – o contraponto – facilitou a criação de novas formas vocais. Era uma música diferente que se articulava. Receberia o nome de Ars Nova. Seu grande teórico foi o Bispo Filipe de Vitry.”

“Sem poder competir com as inovações da música profana, o canto católico se encerrou nas igrejas. Esse recolhimento não o prejudicou: ao contrário, foi a partir de então que ele se desenvolveu numa forma de expressão litúrgica, A Missa. Graças a ela, ganhariam evidências os organistas e mestres de capela. E ganhou celebridade o compositor Guillaume de Machaut (1310-1377), poeta e criador de cantigas e baladas profanas, Machaut escreveu a Missa da Sagração, que é considerada até hoje uma obra-prima” (1). Outros compositores famosos dessa fase foram Jacopo da Bologna, Francesco Landino, Giovanni da Cáscia entre outros.

Interessante, não é mesmo, senhores leitores? No próximo artigo, vamos abordar o mesmo tema, mas nos Períodos da Renascença e do Barroco. Até lá.

Por Angeline e F. Gomes e Winnie Barros.

Fonte consultada: 1. Fascículo 1 da Coleção “Grandes Compositores da Música Universal” – SP: Abril Cultural, 1969.

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