“A arte da música”

No final dos anos 60 e início dos 70, o jornalista Victor Civita, do Grupo Abril, lançou em LPs a Coleção “Grandes Compositores da Música Universal”. Para cada disco, num total de 60, que chegava às bancas de revistas e jornais, junto vinha um fascículo em formato livreto. Um deles, por exemplo, aborda os seguintes temas: a linguagem musical, sua história, uma orquestra sinfônica e os instrumentos.

Assim, Civita apresenta o seu projeto: “A música permanece uma das mais sublimes criações da humanidade. Linguagem que ultrapassa os limites da palavra, é expressão de sentimentos e emoções. Alegria ou tristeza, jocosa ou grave, acompanhada de vários estados de espírito, “falando” de vida e de morte, da saudade e de esperança, de amor e de solidão. Ou é pura construção tecida com sons ou intervalos, que ganha sentido próprio e conquista seu espaço de existência enquanto objeto de arte. Uma lenda dos antigos gregos conta que Orfeu conseguia com a música extasiar os homens e aplacar a fúria de animais. E filósofos – também na Grécia Antiga – viam nela a manifestação da harmonia que rege o movimento dos astros e sustentar o equilíbrio do cosmo.

Trabalha pelo talento dos grandes compositores, a música se eleva às maiores altitudes. E não é apenas entretenimento, deleite, convite ao devaneio: é também crescimento espiritual, enriquecimento espiritual, enriquecimento da sensibilidade. Por isso é com orgulho e satisfação que editamos MESTRES DA MÚSICA – obras que oferece caminhos convergentes rumo ao reino maravilhoso da arte musical” (1).

De posse desse material, temos conteúdos para vários artigos a serem publicados pelo Facetas, mesmo que não seja sequenciados. Na análise da BREVE HISTÓRIA DA MÚSICA, tudo teve início originalmente na Antiguidade, com a pergunta: Quando nasceu a música? Mas, sem vestígio das suas primeiras manifestações, “é praticamente impossível responder tal questionamento.”.

“Alguns estudiosos nem tentam; outros enfrentam o problema com base naquilo que se sabe sobre a vida humana na Pré-história e preenche as lacunas com certa dose de imaginação. Mas nenhuma hipótese diz com exatidão o momento em que os primitivos começaram a fazer arte com os sons”. (1).

Sabe-se que o homem das cavernas dava à sua música um sentido religioso. Por sê-la um presente dos deuses e atribui-lhe funções mágicas. “Associada à dança, ela assumia um caráter de ritual, pela qual as tribos reverenciavam o Desconhecido, agradecendo-lhe a abundância da caça, a fertilidade da terra e dos homens”.

Primeiro surge o ritmo com a batida das mãos e dos pés; depois passaram a ritmar suas ,danças com pancadas na madeira de forma diferente. Surge, assim, o instrumento de percussão. É desse tempo, o imitar do sopro do vento, do ruído das águas, do canto dos pássaros. Porém, ainda não havia instrumento melódico. Esse estágio resistiu a séculos.

1 – Os primeiros elementos. A noção de música que se tem hoje, não é nova. Os antigos “já se aproximaram dela descobrindo os elementos musicais e ordenando-os de maneira sistematizada”. No início, a música vocal; depois, o reforço das palavras. Os semitas, por exemplo, cultivaram a expressão musical, tornando-a bastante elaborada. Os que habitavam na Arábia, principalmente, distinguiram-se pela criatividade. “Dominavam diferentes escalas”. Tocavam para dançar. Aí, teria surgido a “Suíte de Danças”, um gênero que sobrevive ainda hoje.

“A Bíblia mostra que também os judeus tinham a música como hábito. Davi fala sobre ela nos “Salmos”, além de outros referências, Na China, a música era a peculiar. Pois eles usavam 84 escalas, enquanto que o Ocidente dispunha de apenas 24. Isso dois séculos Antes de Cristo, cuja influência se estendia no Japão, na Birmânia, na Tailândia e em Java”.

2 – A lira e a lírica na Grécia. Foram então, os gregos que estabeleceram as bases para a cultura musical do Ocidente. “A própria palavra música nasceu na Grécia onde “mousikê” significava “a arte das musas“, abrangendo também a poesia e a dança. A lírica era um gênero poético, cujo traço era derivado da lira, como criação integral do espírito, como um meio de alcançar a perfeição, numa escala de quatro sons: o Tetracórdio” (1).

3 – Em Roma, a arte da cópia. Com a conquista da Grécia, os romanos passaram a ter ciência, arte e refinamento, ou seja, trataram de copiá-los com capricho. Mas não foram muito além desse trabalho de divulgação. Particularmente no caso da música, pouco foi acrescentado. Destacou-se, contudo, pela invenção de alguns instrumentos como a Tíbia (uma espécie de gaita-de-fole), a Tuba (precursora do trombone) e o um órgão primitivo (pesquisadores afirmam que o egípcio Ctesíbio já havia criado um aparelho do mesmo tipo dois ou três séculos antes da Era Cristã..

No próximo artigo, a BREVE HISTÓRIA DA MÚSICA, terá como tema “A Idade Média.

Por Angeline e F. Gomes e Winnie Barros, com colaboração de Priscila Gomes.

Fonte pesquisada: 1. Fascículo 1 da Col, “Grandes compositores da música universal”. – SP: Abril Cultural, 1969.

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