16o Tour Cultural do Facetas

Olá leitores! Hoje, o nosso tour terá a presença de duas mulheres da literatura brasileira. Elas nos fazem refletir sobre a vida, a sociedade e o comportamento humano. Espero que vocês gostem.

Documentário: Zélia, memórias de amor

Há algumas semanas assisti ao documentário sobre Zélia Gattai, escritora, memorialista, fotógrafa, e esposa por 56 anos do escritor Jorge Amado. O filme documentário (2017) foi produzido, roteirizado e editado por Carla Laudari. A obra conta sobre a vida de Zélia, é narrado como se fosse Zélia compartilhando suas memórias, e as fotografias constroem o pano de fundo durante a narração. Adivinha quem é narradora? Cecília Amado, neta de Zélia e Jorge. Clica aqui para assistir ao trailer https://www.adorocinema.com/filmes/filme-260389/trailer-19557535/

Esse documentário “me pegou” desde o início, com a narração delicada de Cecília. A experiência ao assistir foi como um áudio livro, mas com imagens. Vocês sabiam que Zélia escreveu seu primeiro livro aos 63 anos? Pois é, desde então, continuou sua jornada como escritora e foi a sexta ocupante da cadeira no 23 da Academia Brasileira de Letras. Foi eleita em 7 de dezembro de 2001, na sucessão de Jorge Amado e procedida por Eduardo Portela. Sua principal obra, memórias de infância com sua família de imigrantes italianos no Brasil, intitulada “Anarquistas, graças a Deus”. Inclusive, a Globo fez uma minissérie e encontrei no site Dailymontion https://www.dailymotion.com/video/x86zdwg

Zélia fala sobre como começou a escrever. Fonte: Fundação Casa de Jorge Amado.

Como assistir ao documentário? Esse é um pequeno problema, eu consegui assistir no canal Curta, disponível nos canais de assinatura. Mas, para quem tem interesse, encontrei no site Tamanduá, existe a opção de alugar por R$ 4,90 para ter acesso ao documentário. O site é https://tamandua.tv.br/filme/?name=zelia_memorias_de_amor. Para quem tem canal de assinatura, o documentário será reprisado no Canal Curta em setembro, nos dias 01 (às 22h), 02 (às 2h e 16h), 03 (às 14h), 04 (às 20h35) e 05 (às 10h).

Para ler mais sobre a vida e obra de Zélia, recomendo site da Academia Brasileira de Letras https://www.academia.org.br/academicos/zelia-gattai/biografia

Quarto de despejo: diário de uma favelada, por Carolina Maria de Jesus

Negra e pobre, Carolina escrevia diários nos cadernos e papéis que encontrava quando catava papel. Moradora da favela do Canindé, em São Paulo. Ficou conhecida com a publicação de sua obra “Quarto de Despejo”. Ouvi a obra inteira de Carolina, é uma obra que mexe com nossas emoções, pois ela relata a vida como catadora, os momentos de fome, o comportamento social da favela, suas dificuldades emocionais (beirando momentos depressivos), enfim, é um retrato atual da nossa sociedade brasileira. Os diários dessa obra relataram o período de 1955 a 1960. Confiram esse trecho:

“As oito e meia da noite eu já estava na favela respirando o odor dos excrementos que mescla com o barro podre. Quando estou na cidade tenho a impressão que estou na sala de visita com seus lustres de cristais, seus tapetes de viludos, almofadas de sitim. E quando estou na favela tenho a impressão que sou um objeto fora de uso, digno de estar num quarto de despejo”.

A obra ficou famosa no período de sua publicação nos anos 60, mas Carolina ficou no esquecimento e retomou ao conhecimento do público de 2020 para cá. Ela ainda escreveu outras obras: “Casa de Alvenaria: Diário de uma Ex-favelada” (1961), “Pedaços da Fome” (1963) e “Provérbios” (1965). Como Carolina foi conhecida? “Em 1958, o repórter do jornal Folha da Noite, Audálio Dantas, foi designado para fazer uma reportagem sobre a favela do Canindé e, por acaso, uma das casas visitadas foi a de Carolina Maria de Jesus” (Fonte: E-biografia).

Reportagem sobre a vida e obra de Carolina. Fonte: TV Brasil.

Confiram outra passagem do livro:

“Eu hoje estou triste. Estou nervosa. Não sei se choro ou saio correndo sem parar até cair inconciente. É que hoje amanheceu chovendo. E eu não saí para arranjar dinheiro. Passei o dia escrevendo. Sobrou macarrão, eu vou esquentar para os meninos. Cosinhei as batatas, eles comeram. Tem uns metais e um pouco de ferro que eu vou vender no Seu Manuel. Quando o João chegou da escola eu mandei ele vender os ferros. Recebeu 13 cruzeiros. Comprou um copo de agua mineral, 2 cruzeiros. Zanguei com ele. Onde já se viu favelado com estas finezas?
…Os meninos come muito pão. Eles gostam de pão mole. Mas quando não tem eles comem pão duro.
Duro é o pão que nós comemos. Dura é a cama que dormimos. Dura é a vida do favelado”.

Ler Carolina é conhecer o Brasil do passado e do presente. É uma leitura indispensável, é necessária. Ah, como conhecemos tão pouco da nossa realidade brasileira.

Entrevista com Vera Eunice, filha de Carolina. Fonte: Rede TVT

Para ler a obra completa: http://dpid.cidadaopg.sp.gov.br/pde/arquivos/1623677495235~Quarto%20de%20Despejo%20-%20Maria%20Carolina%20de%20Jesus.pdf.pdf

Hoje, o post encerra com duas mulheres brasileiras que contam sobre a vida, a sociedade brasileira e sobre si. Até o próximo Tour Cultural.

Winnie, Angel e Gomes.

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