Lima Barreto e sua escrita sociológica

Olá leitores! Hoje vamos falar, de forma breve, sobre a vida e obra de Lima Barreto.

Bem, lembro que aprendi algo sobre Lima Barreto na escola, mas não tenho muitas lembranças. Os anos passaram e nunca tinha lido nenhuma obra dele. Eis que descobri um livro que relata sobre uma pessoa que passou um período no hospital psiquiátrico, anos 20, no Rio de Janeiro. Então, descobri que a obra era de Lima Barreto. Fiquei tão curiosa para conhecer mais sobre o autor, então fui pesquisar, ler, e irei compartilhar alguns conhecimentos com vocês.

Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu em 13 de maio de 1881, filho do tipógrafo João Henriques de Lima Barreto e da professora Amália Augusta Barreto. Quando tinha 7 anos de idade sua mãe faleceu de tuberculose.

Lima Barreto completou o ensino ginasial no Colégio Pedro II e iniciou seus estudos em Engenharia na Escola Politécnica. Contudo, para sustentar a família, principalmente com a severidade da doença mental do pai, abandona o curso e inicia sua jornada na escrita.

Em 1902, assume o concurso na Secretaria da Guerra e atua na impressa estudantil. Em 1904, inicia a escrita da obra Clara dos Anjos, mas só foi publicado em 1948. Em 1909, escreve Recordações do escrivão Isaías Caminha e começa a trabalhar como jornalista no Correio da Manhã. De acordo com o Museu Afrobrasil, do Governo do Estado de São Paulo: “A crítica do período, alinhada a uma visão de literatura próxima do academicismo e do culto à forma, recebeu o romance com maus olhos, desferindo as mais diferentes recriminações. Devido à alusão explícita a pessoas da sociedade carioca, atingindo inclusive alguns dos poderosos da imprensa, o maior e mais influente jornal da época O Jornal do Comércio, decidiu fazer silêncio sobre a obra do escritor, impedindo que seu nome aparecesse em suas páginas. Mais tarde, esta decisão levou outros jornais a fazer o mesmo. Um dos poucos críticos a tecer elogios à obra de Barreto neste momento foi José Veríssimo, fato que rendeu inclusive uma visita do autor à casa do crítico, como forma de agradecimento”. 

Em 1911 foi publicado em folhetins o segundo romance, Triste Fim de Policarpo Quaresma. Mas, a obra não despertou atenção da crítica, e precisou fazer empréstimos par publicar a obra em 1915. Inclusive, é umas das obras que aprendemos no ensino médio quando estudamos Lima Barreto.

Infelizmente, Lima Barreto era alcoólatra e foi internado algumas vezes no hospital psiquiátrico. Foi internado em 1914. Após sua saída, escreveu o romance Numa e Ninfa, entre março e julho de 1915. No final de 1918 e início de 1919, foi internado novamente devido a contusões sofridas em decorrência de alucinações alcoólicas. A passagem nos hospitais gerou um documento literário valioso, as obras “Cemitério dos vivos” e “Diário do hospício” (eu recomendo, fortemente, a leitura dessas obras para quem estuda ou trabalha com Psicologia e outros profissionais que atuam na área da saúde mental).

Infelizmente, Lima Barreto em 1922 (no ano da Semana de Arte Moderna de 22), aos 41 anos de idade. Não casou e não teve filhos.

Quando eu li a obra “Diário do hospício”, fiquei impactada com tanta realidade. A obra mistura elementos autobiográficos, mas também elementos ficcionais, pois, Lima Barreto não escreve em primeira pessoa. Essa obra é apenas o esboço, a primeira parte da obra “Cemitério do vivos”. A segunda parte dessa obra, o autor amplia o que foi escrito no esboço do Diário do hospício”. É uma obra inacabada, portanto não há uma conclusão na obra.

A escrita de Lima Barreto é mais do que uma descrição do que ele observava. Minha experiência com os escritos foi de que ele fazia uma análise da sociedade, uma escrita que faz críticas sociais. Quem quiser aprender como era a sociedade carioca no início do século XX, leia Lima Barreto. É claro que há outros autores com esse estilo, como João do Rio. Mas, vale a pena.

Outra leitura que fiz foi “Clara dos Anjos”. Esse livro mexeu comigo, principalmente o final com a fala de Clara para sua mãe: “Mamãe, mamãe, não somos nada”. Segundo a escritora Lilia Moritz Schwarcz, historiadora e antropóloga, Lima Barreto caracterizava a si mesmo como “triste”, e assim, escreveu o livro Lima Barreto, triste visionário, 2017.

Segundo o Portal da Literatura Afro-Brasileira, LiteraAfro, da UFMG, segue a lista das publicações de Lima Barreto:

Obra individual

Recordações do escrivão Isaías Caminha. Lisboa: Clássica Editora, 1909. (romance).

As aventuras do Dr. Bogoloff. Publicação semanal às terças-feiras. Rio de Janeiro: Edição de A. Reis & C., 1912. (narrativas humorísticas).

Triste fim de Policarpo Quaresma. Rio de Janeiro: Tipografia Revista dos Tribunais, 1915. (romance).

Numa e Ninfa. Rio de Janeiro: A Noite, 1915. (romance).

Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá. São Paulo: Revista do Brasil, 1919. (romance).

Histórias e sonhos. Rio de Janeiro: Editora Gianlorenzo Schettino, 1920. (contos).

Publicações Póstumas

Os Bruzundungas. Rio de Janeiro: Jacintho Ribeiro dos Santos Editor, 1922. (sátira).

Bagatelas. Rio de Janeiro: Empresa de Romances Populares, 1923. (crônicas).

Clara dos Anjos. Rio de Janeiro: Mérito, 1948. (romance).

Feiras e Mafuás. São Paulo: Mérito,1953. (artigos e crônicas).

Marginalia: impressões de leitura, mágoas e sonhos do povo. São Paulo: Mérito, 1953. (crônicas).

Três contos: O homem que sabia javanês; Cló; A nova Califórnia. Ilustrações de Claudio Correia de Castro. Rio de Janeiro: Cem Bibliófilos do Brasil, 1955.

Coisas do reino do jambom: sátira e folclore. Prefácio de Olívio Montenegro. São Paulo: Brasiliense, 1956.

Vida Urbana. Prefácio de Antonio Houaiss. São Paulo: Brasiliense, 1956. (artigos e crônicas).

A nova Califórnia e outros contos. Seleção, apresentação e notas de Flávio Moreira da Costa. 2 ed. Rio de Janeiro: Renavan, 1994.

O subterrâneo do Morro do Castelo. 3. ed. Rio de Janeiro: Dantes, 1999. (novela).

Lima Barreto: toda crônica. 2 vol. Organização de Beatriz Resende e Raquel Valença. Rio de Janeiro: Agir, 2005.

Contos reunidos. Organização de Oséias Silas Ferraz. Belo Horizonte: Crisálida, 2005.

Contos completos de Lima Barreto. Organização e introdução de Lilia Moritz Schwarz. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

Não Ficção

O destino da literatura. In: Revista Souza Cruz, outubro-novembro de 1921.

Diário íntimo. São Paulo: Mérito,1953. (memórias).

O cemitério dos vivos. Prefácio de Eugênio Gomes. São Paulo: Brasiliense, 1956. (memórias).

Correspondência. Prefácio de Antonio Noronha Santos. São Paulo: Brasiliense, 1956, 2 vol.

Impressões da Leitura. Prefácio de Manoel Cavalcanti Proença. São Paulo: Brasiliense,1956. (crítica).

Um longo sonho do futuro: diários, cartas, entrevistas e confissões dispersas. Rio de Janeiro: Graphia Editorial, 1993.

Antologias

Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica. Organização de Eduardo de Assis Duarte. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2011, vol. 1, Precursores.

Gente, nós do Facetas, não somos críticos literários, apenas compartilhamos as nossas experiências de uma boa leitura e música. Então, fica a dica para aprender mais sobre um dos escritores brasileiros, Lima Barreto.

Indico a leitura dos textos “7 maiores obras de Lima Barreto explicados”, “Lima Barreto como intérprete do Brasil pós-abolição”, “Lima Barreto e o racismo do nosso tempo”.

Até a próxima.

Winnie, Angel e Gomes.

Fonte: http://www.museuafrobrasil.org.br/pesquisa/hist%C3%B3ria-e-mem%C3%B3ria/historia-e-memoria/2014/07/17/lima-barreto

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