O saber científico brasileiro é grande. O que nos falta para conhecer os grandes feitos de ilustres personalidades nacionais é estudo; é pesquisa. Desde o ensino fundamental à Universidade. Há exceções, é claro. Os nomes de destaque na Ciência estão aí ao alcance de todos. Por exemplo: Paulo Vanzolini não foi somente cantor e compositor. Foi, também, um cientista de renome internacional: um zoólogo brilhante; Bertha Lutz, bióloga; Neuza Frazatti, pesquisadora do Butantã; Josué de Castro e Milton Santos, geógrafos conhecidos mundialmente.
Este ano (2026), o Brasil tem o dever de homenagear os 100 anos de nascimento de Milton de Almeida Santos. Nascido no dia 3 de maio de 1926 em Brotas de Macaúbas (BA) e falecido no dia 24 de junho de 2001, em São Paulo (SP), aos 75 anos. Dono de um currículo grandioso como geógrafo. Também foi escritor, cientista, jornalista, advogado e professor. Tem mais: era negro e neto de escravizados. Porém, a ciência não habita um ser pela sua cor, mas pelo seu talento, sua perspicácia, sua vocação, além de outros atributos.
“Os pais, professores primários, pobres, alfabetizaram o filho, incentivaram a estudar sempre e muito”. Aluno aplicado e crítico. Um “agitador cultural”. Aos 15 anos, dá aulas particulares de Geografia. “Cursou Direito na UFBA. Chegou a advogar em Ilhéus, mas paralelamente leciona Geografia em escolas públicas” (1).
Aos 22 anos, publica seu primeiro livro, O Povoamento da Bahia: Suas Causas Econômicas. Após o golpe de 1964, fica 100 dias presos em Salvador. “Libertado, deixa voluntariamente o Brasil e segue para a França, de onde volta 13 anos depois”. Durante o exílio, leciona na França, Canadá, Venezuela, EUA, trabalha em Dar es Salaam (a maior cidade do país) na Tanzânia.
Segundo o próprio Milton onde esteve no exterior, por mais de uma década, foi obrigado “a cultivar a vivência, a ter forças para viver”. Mas, para tal, graças à brilhante carreira acadêmica, que fê-lo obter “reconhecimento internacional ao dar dimensão humana e social à sua área de estudo, a Geografia” (1).

“Milton Santos foi um intelectual comprometido com o sociedade e com os excluídos. Relacionou o homem com o espaço em que vive. Misturou harmoniosamente as disciplinas para obter visão humanista e filosófica da Geografia, ao analisar as consequências que a economia, antropologia, política, o desenvolvimento urbano, a estrutura agrária e os mais complexos problemas sociais têm na vida cotidiana das pessoas” (1).
A gente analisa os estudos de Milton Santos e logo fica encantado com o todo de sua pesquisa técnico científica. “Essa figura dos mais notáveis do pensamento social na segunda metade do século 20 publicou mais de 40 livros. Os principais, traduzidos para o francês, inglês, espanhol e japonês” (1).
A sua produção bibliográfica “pode ser dividida em três fases. Até o começo dos anos 1960, concentrou-se em estudos regionais, analisando o processo de urbanização da Bahia. Exemplos: Estudos de Geografia da Bahia e O Centro da Cidade de Salvador. Na segunda fase, o pesquisador analisa o Terceiro Mundo, com As Cidades do Terceiro Mundo e Economia e Geografia Urbanas nos Países Subdesenvolvidos. Na terceira fase, teoriza sobre a Geografia em O espaço Dividido e Por Uma Geografia Nova” (!0
Merecidamente não foram poucos os títulos recebidos. Por exemplo, “integrou a Comissão de Justiça e Paz; teve 13 designações de doutor Honoris causa; foi professor emérito da USP; consultor da ONU; e Doutor em Geografia pela Universidade de Strasbourg, na França” (1).
A medida que o tempo passava seu prestígio nos meios acadêmicos aumentava. O reconhecimento máximo, portanto, veio em 1994, quando recebeu, na França, o Vautrin Lud, prêmio de Geografia mundial equivalente ao Nobel. Isso demonstrou a excelência de seus trabalhos sobre o subdesenvolvimento às cidades do Terceiro Mundo, tão em voga à época.
Quando da sua morte em 2001, há exatos 25 anos, esse cientista brasileiro havia “reunido o conhecimento do mundo de seu tempo para pensar as necessidades do Brasil. Assim, ele criou uma nova Geografia. Portanto, foi acima de mais nada, um humanista, que “fez o território falar pela nação e subordinou o estudo do espaço aos interesses do homem” (1).
Outro estudioso da nossa cultura popular, o folclorista Câmara Cascudo, sobre a importância das pesquisas de Nilton Santos, disse: “O melhor produto do Brasil ainda é o brasileiro”. Fica aqui, então, a nossa homenagem ao professor Milton Santos pela passagem dos 100 anos de seu nascimento, e pela sua inegável contribuição à Ciência Universal, cujo texto oferecemos aos nossos leitores.
Por Angeline e Francisco Gomes e Winnie Barros.
Fonte consultada: 1. Almanaque Brasil de Cultura Popular, SP: MKT/TAM, 2005.