“O surgimento da era moderna”

O livro-álbum “Memórias do século XX” tem apenas 160 páginas, mas seu conteúdo é muto rico: são texto e fotos interessantes. O surgimento da era moderna (1900-1914, é o tema central. Porém, os principais fatos ocorridos nesse período mundo afora são abordados. Para este artigo, selecionamos os movimentos literários no Brasil.

“Anos de efervescente energia criativa marcaram o início do século XX, de 1900 até a eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914. Foi uma época de invenções ousadas, quando Santos Dumont realizou o 1º voo documentado da História e Marie Curie isolou o rádio. Artistas como Matisse e Picasso fizeram uma verdadeira revolução nas artes, ofuscando os contemporâneos com usos inusitados da cor, com novas estranhas formas cubistas e com as orimeiras experiências da arte abstrata. Henry Ford levou até as massas o transporte motorizado como Modelo T, enquanto os socialistas lutavam pelos direitos dos operários e as sufragistas batalhavam pela conquista do voto feminino. Nessa era de pompa imperialista, muitas potencias europeias controlavam quase todo o globo. No entanto, nesse imponente “bloco” já surgiam fissuras. Em 1905, a Rússia enfrentou uma revolução interna e sofreu derrota pelas mãos dos japoneses. Na Europa, os Balcãs entraram em ebulição, enquanto a Alemanha se tornou rica e poderosa. O velho equilíbrio do poder oscilava e, no fim, terminaria por entrar em colapso no limiar da guerra” (1).

Assim sendo, “Memórias do século XX traça um vasto panorama histórico, político e social do século passado. As guerras que dividiram o mundo moderno, as revoluções que reescreveram a História, as descobertas que revolucionaram o mundo… cem anos de glórias e conquistas presentes nesta fascinante obra de referências” (1).

A obra em questão abrange “as invenções que revolucionaram o modo de vida das sociedades: dos transportes da tração animal aos foguetes; dos primeiros telefones à criação da internet. Reviva os modismos e as transformações nas artes e na literatura” (1). Só em folhear o manual a gente se deslumbra com um dos séculos mais importantes da História, da qual todos fazemos parte, direta ou indiretamente.

Vamos então, às letras no Brasil da primeira década daquele período: “A literatura brasileira da virada do século e início da era republicana sofreu grande influência do realismo, do naturalismo e do parnasianismo – novas correntes literárias que se consolidavam na Europa. Esses movimentos se opunham ao romantismo, baseando-se na objetividade do cientificismo. Os autores realistas retratavam a sociedade de maneira crítica por meio de análises psicológicas e da criação de personagens e situações que não fugissem à realidade. Os naturalistas, que chegaram ao ponto máximo do idealismo, e escreviam romances e contos nos quais enredo e personagens eram definidos exclusivamente por “leis naturais”, herança genética e ambiente social. Já o parnasianismo dizia respeito à poesia da época, que também se opunha ao subjetivismo e ao descuido formal romântico.

No Brasil, grandes autores se consagraram seguindo as diferentes escolas. Olavo Bilac, autor de Via Láctea (1888), desatacou-se entre os poetas parnasianos, ao passo que Aluísio de Azevedo figurou entre os grandes expoentes do naturalismo, com obras como O Mulato (1881) e O Cortiço (1890). Machado de Assis, considerado um gênio literário, é o principal autor realista brasileiro, o seu livro Dom Casmurro (1899) é um símbolo do realismo e uma das obras mais representativas da literatura brasileira. Com um humor velado Machado de Assis expõe e analisa as camadas mais profundas da psicologia humana e da sociedade da época por meio dos dois personagens principais: Bentinho e Capitu. Machado escreveu outras importantes obras realistas, como Memórias Póstumas de Brás de Cubas (181). Quincas Borbas (1891). Esaú e Jacó (1994) e Memorial de Aires (1908). Outros autores penetraram ainda mais na crítica à sociedade brasileira, como Lima Barreto, com a sátira às instituições burocráticas em Triste fim de Policarpo Quaresma (1915). Monteiro Lobato, que tratou dos problemas nacionais em Cidades Mortas (1919) e Euclides da Cunha, em Os Sertões (1902). Esta obra, que levou cinco anos para ser concluída, narra a luta entre o Exército e o Município baiano de Canudos, com 25 mil habitantes liderados pelo beato Antônio Conselheiro em uma suposta rebelião monarquista. Euclides era correspondente de O Estado de S. Paulo e acompanhou a batalha final do conflito em que durou cerca de um ano e no qual a população de Canudos foi dizimada após vencer diversas batalhas contra as forças militares. Os Sertões destaca a revolta de uma população miserável e representa o início da avaliação científica de aspecto social do Brasil da época, colocando-se entre a literatura e a sociedade naturalista. O movimento realista se estendeu até o início do século XX, quando Graça Aranha publicou Canaã (1902) e feze sugerir nova estética: o pré-modernismo” (1).

Para os amantes da literatura, essa abordagem não deixa de ser apaixonante, além do aprendizado do contexto histórico da época. Eis aqui, mais uma síntese sobre a literatura, para os nossos leitores.

Por Angeline e Francisco Gomes e Winnie Barros.

Fonte consultada: 1. Mason Antony. O surgimento da era moderna (1900-1914). – RJ: Reader’s Digest, 2003.

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