“A arte da música” – Final

O nosso aprendizado sobre música tem sido muito bom, principalmente, com essa série – “breve história da música”, com abordagem desde a antiguidade até os dias atuais. Agora, vamos então, a evolução da música na Era Moderna, cujo texto está dividido em três tópicos, assim:

1. A ARTE REBELDE DO NOSSO TEMPO: A primeira metade do século XX foi marcada por catástrofes sociais que abalaram o mundo. Isso fez mudar a percepção de se criar música “em termo do passado”. Sem ignorar o ressurgimento de formas rítmicas antigas para resultados modernos, com a força do real, da verdade da época atual, ou seja, os chamados tempos modernos.

Quando Stravinsky estreou a série Sagração da Primavera, em 1913, foi um escândalo. Mas as críticas cessaram e o compositor ganhou notoriedade. Na Hungria, por exemplo, Bartók e Kodály representavam uma escola musical nacionalista, “fazendo com que os compositores de todo mundo volvessem sua atenção para o interior de suas respectivas pátrias”, que tem por base os gêneros bem antigos. Nos EUA, George Gershwin (1898-1937), valeu-se do “jazz”, em busca de fontes originais da expressão musical do seu povo (folclore). “No Brasil, Heitor Villa-Lobos (1887-1959) também buscou no folclore a inspiração para sua obra, explorando os elementos indígenas, africanos e europeus que deram origem à nossa cultura. Foi com Heitor que a música alcançou sua expressão mais genuína, sendo divulgada internacionalmente” (1).

Outra corrente da música contemporânea busca inspiração nos barrocos ou nos clássicos, como Monteverdi, Pergolesi entre outros. Com novo formato, é claro. Um movimento antirromântico, com o objetivo de conquistar o público, fazendo “música funcional”, mais habilidosa e acessível. Em outras palavras: popular.

2. DODECAFONISMO: As investidas feitas por Wagner contra o sistema tonal foram retomadas por Arnold Schonberg (1874-1951) para realizar uma radical revolução. Esse músico levou o ritmo “às últimas consequências do cromatismo wagneriano, provocando a superação da tonalidade, elevando a música à atonalidade”. Num segundo momento organizou um sistema para compor dentro da atonalidade, a Teoria do Dodecafonismo, que se baseia na escala dos Doze Sons (7 tons e 5 semitons). Sua grande novidade é pretender dar a cada um deles a mesma função numa obra musical. Esse sistema vai formar novas séries ou escalas, empregando livremente os doze sons da escala cromática” (1).

3. A ANTIMÚSICA PARA SALVAR A MÚSICA: A “escala” acima citada foi seguida por dois músicos austríacos que produziram obras de extraordinária importância: Alban Berg (1885-1935) e Anton von Webern (1883-1945). O francês Pierre Boulez explorou bem os aspectos do ritmo, da dinâmica, do timbre, etc, do Dodecafonismo. Ainda na França, outro Pierre, o Schaeffer, em 1948, introduz a Música Concreta, com sons como: o barulho do avião, o tilintar de vidros, o canto das aves e outros elementos, “os quais são captados por gravadores e depois “tratados” por aparelhos eletrônicos”, fazendo surgir a Música Eletrônica, que emprega sons tratados em laboratórios (estúdios modernos a partir dos anos 50).

“Ao lado da Música Eletrônica, que é organizada à medida que se processa a execução, esses gêneros se constituem o fenômeno mais recente e mais controvertido de toda a história da música. Guiados, portanto, pela moderna teoria da comunicação de massas, e tendo como lema a “antimusica para salvar a música”, onde seus cultores se permitem total liberdade para chocar ou divertir o público” (1).

“A fúria, o desgosto, o estarrecimento e o entusiasmo provocados pelas apresentações dessa Música de Vanguarda refletem com clareza o entrechoque de conceitos e a guerra de gerações que caracterizaram o momento atua (ou seja, final dos anos 60)”. Os recursos – tecnológicos musicais – de hoje (à época) disponíveis para a criação sonora são são muitos e variados. Largos horizontes se abrem e o mundo dos sons ainda tem muito a oferecer, mesmo que os rumos sejam imprevisíveis”, garante Victor Civita.

Encerramos com este artigo, a nossa série. cuja pesquisa da Editora Abril, foi concluída em 1969. Sobre a trajetória da música – linha do tempo – da Antiguidade à Era Moderna, sob o tema principal de “Breve história da música” com o subtema “A arte da música”. O leitor já sabe que o nosso objetivo não é “ensiná-lo”, mas, informá-lo. E, nada melhor que conferir estes seis textos seriados. A nossa gratidão a dos que acessarem ao Facetas.

Por Angeline, Francisco e Winnie.

Fonte consultada: 1. Fascículo 1 da Coleção “Grandes Compositores da Música Universal”, – SP: Abril Cultural, 1969.

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