Na era da Idade Média, vamos para uma breve história da música em dose dupla, ou seja, nos períodos da Renascença e do Barroco. Independentemente de fases ou Eras da História, a música foi superando estilos e chegou forte aos dias atuais.
A RENASCENÇA: ESMERO DAS FORMAS VOCAIS – “Um conceito já inteiramente abstrato de música orientava a invenção dos mestres franco-flamengos, que foram os pioneiros do estilo renascentista. Chegaram a compor para 36 vozes paralelas, num verdadeiro malabarismo contrapontísticos. A virtuosidade era praticamente uma norma seguida por essa escola na qual se destacaram Guillaume Dufay (1400-1474), Johannes Ockeghem (1430-1496) e principalmente Josquin Després (1445-1521), o mais brilhante de todos” (1).
No clima da Renascença, a polifonia católica passava das igrejas para os salões da aristocracia. Os protestantes faziam o oposto, indo buscar entre o povo os seus temas musicais. Enquanto isso, os flamengos percorriam a Europa propagando o seu estilo, que faz nascer vários gêneros de canção. Isso ocorre na França, na Inglaterra, mas, principalmente em vários outros países. Por exemplo, foi Gioseffe Zarlino (1517-1590), que “formulou a noções básicas da Tríade Tonal, estabelecendo que a tônica, a dominante e a subdominante seriam, respectivamente, a primeira, a quinta e a quarta notas de um certo tipo de escala. Essa invenção teórica trouxe novos recursos à música” (1).
Por seu sabor popular, o canto comum passa à frente da liturgia católica. E a Igreja nada podia fazer, pois embarrava num espetáculo sério: as normas canônicas interditavam o acesso ao estilo musical flamengo, o qual confundia o texto religioso. Porém, no auge da expressividade renascentista, usa-se acompanhamento instrumental, com o desejo de atingir o grandioso. Haja vista, que em lugar da divindade como o centro do Universo, na Renascença, passa a ser o homem.
O BARROCO: SUA EXCELÊNCIA, A ÓPERA – A música desse período “acusou as consequências desse novo espírito. Por isso, dizer, os grandes coros polifônicos, aos poucos são substituídos pelo canto individual (homofonia) com acompanhamento instrumental, ou seja, a comunicação musical era centralizada na voz de um único cantor, acompanhado, é claro, por acordes de um instrumento (baixo contínuo) era a melodia acompanhada. “Outro sinal de mudança dos tempos foi o retorno às grandes tragédias gregas cantadas” (1).
O refinado ROCOCÓ (ou galante) “em sua expansão, a ópera barroca invadiu os domínios da música sagra, absorvendo o caráter teatral dos Dramas Litúrgicos, que encerra a Paixão de Cristo e outros episódios das Escrituras”. Nesse contexto, surge uma classe de cantores, preparados desde a infância para terem uma aguda voz feminina – os castrati. E o traço cômico faz surgir a ópera Buffa, que preserva a característica primordial do Barroco – a melodia individual. Nesse período cresce o artesanato de instrumento, como os primeiros virtuosi, que levaram a música instrumental até os salões da nobreza.

“Tornaram-se então comuns as Orquestra de Câmara (conjunto de poucos interpretes) e o Concerto Grosso (o mais genuíno produto da criação barroca), onde diversos instrumentos disputavam prevalência com a orquestra”. Nessa época, a Sonata de Câmera, transformou-se numa verdadeira suíte de dança, com o talento de Arcangelo Corelli (1653-1713), como violinista e compositor, tanto religioso como profano. E outros como Antonio Vivaldi (1678-1741), Domenico Scarlatti (1685-1757) e outros.
O APOGEU DO BARROCO – Aqui, Handel e Bach tinham muito em comum. Ambas nasceram em 1685, eram alemãs e protestantes. Os dois eram exímio compositores e criadores de peças em quase todos os gêneros de musical vocal e instrumental. Foram eles que deram vida nova à polifonia que havia sido abandonada.
“Com a invenção da Fuga Tonal, Bach revolucionou o sistema musical vigente, que era baseado em intervalos sonoros desiguais. Seu Sistema Temperado veio a possibilitar intervalos sempre iguais entre as notas, igualando todos semitons. O primeiro volume do Cravo Bem Temperado foi publicado em 1722, o mesmo ano que surgiu o Tratado de Harmonia de Rameau. Os dois acontecimentos, em consequência, efetivaram a nova ordem tonal, anunciando grandes períodos da música.
Muito, muito interessante. Apesar de termos feito apenas uma síntese. Mas o tema não se esgota aqui. Na próxima semana faremos uma avaliação sobre o Classicismo.
Por Angeline e F. Gomes e Winnie Barros, col. de Priscila Gomes.
Fonte consultada: 1. Fascículo 1 da Col. “Grandes Compositores da Música Universal”. – SP: Abril Cultural, 1969.