“A arte da música” – 4

No artigo anterior, a nossa “breve história da música” abordou sua evolução e ocorrências na Renascença e no Barroco. Hoje, portanto, vamos falar sobre os fatos musicais da Era do Classicismo.

1. FORMA – O IDEAL CLÁSSICO: No século XVIII, ocorre plenamente aquilo que os últimos compositores barrocos já aspiravam: a criação de uma arte abstrata. Os classicistas, porém, não pretendiam que sua música fosse linguagem para cantar a religião, o amor, o trabalho, ou qualquer coisa. Mas, dar-lhe pureza total, afim que o mero ato de ouvi-la bastasse para dar prazer, ou seja, “a perfeição da forma era o seu ideal estético. A abstração completa era o meio que viam para atingi-lo”. Esse objetivo alcançado com a Sonata Clássica e Sinfonia.

Entre outros nomes desse Período, “o compositor mais representativo do espírito classicista foi Joseph Haydn (1732-1809), autor de uma obra vastíssima, na qual as possibilidades musicais da Sinfonia foram exploradas com grande riqueza inventiva”.

2. A ÓPERA SÉRIE: A ópera dos palcos ainda vivia presa aos padrões da ópera cômica napolitana quando predominava a força emocional do texto sobre o teatro. “Cansados, no entanto, desse “bel-canto” complicado e obsoleto, alguns compositores decidiram renova-la, voltando “ao natural” no gesto, na plataforma e, em especial, na melodia. Em vez de sentimentalismo, almejava uma síntese verdadeira do desejo humano”.

Essa iniciativa – da Ópera Séria – coube ao maestro vienense Christoph W. Gluck (1714-1787), autor de Orfeu e Eurídice (1762), com mais ênfase em Paris, onde “a refinada corte francesa do século XVIII se dividia em dois grupos antagônicos: os da ópera cômica; e os que procuravam manter uma dramaticidade equilibrada em suas composições” (1).

3. MOZART – ARTE EM CONTROVÉRSIA: Quando Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), surgiu no cenário musical, o classicismo já estava maduro. Mesmo assim, a obro desse mestre é considerada por alguns como a mais clássica de todo século XVIII. Porém, as opiniões sobre ele variam muito. Há quem o classifique como “universal”:; há quem o trate como representante do “folclore de Viena”, ou ainda traço de estilo de ROCOCÓ. Mas, independente de juízo de valor, todos dizem: “Foi um gênio Precoce”, versátil e de poderoso talento musical.

4. A MÚSICA EM TRANSIÇÃO – BEETHOVEN: Entre o fim do século XVIII e o início do XIX, o formalismo clássico estava em declínio. E agora, o que fazer? Surge então, Ludwig van Beethoven (1770-1827), com novas concepções musicais. “Era a fase hoje chamada Pré-romântica, na qual sua obra causaria impacto, dando à música maior energia”; maior vulto a nível mundial.

Beethoven foi o primeiro compositor a impor condições aos editores numa desafiadora afirmação da sua individualidade artística. Compunha com “liberdade, dando plena razão ao seu temperamento impulsivo e violento, mas também sonhador e bucólico” (1). Rompeu com “a ordem classicista”, com a tradição. Rebelando-se com essa Ordem; subvertendo-a pelos idos de 1800, com sua primeira Sinfonia que fez principiar em tensão. Suas peças sinfônicas são consideradas insuperáveis. Sua obra, portanto, iria proporcionar aos pósteros o modelo decisivo das Reformas. Assim vem sendo ao longo de dois séculos.

“A contradição esteve presente na vida e no trabalho de Beethoven. O grande inconformado que afrontava o Classicismo, compunha também sonatas clássicas, as quais, por sinal, se tornaram célebres. Porém, no conjunto de sua obra, o mestre alemão foi coerente. Deixou claro a superação do refinamento do velho Período Clássico, denunciando o fim da aristocracia e apontando o romântico mundo novo que estava pela frente” (1).

Senhores leitores, esse é, sem dúvida, um tema fascinante; um autor genial. Tem mais: no próximo artigo iremos abordar a história da música no Período Romântico. Aguardemos!

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Por Angeline e Francisco Gomes e Winnie Barros.

Fonte consultada: 1. Fascículo nº 1 da Coleção “Grandes Compositores da Música Universal”. – SP: Abril Cultural, 1969.

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