Há 20 anos uma senhora evangélica me presenteou com um texto num envelope selado. Segundo relato dela, certo dia, alguns fiéis estavam na igreja, quando o diácono entregou a cada um o referido texto. Porém, solicitou um pequeno esforço:  a leitura seria feita em silêncio e todos ajoelhados. Meio incrédulo, perguntei:  “Por que ajoelhados?” Ela respondeu mais ou menos isto:“Porque cada pessoa deve saber o que pode e que não pode na sua vida. Após vossa leitura, o senhor também saberá o que fazer…”
O texto em questão tem o seguinte conteúdo, na íntegra: “A VAQUINHA”:
“Um mestre da sabedoria passava por uma floresta com seu fiel discípulo. quando avistou de longe um sítio de aparência pobre e resolveu fazer uma breve visita…

Durante o percurso falou ao aprendiz sobre a importâncias das visitas e as oportunidades de aprendizado que temos, também como as pessoas que pouco conhecemos.

Chegando ao sítio constatamos a pobreza do lugar, sem calçamento, casa de madeira, os moradores, um casal de três filhos, vestidos com roupas rasgadas e sujas…

Então se aproximou do senhor, aparentemente o pai daquela família, e perguntou: “neste lugar não há sinal de pontos de comércio e de trabalho, então, como o sr. e sua família, sobrevivem aqui?”

E o sr. calmamente respondeu: “meu amigo nós temos uma vaquinha que nos dá vários litros de leite todos os dias. Uma parte desse produto nós vendemos ou trocamos na cidade vizinha por outros gêneros de alimentos e a outra parte eu produzo queijo, coalhada, etc. para o nosso consumo, e assim vamos sobrevivendo.

O sábio agradeceu a informação, contemplou o lugar por uns momentos, depois se despediu e foi embora. No meio do caminho, voltou-se para o seu fiel discípulo e o ordenou:

“Aprendiz, pegue a vaquinha, leve-a ao precipício ali na frente e empurre-a; jogue-a lá embaixo”.

O jovem arregalou os olhos espantado e questionou o mestre sobre o fato de a vaquinha ser o único meio de sobrevivência daquela família. Mas como percebeu o silêncio absoluto do seu mestre, foi cumprir a ordem. Assim, empurrou a vaquinha morro abaixo e a viu morrer.

Aquela cena ficou marcada na memória daquele jovem durante alguns anos e um belo dia ele resolveu largar tudo o que havia aprendido e voltar naquele mesmo lugar, contar tudo àquela família, pedir perdão e ajudá-la.

Assim fez e quando se aproximava do local avistou um sítio muito bonito, com árvores floridas, tudo murado, com carro na garagem e algumas crianças brincando no jardim. Ficou triste e desesperado imaginando que aquela humilde família tivera que vender o sítio para sobreviver. “Apertou” o passo e chegando lá, logo foi recebido por um caseiro muito simpático e perguntou sobre a família que ali morava há alguns anos, e o caseiro respondeu: “continuamos morando aqui”.

Espantado, ele entrou correndo na casa e viu que era mesmo a família que visitara com o mestre. Elogiou o local e perguntou ao senhor (o dono da vaquinha): como melhorou este sítio e estão bem de vida?”

E o sitiante entusiasmado respondeu:
“Nós tínhamos uma vaquinha que caiu do precipício e morreu. Daí em diante tivemos que fazer outras coisas e desenvolver habilidades que nem sabíamos que tínhamos. Assim, alcançamos o sucesso que seus olhos vislumbram agora…”
Moral da história: “todos nós temos uma vaquinha que nos dá algumas coisas básicas para a sobrevivência e uma conveniência com a rotina. Descubra qual é a sua. Aproveita a oportunidade dessa estória para empurrar sua ‘vaquinha’ morro abaixo”.

Nós, do Facetas, desejamos que em 2020 possamos ter coragem para nos desfazer das nossas “vaquinhas” que nos proporcionam comodismo e, assim, alcançarmos novas possibilidades, novas aprendizagens, novas mudanças e novos sucessos. A mudança não é fácil, mas, é necessária. Então, encare 2020 como o recomeço de mudanças pessoais, profissionais, entre outros. A escolha é sua, seja como o deus Januso qual tinha um rosto na frente da cabeça e outro rosto atrás. 

Resultado de imagem para deus janus
Com o da frente ele via o presente, isto é, o ano que começava (no nosso caso 2020). Com os olhos de trás, via o passado, ou seja, o ano que acabara (2019). Por isso o nome desse deus foi usado pelos romanos para batizar o mês que abre o ano: janeiro.

FELIZ 2020!  

Texto: Francisco Gomes e Winnie Barros
Arte e Formatação: Winnie Barros

Fonte:
Imagem retirado do site Mitologia Online