No final da década de 1970, quando eu iniciava as minhas modestas leituras sobre poetas brasileiros, o brilhante Lacerda, ou melhor, Antonio Carlos Lacerda de Souza, estudante da escola estadual Santo Agostinho, dirigido pelos irmãos maristas (membros da Comunidade de Maria), em Lábrea (AM), já lia (e discutia) os clássicos da literatura universal.
Atualmente, além de um grande amigo, é um incentivador do sucesso do Facetas. Há algum tempo, nos relatou que Vicente Huidobro  fora um expressivo poeta chileno. Tanto eu quanto as minhas duas filhas somos fascinados pela cultura do país de Gabriela Mistral, Violeta Parra, etc, saí à procura de informações sobre esse poeta.  A princípio, nos livros. Mas, como nada de substancial foi encontrado, rumei para a internet. Ai sim “valeu a pena”.
Vicente García Huidobro Fernandéz, nasceu em Santiago do Chile, no dia 10 de janeiro de 1893 e faleceu no dia 02 de janeiro de 1948, em Cartagena, Chile, de derrame cerebral, quando faltavam-lhe apenas oito dias para completar 55 anos de idade.

Mesmo antes de chegar aos  25 anos, já era conhecido na Europa e nos EUA pelo seu desempenho literário. Por isso é considerado um dos maiores nomes da poesia chilena, tal qual Pablo Neruda, Gabriela Mistral, Pablo de Pokha, Nicanor Parra, Gonzalo Rojas, etc. Há quem garanta, ainda, ter sido ele “essencial para a formação do que há de cosmopolita na lira de poetas como Frederico García  Lorca”. (1).

Em 1916, quando o poeta participou de uma Conferência no Ateneu de Buenos Aires, foi plenamente exposta sua teoria literária.  “Foi ali onde ela foi batizada de Criacionista, por haver dito que a primeira condição do poeta é criar; a segunda, criar; e a terceira, criar”. Isto é, acima de tudo, o que importa é o “ATO DE CRIAR”. (1).
O Criacionismo – em língua castelhana deriva de um poema de Vicente, no qual o autor pergunta aos poetas por que cantar a rosa, se antes deveríamos fazê-la florir no poema -, não é uma escola que eu tenha querido impor a alguém; o Criacionismo é uma teoria estética geral que comecei a elaborar por volta de 1912, e cujos esboços e primeiros passos poderão ser encontrados em meus livros e artigos escritos muito antes de minha primeira viagem a Paris” (2), esclarece o próprio Vicente. O qual, quis dizer, em outras palavras, portanto, que tratava-se de um movimento literário experimental, que logo ganhou espaço entre entre poetas de muitos países.
Nessa época, o poeta via despertar a segunda década do século passado, quando o mesmo já tinha maturidade (e autoridade) no assunto, para fazer a seguinte afirmativa: “O reinado da literatura acabou. O século XX verá nascer o reinado da poesia no verdadeiro sentido da palavra, ou seja, no da criação como o chamaram os gregos, embora jamais tenham conseguido realizar sua definição” ( 2).
A bibliografia de Huidobro é extensa. Lançou livros e artigos,  e fez conferências em Santiago do Chile, Paris, Madri, Buenos Aires, principalmente. Porém, a “sua obra mais aclamada é o poema Altazor, o el viaje en pparacaídas (1931), “Altazor ou a viagem de pára-quedas”, sendo considerada uma das obras máxima das vanguardas latino-americanas”.Outros feitos seus que merecem destaque são: La gruta del silencio (1913); Poemas árticos (1918); Mio cide campeador (1929); Temblor de cielo (1931).
Na sua completa dissertação de mestrado em Teoria da Literatura para a UFPE, Jeane Maria Guimarães da Silva, na Introdução, garante: 
Vicente Huidobro (1893-1948) é uma das figuras mais importantes da poesia chilena do século XX, fundador e teórico de uma das vanguardas literárias mais genuínas, o Criacionismo. Viveu grande parte de sua vida na Europa (entre a França e a Espanha), radicando-se no seu país somente após o fim da Segunda Guerra |Mundial. Esse “descarregamento cosmopolita” é um aspecto muito importante dos ismos” ( 3).
Algumas das citações poéticas de Vicente, são tão belas quanto um poema bem lapidado, formal e dentro da métrica, como alguns autores preferem concebê-los. A seguir, por exemplo, trecho de uma de suas citações:
                        “Éramos os eleitos do sol
                           E nem demos conta 
                           Fomos os eleitos da mais alta estrela 
                           E não soubemos responder à sua dádiva
                           Angústia de impotência
                           A água amava-nos
                           A terra amava-nos
                           As selvas eram nossas
                           O êxtase era o nosso próprio espaço
                           O teu olhar era o universo frente a frente
                           A tua beleza era o som do amanhecer
                           A primavera amada pelas árvores
                           Agora somos uma tristeza contagiosa
                           Uma morte antes do tempo…” (4).
De igual valor poético, in Prelúdio de esperança (tradução de Salomão de Sousa), é a beleza que está em todos os versos, em todas as nove estrofes, em todas as palavras. Nos versos abaixo, seu criador  se expressa assim:
                           Falas e falas
                           E já sabemos que é como o ruído da chuva
                           Que cai de cabeça sobre o campo
                           Mas teu ruído leva sonhos e pedaços de folhas pensativas
                           Leva um bronze que escavou cinzas e montanhas (5).

O mesmo pode ser detectado in El espejo de agua (O espelho de água – tradução de Anderson Braga Horta), no qual o eu lírico do poeta vê distanciar-se de si (e de seu mundo interior) as lembranças de outrora:
                           Em suas ondas, sob uns céus sonâmbulos, 
                           Os meus  sonhos se afastam como barcos (5)

Tem mais: Em  Marinho (versão de Antonio Miranda), o poeta consegue unir o significado de cada palavra com perfeição atemporal, deste jeito:
                           Fiz de ti a mais bela das mulheres
                           Tão bela que enrubesces nas tardes (5).

Mas, como tudo na vida é apenas “um sopro do Criador”, sob a tampa do túmulo daquele que perseguiu o novo, isto é, o Criacionismo com tanto radicalismo o que pensava e defendia, agora resta apenas “a terrível solidão de um incentivador que se enveredou pelo desconhecido” (1). E sobre aquela mesma tampa, daquele mesmo túmulo, é obvio, está escrito:
                           
                          AQUI JAZ O POETA VICENTE HUIDOBRO
                                                ABRI A TUMBA!
                              NO FUNDO DA TUMBA SE VÊ O MAR.
                                                        
Notinha útil – Amanhã, 8 de março, pela passagem do Dia Internacional da Mulher,  o Facetas (o qual, sem o empenho das competentes Angeline e Winnie), não teria chegado tão longe, homenageia todas as mulheres do mundo, principalmente as nossas leitoras, com estes inesquecíveis versos de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889-1985). Lembra dele? É a própria. A poetisa goiana CORA CORALINA:
                          EU SOU AQUELA MULHER QUE FEZ A ESCALADA
                                                DA MONTANHA DA VIDA,
                                                REMOVENDO  PEDRAS  E
                                                   PLANTANDO  FLORES.


Fontes
2. http://triplov.com. – revista triplov
3. http;//repositório.ufpe.br
4. http;/citações.in
5. http://www.antoniomiranda.com.br
6. Imagem disponível no Wikipédia