“JESUS CRISTO, eu estou aqui!”

O Facetas sempre publicou artigos sobres datas comemorativas: Dia Internacional da Mulher, 13 de MAIO, Dia das Mães, Dia dos Pais, Consciência Negra, Dia das Crianças, Ano Novo, etc. Agora, mais uma vez, sobre o Natal. Com três poemas inesquecíveis: “Natal dos Justos”, “Jesus Cristo” e “Poema de Natal”. Assim, oferecemos a todas as pessoas, principalmente aos nossos leitores.

Há quase 30 anos guardo um recorte de jornal com o poema “Natal dos Justos”, de Edson Paiva. Não tenho maiores informações sobre o autor, mas, as suas palavras, os seus versos, nos levam a refletir muitos sobre a vida, ou melhor, VIVER, acima de tudo. Vamos ao texto, do Natal daquele ano:

Quando no teu lar/existirem janelas/sem grades, portas/sem trancas,/corações em festa/irmanados/pela Fraternidade,/pensamentos/e sentimentos/unidos pela Luz,/na comunhão/do Amor e da Paz;/quando o teu lar sentir vizinhos/como Irmãos/e caminharem juntos/como Amigos de Sempre/a cantar hosanas/ à Liberdade; à Justiça,/ à Fé e à Esperança,/como bandeira branca/a vibrar na consciência;/quando o teu lar/e o do teu vizinho/não possuírem/limites, nem muros,/nem preconceitos/e os quintais/sejam um só/jardim e pomar;/quando o Sol/respeitar e abençoar/o teu lar/e o do teu vizinho/ – e o teu vizinho – viverem/o momento sublime/de plantar/e colher frutos/e flores/e bênçãos e canções/nos campos verdes/da Boa Nova/, afinal,/tu e teu vizinho/ – uma só Família,/Religião, Idioma/ e Pátria -/ estão iluminados/para festejar/o Natal dos Justos/E JESUS/estará presente,/abençoando/e anunciando: “BEM-AVENTURADOS/OS QUE TÊM PURO/O CORAÇÃO. BEM-AVENTURADOS/OS BRANDOS E OS PACÍFICOS”. /E o Natal/será vivenciado/por 365 dias/e todos os anos/serão felizes/por toda a Eternidade” (1).

Imagem: Acervo pessoal

Quando o Papa João Paulo II esteve no Brasil, em julho de 1980, a revista O CRUZEIRO (ed. nº 19), estampou: “JESUS CRISTO eu estou aqui”, numa alusão a Jesus Cristo, de Roberto e Erasmo Carlos, lançada em 1970. O hino da fé espiritual, da paz, do amor, da esperança, etc, há 50 anos. Mensagem que extrapola fronteiras, independente de crede, crença ou religião. Por quê? Porque os versos dessa canção revigoram as forças – físicas e mentais – dos ouvintes. Leiamos, a seguir, alguns trechos dessa composição:

“Olho pro céu e vejo/Uma nuvem branca que vai passando/Olho na terra e vejo/Uma multidão que vai caminhando/. Como essa nuvem branca/Essa gente não sabe onde vai/ – Quem poderá dizer o caminho certo/É você, meu pai!/ Toda essa multidão/Tem no peito amor/E procura paz/E, apesar de tudo, a esperança não se desfaz./ Olhando a flor que nasce/No chão daquele que tem amor,/Olho pro céu e sinto/Crescer a fé no meu Salvador./ Em cada esquina, eu vejo/ Um olhar perdido de um irmão,/Em busca do mesmo bem/ – Nessa direção, caminhando vem./É meu desejo ver/Alimentando sempre essa procissão,/Para que todos cantem,/Na mesma voz, esta oração:/ JESUS CRISTO, JESUS CRISTO, JESUS CRISTO, eu estou aqui” (2).

Tem mais. Um dos mais belos poemas brasileiros e, de significâncias natalinas quase inigualáveis, de Vinicius de Moraes (1913-1980), “Poema de Natal“, nunca esteve em tamanha evidência como em 2020. Já já explico. Vamos à leitura da íntegra de seus versos:

“Para isso fomos feitos:/Para lembrar e ser lembrado/Para chorar e fazer chorar/Para enterrar os nossos mortos/ – Por isso temos braços para os adeuses/Mãos para colher o que foi dado/Dedos para cavar a terra.

Assim será a nossa vida:/Uma tarde sempre a esquecer/Uma estrela a se apagar na treva/Um caminho entre dois túmulos/ – Por isso precisamos velar/Falar baixo, pisar leve, ver/A noite dormir em silêncio.

Não há muito o que dizer:/Uma canção sobre um berço/Um verso, talvez, de amor/Uma prece por quem se vai/ – Mas, que essa hora não esqueça/E por ela os nossos corações/Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:/Para a esperança no milagre/Para a participação da poesia/Para ver a face da morte/ – De repente nunca mais esperaremos…/Hoje à noite é jovem; da morte, apenas/Nascemos imensamente” (3).

Senhores leitores, essa seleção, de autores diferentes, décadas distintas, tem por objetivo demonstrar que é possível nos irmanarmos em torno da justiça, da paz, do exercício da cidadania, da esperança por dias mais humanos e melhores, da fé em nosso Ser Supremo, entre outros meios, em prol da HUMANIDADE. Independentemente das nossas convicções políticas, religiosas e ideológicas. O NATAL, é sem dúvida, o momento profícuo para essa união entre pessoas, povos, nações; em todo mundo, planetária. O hoje imortal da ABL, Antônio Cícero, nos anos 80, compôs para a irmã Marina Lima cantar: “Você me abre os seus braços/E a gente faz um país…” Vamos estender as mãos. Vamos abrir os nossos braços e promover a liberdade; erradicar a fome; pisotear o preconceito, o racismo; aliviar a dor e extirpar a mágoa, o rancor. Viver sempre. Amar sempre. Perdoar sempre. As boas ações cabem em qualquer tempo, em qualquer lugar.

2020: está sendo o ano que chega ao fim sem ter começado plenamente. Foi o ano do medo coletivo. Das contradições. Dos desencontros. Das despedidas súbitas. Dos governantes dúbios. Infeliz foi aquele que concebeu e, condenado perpetuamente o dono das mãos que criou esse mal onde que que tenha se originado, e pôs em perigo 8 bilhões de seres humanos. Milhões de seres contaminados; milhares de vidas ceifadas. O diagnóstico? O mesmo: COVID-19. Hábitos e costumes destroçados. Quem realmente viu passar o 2º trimestre do ano? Mais, precisamente foi quem vivia no seio do seu lar, no lar de seu vizinho, a perda (ou quase) de entes queridos. Quem viu as covas coletivas? Quem as ocupou? Em 14 de abril, quando a comunidade médica já alertava que Manaus passaria por dias terríveis, a nossa querida vizinha, d. Maria de Fátima de Oliveira (66 anos), perdeu um amado filho. Tristeza, dor e silêncio se instalaram nos arredores. “Isolamento social” eram as palavras de ordem. Poderia ter sido na minha família. Ou comigo mesmo que sou grupo de risco. Notícias e cenas trágicas se repetiram mundo afora. No Brasil de Norte a Sul, o quadro foi (e é) grave. Quase 200 mil vidas já se foram. Triste, triste, triste! Nos últimos três meses, o amigo e colega de trabalho, Fernando Santana, foi duramente vitimado por esse mal. Superou. Está convalescendo. Por que, então, esse comentário? Porque outros milhões de brasileiros estão aqui, vivendo com precaução, procurando os melhores meios para debelar esse pandemia. Sobrevier, viver, mas não esquecer que os perigos estão bem aqui, do nosso lado. O poeta Gonzaguinha versou: “Ninguém quer a morte/Só saúde e sorte…” Mas, Vinicius, poeticamente nos consola: “Para isso fomos feitos:/Para lembrar e ser lembrados”, por um lado. Por outro, “da morte, apenas nascemos imensamente. Sejamos fortes. Façamos que a vida supere os nossos temores. as dores de dona Maria, de Fernando e de muitas outras famílias próximas ou distantes da gente.

Quem diria que um dos três mandamentos preventivos contra a propagação desse tal vírus, fosse o uso obrigatório da máscara. Que passou a ser nosso acessório no dia a dia. Por falar em máscara, numa dessas reuniões escolares – de acordo com as medidas de seguranças exigíveis -, a servidora da Seduc, Mirza Ribeiro, do 5º Distrito Educacional de Manaus (Zona Leste), disse esta frase lapidar. Merecedora de reflexão, pela autenticidade de suas palavras:

A MÁSCARA ESCONDE O NOSSO SORRISO, MAS NÃO O BRILHO DOS NOSSOS OLHOS!”

Então é Natal“. Vamos nos contentar, alegrar, sorrir, confraternizar (prefiro intrinsecamente), amar, rezar, orar, tolerar e agradecer por termos sobrevindos a tantos infortúnios. Cante, para si, ou para as pessoas próximas a você, ou quem sabe, para o mundo te ouvir, estes versos: “JESUS CRISTO, eu estou aqui!“.

VIVA A VIDA! FELIZ NATAL!

São os votos de Angeline e Francisco Gomes e Winnie Barros

Fontes. 1) Paiva, Edson. “Natal dos Justos“. A Crítica, s/d. 2) LP Roberto Carlos, “Jesus Cristo“, CBS, 1970.3) Moraes, Vinicius de. “Poema de Natal“, Literatura Comentada. SP: Abril Educação, 1980.

@facetasculturais

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