Doze de agosto, dia do vinil (p. final)

Capa do LP Dick Farney Trio – “5 anos de Jazz”, p. 1977

Ainda sobre a 1ª parte da semana passada, os índices de vendagens do vinil nessas duas décadas deste século, além de curiosidades da criação de discos e capas, serão citadas hoje. O porquê de 12 de agosto ser considerado o dia internacional do vinil. Aliás, não se deve confundir essa data com 20 de abril, dia do vinil para a cidade do Rio de Janeiro, em referência a morte do cantor e compositor Ataulfo Alves, aqui já publicado um artigo sobre o assunto.

No Reino Unido, entre 2007 e 2015, as vendas do vinil saltaram de 0,1% do mercado consumidor para 1,5%, onde foi lançada uma lista só para álbuns e singles mais vendidos, fazendo esse formato ressurgir com prestígio entre os compradores criteriosos. “Os colecionadores podem adquirir poucos álbuns por ano, mas, como livros raros, estes são uma aquisição para o resto da vida”. O ritual do vinil se apoia não só em fãs penitentes, mas, também no número de vendas de artistas contemporâneos, que apostam no vinil.

Desde 2007, há o Anual Record Store Day que reúne os fãs, artistas e milhares de lojas de discos independentes do mundo todo, sinal do novo interesse pelo produto em escala global. O objetivo, no entanto, do livro: “Vinil: a arte de fazer discos”, segundo seu autor, “Não é convencer os leitores a trocar um modo de ouvir música por outro – mas celebrar o vinil em todos os seus aspectos”, ou seja, “uma infinidade de descobertas para a nova geração de ouvintes”. Portanto, a obra em questão apresenta uma celebração visual da história do desse disco e do seu triunfal renascimento, como já mencionado.

O vinil hoje conhecido, teve início, remotamente com o surgimento do fonógrafo em 1877 pelo norte-americano Thomas Edison, quer dizer, o invento de uma agulha que lê um sulco num cilindro de cera e o traduz em som por meio de um diagrama. “Passaram-se quase 50 anos desde as primeiras “máquinas falantes” até o inicio das gravações elétricas, em meadas da década de 1920. Os desenvolvimentos tecnológicos dessa época abriram caminho para a revolução do vinil um 1/4 de século mais tarde”. Para tal, foram muitos os testes, “os inventos”, os nomes envolvidos nessa empreitada, nesse processo que deu certo. Certíssimo. Só para exemplificar, em 1914, a gravadora “Victor lança o toca-discos Orthophonic Victrola, que constitui um imenso passo à frente na produção de discos” (1).

“Na década de 1930, as companhias de discos lançaram coleções de 78 rpm de um só intérprete ou tipo de música (…), vendidas como “Álbuns”, embora, de início, com capas lisas“. Porém, as capas ilustradas, como são conhecidas hoje, surgiram “em 1940. Um recém-contratado designer da gravadora Columbia, Alex Steinweiss, Brooklyn, NY (1917-2011), o qual desenhou mais de 2.500 capas, convenceu a empresa a lançar um álbum de quatro discos de 78 rpm (com oito medleys de duas canções cada), chamado Smash Sone Hits by Rod Gers e Hart, com uma capa ilustrada e comentários sobre a música no interior e no verso” (1).

Capa do LP “Country Music”, p. 1989

Outro criador genial de capas divertidas, trata-se de Jim Flora. Uma delas, de 1947, surge mostrando o trombonista de Jazz Edward “Kid” Ory; e Mambo For Cats, de 1955. Na história da discografia, o primeiro long-play de 10 polegadas, foi lançado em 1949, pela gravadora Decca, a qual adotou o sistema de microssulco em vinil, da cantora norte-americana Ella Fitzgerald. Após as primeiras incursões na tecnologia do long-play em vinil, “a Columbia Records finalmente lançou o formato do LP em 1948″. O mesmo fizeram outras gravadoras, produzindo discos memoráveis em capas e conteúdos, atualmente considerados raríssimos.

Voltemos, portanto, ao livro “Vinil: a arte de fazer discos”, considerado uma obra imperdível para todo e qualquer leitor, acima de tudo, para os amantes desse produto musical. Em suas mais de 600 fotos e mais de 400 comentários (referências), percebe-se que o autor enfatiza, com veemência, os dois maiores mercados – produtores e consumidores do mundo – que são: Estados Unidos da América e Inglaterra. E, também, na fabricação de aparelhos sonoros. Onde ainda, surgiram os maiores músicos, bandas, conjuntos, cantores, compositores e produtores de todos os tempos.

No que compete ao Brasil, apenas duas citações são feitas em todo o livro ( e isso nos contenta), haja vista que os demais países latino-americanos, sequer são citados. PRIMEIRA referência, à página 87, sobre o encontro de Stan Getz e João Gilberto (1964): “Graças à faixa de abertura, “Garota de Ipanema”, essa se tornou uma joia da coroa de verve. Mas seu encanto começa com a capa da pintora Olga Albizu, que também forneceu material pra Jazz Samba. Gravodo em Nova York em marco de 1963, o disco traz o sax do tenor Stan Gatz e o vocal/violão de João Gilberto e pela bateria de Milton Banana. Com direção de Creed Taylor e engenharia de som de Phil Ramone, Gatz/Gilberto foi disco de ouro em poucos meses é o primeiro disco de Jazz a vencer como Álbum do Ano, um dos seus três prêmios no Grammy de 1969″.

A SEGUNDA referência , às páginas 226/227 versa sobre o empresário paulista, José Roberto Alves Freitas (66 anos), mais conhecido como Zero Freitas, o qual, em 40 anos conseguiu reunir em seu acervo particular, mais de três milhões de discos. Em 2014, ele e a sua “estante” foram noticia do Jornal New York Times, por ter adquirido, de uma só investida, “um milhão de unidades de um ex-lojista dos Estados Unidos”. As três fotos das páginas enumeradas acima, ilustram bem o vasto espaço ocupado por dezenas de caixas-armazém repletas de discos. Não há relatos de outro acervo igual mundo afora. “O leque de sua coleção é abrangente e data dos primórdios dos 78 rpm. Os auxiliares de Freitas limpam, fotografam e catalogam cada item, num ritmo de cerca de quinhentas unidades por dia – levaria mais de 30 anos para cobrir a coleção do jeito que está hoje, sem contar os 20 mil discos que chegam todo mês” (1).

É isso aí, senhores leitores. Esperamos, ter prestado a todos, com estes dois artigos, ótimas informações sobre o vinil: sua origem, seu consumo e o hábito de cada ouvinte de disco, simplesmente, ou de cada colecionador. Esperamos que gostem da nossa iniciativa, sobre a qual não precisamos dizer que somos fãs do LP, do CD, da música, enfim.

Aqui, mais duas capas de vinil, que achamos incrivelmente de excelente produção gráfica: uma, de Dick Farney Trio, “5 Anos de Jazz”, de 1977, lançado pela gravadora EMI/ODEO; a outra, Country Music (Norte-Americana), de 1989, lançado pela RGE/SOMLIVRE.

Por Angeline e Francisco Gomes.

Fonte: 1. Evans, Mike. “Vinil: A arte de fazer discos”: (tradução, Luis Reyes Gil). – SP: Publifolha, 2016.

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