Doze de agosto, dia do vinil (parte 1)

Zé Ramalho – LP “Força Verde”, de 1982 – Epic/CBS.

Mais uma vez fui presenteado pela Angeline Gomes com o excelente obra: “Vinil: a arte de fazer discos”, de Mike Evans. Na contracapa, consta: “Nenhuma coleção sobre música é completa sem este livro”. Trata-se, realmente, de um fascinante trabalho. Em suas 256 páginas, estão contidas mais de 600 fotos sobre “os artistas, as gravadoras, as capas”, ou seja, “uma celebração visual da história do vinil e do seu triunfal renascimento. Dos pesados discos de 78 rpm aos resistentes 45 rpm, dos excêntricos EPs aos lendários LPs”. O autor, que é músico e jornalista, escreve sobre o tema “desde os anos 1970 e teve o seu trabalho publicado em veículos de comunicação como Sounds, Cream, The Guardian, Elle e Melody Maker, além de colaborar em livros sobre o assunto de diversas editoras. O músico tem dois singles lançados pela Decca e já tocou na cena de Liverpool, onde, em 1969, abriu shows, para o Led Zeppelin e Bob Dylan”.

Por quase 70 anos, o vinil foi essencial para se ouvir música em todo mundo. Por exemplo, “quando o rock’n’roll surgiu, em meados dos anos 1950, o rígido mas quebradiço disco de 78 rpm de goma-laca ainda era moeda corrente na cultura”. Foi assim com Elvis Presley em Heartbreak e Little Richard em Tutti Frutti, dois estrondosos sucessos, em “bolações” de 78 rpm, de 10 polegadas. No final daquela década, surge um novo formato: o vinil de 45 rpm, de 7 polegadas, o qual passou a reinar sozinho no planeta inteiro, isto é, das estações de rádio ao consumo doméstico, “aposentando os 78”. Assim, a goma-laca era substituída pelo novo plástico que ganhou a forma de long-play (LP). Foi uma revolução, “desde que o som fora captado pela primeira vez em disco no final do século XIX”. A partir de então, uma música passa a ser executada em média, três minutos.

Com a economia e a disciplina da regra desses minutos, com exceções é claro, “o maior avanço que ocorreu logo após o surgimento do LP de vinil foi no campo da música clássica”. O que antes era acomodado em 4 discos de 78 rpm, agora pode ser ouvido em um lado de um LP. “Na música popular, foi possível colocar num só disco uma série de canções para compor um álbum”. Os primeiros a reconhecerem essa evolução tecnológica, foram os músicos do jazz. “O inovador LP também permitiu gravar shows ao vivo pela primeira vez”.

“O rock e o pop ainda foram dominados pelos singles até meados dos anos 1960, quando artistas como os Beatles começaram a ver o LP com um fim em si mesmo. Ao final daquela década, o sucesso de discos inovadores como Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, e Pet Sounds, dos Beach Boys, fez surgir o rock prensado para o álbum” (1). Outro salto enorme foi na qualidade sonora: menos ruído e mais conteúdo musical. Ainda abriu caminho para a gravação estereofônica a partir de 1958. “Como qualquer colecionador de vinil pode confirmar, a mera tangibilidade do formato é o que decreta seu triunfo definitivo sobre seu sucessor, o compact disc (CD). O vinil é uma coisa que você pode segurar na mão e curtir como produtor físico” (1).

Ainda sobre o CD, diz o autor: “As notas da capa, as letras impressas e outros aspectos e informações geralmente ficam minúsculas em uma caixinha de CD de 14 cm, e o potencial para um trabalho de arte criativo, comparado ao de uma moldura de 33 cm da capa de um LP de vinil, é muito inferior. Artistas gráficos, designers e fotógrafos cuja obra foi apresentada em capas de discos nas últimas seis décadas produziram algumas imagens mais representativas da cultura popular” (1). Aqui, neste artigo, apresentamos duas capas graficamente fantásticas.

LP com 12 músicas, lançado em 1979 – Tapecar/Sigla

O campeão do vinil Jack Whate, disse numa entrevista em setembro de 2014: “Quando você ouve musica num iPod (…) você pensa, ‘Essa é a música, mas esse não é realmente o disco’. O disco é o vinil: o incrível nesse caso – completa ele – é que as coisas ficaram tão invisíveis com a música no nível da audição que a demanda por vinil na última década simplesmente cresceu e cresceu e cresceu” (1).

Em outras palavras, os estudiosos sobre o assunto costumam dizer: “o vinil não morreu”. Ele apenas aconteceu para valer nos anos 1980, apesar da rápida expansão do CD. “Mas nem mesmo a grande queda das vendas, que tiveram seu nível mais baixo em meados da década de 2000, decretou o desaparecimento do vinil”. Um exemplo clássico: as rádios continuaram tocando o “bolachão” ao redor do mundo. Assim como os DJs seguiram fazendo o mesmo. O que, na realidade, mudou foi a proporção, mas a popularidade desse formato de disco, não. É claro que o CD causou “um dano” nas vendas do vovô LP. Em 1995, as companhias de discos norte-americanas venderam mais de 10 milhões de singles de vinil, junto com 2 milhões de LPs e EPs. Dez anos mais tarde, ou seja, em 2005, esse índice despencou para menos de 900 mil cópias naquele pais, o maior mercado discográfico do mundo.

Na década seguinte (2006-2015), houve uma reviravolta com as vendas de álbuns de vinil, isto é, subindo para 9 milhões em 2014, devido a escolha ativa de seu crescente exército de devotos. Sem ignorar, portanto, “que as vendas de CDs batem nos 165 milhões e os álbuns digitais não físicos totalizam 117 milhões”. Para atender a essa demanda ao vinil, foram mantidos os selos (gravadoras) independentes especializados em prensagens de alta qualidade, seja de clássicos do passado, seja de novos lançamentos, como formato regular de seu catálogo (lista de seus discos).

Na semana que vem, tem mais um excelente artigo sobre o tema acima. Aguardem! Aos fãs desse produto, os nosso parabéns pela passagens do Dia Internacional do Vinil!

Lembrete: Por quase um ano foram analisadas por nós, capas/contracapas de quase três mil vinis, das quais escolhidas apenas quatro delas (tarefa dificílima) – duas para cada artigo. O principal critério foi a beleza da criação e arte gráfica. A ideia é motivar nossos leitores escolherem as capas de CDs/LPs de suas preferências, também.

Por Angeline e Francisco Gomes.

Fonte: 1. Evans, Mike. “VINIL: A arte de fazer discos”: (tradução, Luís Reyes Gil). – SP: Publifolha, 2016.

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