A história do livro

Há 190 anos o livro era assim

No início dos anos 2000, a editora Martin Claret publicou o livro de bolso de vários gêneros literários “para facilitar a vida do Leitor”. Sei lema: “livro: instrumento de liberdade e poder”. Pois, “nossa proposta é fazer uma coleção quantitativamente aberta”, haja vista que “acreditamos na função do livro. Quem assegura é o idealizador do projeto, José Duarte de Castro, sobre os seguintes tópicos.

Com essa abordagem, o Facetas fez este artigo, por considerar a temática pertinente, sempre. “A palavra escrita venceu o tempo, e o livro conquistou o espaço. Teoricamente, toda a humanidade pode ser atingida por textos que difundem ideias que vão de Sócrates e Horácio a Sartre a Mcluham, de Karl Marx a Adolf Hitler” (1).

1. A história do livro. De início, a pergunta: “Que é o livro?” A resposta vem assim: “Para fins estatísticos, na década de 60, a UNESCO considerou o livro uma publicação impressa, não periódica, que consta de no mínimo 49 páginas, sem contar as capas”. Sendo, portanto, um produtor industrial. Mas não um simples produto. “O primeiro conceito que deveríamos reter é o de que livro como objeto é o veículo, o suporte de uma informação. O livro é uma das mais revolucionárias invenções do homem” (1).

2. O livro na antiguidade. Em 72, a Enciclopédia Abril, já trazia no verbete “livro” concisas e importantes informações sobre a história dele. Sabe-se, por exemplo, que bem antes do homem pensar em utilizar esse ou aquele materiais para escrever, “as bibliotecas da antiguidade estavam repletas de textos gravados em tabuinhas de barro cozido. Eram os primeiros “livros”, depois progressivamente modificados até chegar a ser feitos – em grande tiragem – em papel impresso mecanicamente, proporcionando facilidade de leitura e transporte. Com eles, tornou-se possível, em todas as épocas, transmitir fatos, acontecimentos históricos, descobertas, tratados, códigos ou apenas entretenimento” (1).

Ao longo dos séculos, o livro sofreu enormes modificações, nas mais diversas sociedades. Tornando-se uma mercadoria especial, com técnica, intenção e utilização determinadas. “No moderno movimento editorial das chamadas sociedades de consumo, o livro pode ser considerado uma mercadoria cultural, o qual pode ser comprado, vendido ou trocado”, por um lado. Por outro, “isso não ocorre, porém, com sua função intrínseca, insubstituível”, haja vista, ser “essencialmente um instrumento cultural de difusão de ideias, transmissão de conceitos, documentação, entretenimento ou ainda de condensação e acumulação do conhecimento” (1).

3. Livro: espelho da sociedade. Sua história se confunde com a da humanidade, pelas ideias e conceitos. Os escritores, estão sempre antenados ao momento histórico e cultural em que vivem, fornecendo “dados para a análise de sua sociedade. O conteúdo de um livro, aceito ou não, reflete a estrutura intelectual dos grupos sociais. No passado, era comum o autor viver em contato direto com seu público, o qual era formado por uns poucos letrados. Muitas vezes, mesmo antes de ser redigido o texto, as ideias nele contidas já haviam sido intensamente discutidas pelo escritor e parte de seus leitores. Até o século XV, o livro servia exclusivamente a uma pequena minoria de sábios e estudiosos que constituíam os círculos intelectuais que tinham acesso às bibliotecas” (1).

Com a expansão comercial europeia em fins do século XIV, tanto burgueses quanto comerciantes passaram a integrar o mercado livreiro da época. Quando, então, surgiram as primeiras obras escritas em línguas que não o latim e o grego. Contudo, nos séculos XVI e XVII, surgiram literaturas nacionais, numa clara demonstração de reflorescimento intelectual da época, indicando que a Europa estava preparada para adquirir obras escritas – isso há mais de 300 anos.

4. Cultura e comércio. Mas, foi a partir de João Gutenberg, com o sistema de impressão, que o Velho Continente, “conseguiu dinamizar a fabricação de livros, imprimindo em 50 anos, cerca de 20 milhões de exemplares para uma população de quase cem milhões de habitantes, a maioria de analfabetos”. Isso significou uma revolução editorial: impressos em papel, feitos em cadernos, costurados, e posteriormente encapados, os livros tornaram-se empreendimento cultural e comercial. E o leitor? Bem, os livreiros baseavam-se no gosto do público para imprimir, sobretudo, obras religiosas, novelas, coleções de anedotas, manuais teóricos e receitas.

Porém, foi no século XIX, que o livro começou a ser utilizado também como meio de divulgação dessas modificações, quando então, o conhecimento passou a significar uma conquista para o homem, sobretudo na França e na Inglaterra, onde obras começaram a ser produzidas a preços baixos e obras completas de autores famosos. “O livro era então interpretado como símbolo de liberdade, conseguida por conquistas culturais”. Todavia, em muitos países, a modificação nas vendas com grandes tiragens só ocorreu após a 2ª Guerra Mundial (1914/18), com romances, novelas e textos didáticos. Além de possibilitar a fusão literária, barateou o custo para o pequeno “grupo de eruditos“.

Mais tarde, com o advento do rádio, do cinema, e posteriormente da televisão, o livro continuou mantendo o seu status de líder de vendagem por muitos anos. A televisão, contudo, transformaria o mundo em uma grande “aldeia”, quando as sociedades modificaram suas prioridades em relação aos textos escritos. Na sequência, veio o computador, e, por último, o celular e a internet que “dominam” os meios de comunicação. Principalmente na atual era do capitalismo informacional, onde o físico está virando virtual, virtual, virtual. Diante desse incontestável avanço tecnológico, há quem garanta que o livro deixará de ser produzido em curto tempo. “Mas o livro é antes de tudo funcional – seu conteúdo é que lhe confere valor”. Vamos aguardas essas e outras (r)evoluções.

5. O mundo lê mais. No século XX, o consumo e a produção de livros aumentaram progressivamente. Até 1950, existiam somente livros de bolso destinados a pessoas de baixo poder aquisitivo; a partir de 1955, desenvolveu-se a categoria do livro de bolso “de luxo”. Em 1964, por exemplo, havia mais de 200 coleções nos EUIA, e a variedade de títulos era endereçados a um público intelectualmente mais refinado.

A diversificação dos pontos de vendas em bancas de jornal, farmácias, lojas de shoppings, livrarias propriamente ditas, vem mantendo a comercialização do livro em muitos países. No Brasil, a comercialização de livros didáticos, ainda está bem popularizada – novos e usados. Algumas grandes editoras/livrarias estão negociando sua produção online, cuja fatia de vendagem é considerada satisfatória frente aos investimentos disponibilizados para esse fim. Sobre o livro, o padre baiano, de origem portuguesa Antônio Vieira (1608-1698), disse: “O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um defunto que vive”.

Aos nossos leitores. “Viva o livro!”.

Por Angeline e Francisco Gomes.

Fonte: 1. Prefácio do livro Oração aos Moços, de Rui Barbosa, – SP: Editora Martin Claret, 2004.

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