“MENINOS MIMADOS NÃO PODEM REGER A NAÇÃO” (Criolo).
Tanto os leitores comuns quanto os colecionadores de livros, CDs, DVDs, LPs, revistas, períodos, etc, sabem, que apesar dos inevitáveis avanços digitais, ainda é possível comprar, no formato impresso, revistas como Veja, Pernambuco, Continente, Cult, Vida simples, Piauí, diferentes jornais, entre outros.
Por exemplo, em setembro de 2026, a CULT circulou com as seguintes matérias de capa: “América Latina: um continente reimaginado a partir da crise (dossiê)”, “Os imortais” e “Embora” (livros) e a Rússia e os livros (especial), além de outras matérias, é claro. Como sempre, mais uma edição imperdível.
Quem analisa e comenta Os imortais, de autoria da jornalista e escritora brasiliense Paulliny Tort (57 anos), é o escritor pernambucano Marcelino Freire (70 anos), cuja matéria tem o este título: “A evolução da literatura brasileira”. Em apenas duas páginas o citado crítico literário diz muito mesmo sobre a brilhante obra em questão.

Diz, de início: “Quando dei por lido Os imortais, Ave nossa! Quanta pré-História carrega essa história? Saberá a autora de qual fim de começo de mundo foi buscar os vestígios de pura (e dura) linguagem. De qual civilização, dentro de sua imaginação, trouxe de volta javalis e tacapes e pedras argilosas? Não importam as perguntas” (1).
Marcelino é o escritor certo para comentar esse livro de Paulliny. Por quê? Porque trata-se de um apaixonado “por temáticas sobre sabedoria ancestral”. Aliás, os seus livros BaléRalé e Nossos ossos confirmam essa afirmativa. É dele a justificativa: “Qualquer texto escrito é de natureza geológica. Escrevemos para restaurar palavras. Para fazer soprar, outra vez, ventos primitivos. Paulliny mexe em fogo muito antigo. E, com isso, aquece ferozmente a literatura brasileira contemporânea” (1).

Continua ele, assim: “A escritora soube enfrentar, muito bem, os desafios lançados pelo livro. O mundo ficcional de Os imortais é dividido em blocos”, ou seja, em capítulos. “Paulliny é agora uma autora em plena madureza, manipulando à unha uma estrutura hiperbólica, epopeica. Criadora de tinhosos grunhidos, para nos dizer de uma guerra entre clãs na era paleológica. Não tem como não pensarmos nos conflitos de nosso tempo ao acompanharmos uma Velha, um Homem, uma Mulher e uma Criança (inimiga) surgida entre eles, batalhando para sobreviver a perseguições e massacres” (1).
Vai além, Marcelino: “Os imortais chega, de fato, para sacudir as estruturas de nossa modernosa literatura, muitas vezes viciada em uma linguagem mole e preguiçosa […]. Sim, é possível que neste livro monumental, aqui e ali, entre mastodontes e seixos, apareçam um “coração acelerado”, um “menear a cabeça” um quase leve “bocejo”. Nada que a poética defendida por Paulliny Tort não enterre…”, pois “acaba de escrever um clássico que mata a pauladas um modelo de sapiência elitista e ultrapassada” (1). Trata-se, portanto, essa obra, “profundamente original”, já inclusa “à nossa literatura nacional”.
O romance em questão é ambientado “na pré-História e realiza um fato literário singular: reconstruir um mundo anterior à linguagem tal como conhecemos, mas pleno de complexidade, pensamento e imaginação” (2). É quase uma epopeia, no qual a autora “narra a trajetória de um clã de neandertais em um cenário hostil, marcado pela fome e pelas intempéries. Guiado por figuras conhecidas como Homem, Mulher e Velha, o grupo atravessa vastos territórios em busca de sobrevivência” (2). Isso mesmo (o cenário) – bem lembrado pelo escritor pernambucano – assemelha-se à saga “de Fabiano e Sinhá Vitória e seus dois meninos miúdos e magriços em Vidas secas (obra soerguida por Graciliano Ramos no longínquo ano de 1934″ (1).
Seja lá como for, Os imortais (disponível tanto em impresso como em ebook pelas editores pertinentes) é recomendado aos leitores, também, por nós, do Facetas.
Notinha útil – Olha o Heitor aí, gente! Amanhã, em algum ponto na grande Recife (PE), esse jovem estará aniversariando. Ao mesmo, a nossa equipe deseja muita saúde e vida longa.
Por Angeline e Francisco Gomes e Winnie Barros.
Fonte consultada: 1. Revista CULT (revistacult.com.br) ed. 333, ano 29, setembro de 2026; 2. http://www.amazon.com.br