12º Tour Cultural do Facetas

Olá leitores, a pauta do dia versa sobre o menor (criança, adolescente) e seus direitos inalienáveis. Aqui exemplificados por um cantor/compositor, um juiz de direito e um escritor. Vamos conferir.

1 – “CANÇÃO DE TODAS AS CRIANÇAS”. São muitos os artistas brasileiros que dedicaram (e dedicam) suas obras às crianças, como Vinicius de Moraes e Oswaldo Montenegro, entre outros. Porém, entre todos, o cantor e compositor paulista Antonio Pecci Filho (75), Toquinho é o mais destacado.

A foto-destaque do CD é do nosso vizinho Hugo Linhares ( 7 anos), o qual representa aqui, todas as crianças do Brasil e do mundo.

O CD “Canção de Todas as Crianças”, dele e do saudoso Elifas Andreato, é um clássico nesse gênero musical. Aliás, necessário para todas as idades. O disco é dos anos 80 e foi lançado após Aquarela (83) e Ao Que Vai Chegar (84). A força criativa desses dois artistas é fascinante. Eles conseguiram compor e musicar 10 canções sobre os 10 princípios da Declaração Universal dos Direitos da Criança, por exemplo: Castigo Não (IX): “A criança não deve ser abandonada, espancada ou explorada, não deve trabalhar quando isso atrapalhar a sua educação, saúde e o seu desenvolvimento físico mental ou moral”; Deveres e Direitos (I): “A criança tem tem direito à igualdade, sem distinção de raça, religião ou nacionalidade”; É Bom Ser Criança (VIII): “A criança em qualquer circunstância deve ser a primeira a receber proteção e socorro”, etc. Assim segue: cada música narra um Princípio específico.

Trata-se de uma obra-prima da música nacional. A sonoridade e a participação de crianças como se fosse um coral são registros magistrais. O encarte do CD traz brilhante comentário assinado pelos dois artistas, sobre a evolução dos registros mundiais dos direitos da criança, cuja primeira Declaração nesse sentido foi escrita pela inglesa Eglantiny Jeeb, em 1923, composta de cinco Princípios, a “Declaração de Genebra”, modificada em 1948, após a 2ª Guerra Mundial, quando então foram acrescidos dois parágrafos. Em 1959, a ONU aprovou os 10 Princípios existentes até hoje. Mas, lamentavelmente “são desconhecidos pela maioria dos povos do mundo”.

“Agora, fizemos este disco para ver se, cantando, será possível fazê-los mais conhecidos e, assim, quem sabe, quando alguém for contar de novo essa história, acrescente a ela, o dia 20 de julho de 1987, quando terminamos essa nossa “Canção de Todas as Crianças” (1).

Fonte1. CD “Canção de Todas as Crianças”, Toquinho/Andreato, SP: Universal, 1987.

2 – “O MENOR, ESSE DESCONHECIDO“. O ex-ministro do STJ, o professor Sálvio de Figueiredo Teixeira (1939-2013), foi um ser de domínio jurídico invejável. Tudo teve início quando ele foi Juiz de Menores de BH, onde tornou-se um defensor nato dos direitos da criança e do adolescente.

Como conferencista emocionava a todos pela dignificação de suas palavras. Eis aqui dois exemplos: O 1º com o tema: “O Direito e a Justiça do Menor”, cuja palestra fora proferida no Recife (PE), em 24.11.87 para juízes e curadores de menores, quando disse: “Não há, certamente, quem se ocupe do menor sem inquietações (…). Não há quem reflita sobre essa problemática sem ser tocado por forte e crescente idealismo”. E, ao revelar que estava bem acolhido pela “brava e culta gente pernambucana”, que fê-lo “recordar os versos de Bertolt Brecht”, foi solene: Há pessoas que lutam um dia e são boas;/há pessoas que lutam um ano e são melhores;/há as que lutam muitos anos e são muito boas;/porém, há as que lutam toda a vida – essas são as imprescindíveis”. E, ao finalizar, completa: “Vive-se um tempo de renovação: de Constituição, de ideias e ideais” (2).

O 2º exemplo: Em Conferência ocorrida em Cuiabá (MT), no dia 11.10.89, com o tema: “O menor, esse desconhecido”, o mestre faz uma análise geral sobre os direitos da criança mundo afora. Cita a ONU, a CF/88; cita poeta e escritores que tanto dedicaram obras sobre os jovens, destacando: “Tão cruel é, no entanto, a realidade que marginaliza e desconhece o nosso menor que até a nossa ternura dá lugar à tristeza, retratada nos versos da grande Poeta deste Brasil Central, que foi e sempre será Cora Coralina, com os quis finalizo”: De onde vens criança?/Que mensagens trazes do futuro?/Por que tão cedo esse batismo impuro que mudou teu nome?/Em que galpão, casebre, invasão, favela, ficou esquecida tua mãe?/E teu pai, em que selva escura se perdeu, perdendo o caminho do barraco humilde?” (2).

Da nossa parte sem mais palavras. A avaliação é sua, leitor(a).

Fonte 2. Teixeira, Sálvio de Figueiredo. Diretos de Família e do menor. – 3. ed. BH, Del Rey, 1993.

3 – “O MENINO DE DIAMANTINA”. Esse é o título do interessante livro infanto-juvenil, que, sem dúvida interessa a todos os adultos, publicado na década de 1970, pelo escritor mineiro Vicente Guimarães(1906-1981), conhecido pelo pseudônimo Vovô Felício, o qual narra a “infância humilde de Juscelino Kubitschek contada às crianças e jovens do Brasil”.

O relato sobre a vida de Nonô, como era chamado o menino JK, é narrada para as crianças e dialogada com as crianças. É muito legal. O JK quando criança, com os pais e a irmã Nana; como estudante, telegrafista, médico, político em Minas Gerais, presidente do Brasil e fundador de Brasília. Tem mais: o autor traz ainda, uma entrevista histórica sua com o “Dr. JK”, de 23.11.1972, com 32 perguntas/respostas.

Este é o inicio do livro: “Estava marcada a viagem para Brasília. Ali passariam parte das férias escolares o Vovô Felício com seus netinhos Maria Angelina, Roberto, que todos chamam de Dedete, e João Bolinha, o boneco que virou gente. Até o Zé Bolacha, filho de sá Zefa, a cozinheira da “Chácara do Vovô Felício” ia conhecer a nova Capital. Brasília era, pois o assunto predominante. Tudo sobre a cidade as crianças queriam saber” (3).

Adquira este livro. Leia para você mesmo! Saiba um pouco sobre a História do Brasil, sobre JK. Leia para os seus alunos, para os seus netos. É show!

Por Francisco, Winnie e Angeline.

Fonte 3. Guimarães, Vicente. O menino de Diamantina (Nonô). BH. – Editora Comunicação, 1976.

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