13º Tour Cultural do Facetas

Olá leitores, vamos às nuances da Música Brasileira: versos e rimas; composição bem estruturada; canção de versos curtos, mas cheia de verbos, todos praticamente, no infinitivo.

1 – AS RIMAS MAIS COMUNS DA MPB”. “As rimas mais comuns da música brasileira é “assim” e “mim”, seguida de “coração” e “paixão”. Rimar “amor” e “dor” ficou apenas em oitavo lugar. Essa é a conclusão da pesquisa “É o amor – Lugares Comuns na Música Popular Brasileira por Suas Rimas”, do jornalista Gustavo Bolognani Martins, com as 500 canções mais tocadas nas rádios em 2001 e 2005, que totalizaram 3.073 rimas.

Só para ilustrar o tema ao lado. Disponível na Amazon.

As palavras mais usadas foram “você”, “coração”, “amor”, “dizer”, “esquecer”, “ver” e “olhar”. “Boa parte da música que é consumida no Brasil se vale de uma estética muito manjada, que está mais para a repetição em busca da aceitação do que para a criação artística”, garante o pesquisador.

Apenas 24 hits que chegaram ao topo das paradas entre 2001 e 2005 não se valiam de rimas. Três delas gravados pelo grupo Jota Quest – “Do Seu Lado”, “Só Hoje” e “Na Moral”.

De acordo com Martins, as rimas com o verbo no infinitivo são mais utilizadas e aparecem em 95% das canções. A campeã foi “Maimbê Dandá”, de Carlinhos Brown, gravada por Daniela Mercury e que, de 11 rimas, possui 5 com esse recurso. Os grupos de pagode e samba também adoram esse recurso de linguagem. “Os artistas se fixam nessas alternativas porque sabem que elas têm uma eficiência de memorização maior no público”, diz o jornalista” (1).

Interessante esse levantamento. Não é crítica à música, é constatação. Porém, gosto é gosto. Cada um sabe o que lhe convém. O importante é ouvir música. Não é mesmo leitor?

Fonte 1: Folha Universal, 27 de julho de 2008, p. 6.

2 – “CONSTRUÇÃO”. Composição de Chico Buarque, cuja estrutura gramatical é impecável. Cada verso termina por uma palavra proparoxítona. Vamos à sua íntegra:

Foto -capa de Aldo Luiz.

“Amor daquela vez como se fosse a última/ Beijou sua mulher como se fosse á última/ E cada filho seu como se fosse o único/E atravessou a rua com seu passo tímido. //* Subiu a construção como se fosse máquina/ Ergueu no patamar quatro paredes sólidas/ Tijolo com tijolo num desenho mágico/Seus olhos embotados de cimento e lágrima. // Sentou pra descansar como se fosse sábado/Comeu feijão com arroz como se fosse príncipe/Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago/Dançou e gargalhou como se ouvisse música. // E tropeçou no céu como se fosse um bêbado/E flutuou no ar como se fosse um pássaro/E se acabou no chão feito um pacote flácido/Agonizou no meio do passeio público. // Morreu na contramão atrapalhando o tráfego. // Amou daquela vez como se fosse o último/Beijou sua mulher como se fosse a única/E cada filho seu como se fosse o pródigo/E atravesso a rua com seu passo bêbado. // Subiu a construção sólido/ Ergueu no patamar quatro paredes mágicas/Tijolo com tijolo num desenho lógico/Seus olhos embotados de cimento e tráfego. // Sentou pra descansar como se fosse um príncipe/Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo/Bebeu e soluçou como se fosse máquina/Dançou e gargalhou como se fosse o próximo. // E tropeçou no céu como se ouvisse música/ E flutuou no ar como se fosse sábado/E se acabou no chão feito um pacote tímido/Agonizou no meio do passeio náufrago. // Morreu na contração atrapalhando o público. // Amou daquela vez como se fosse máquina/Beijou sua mulher como se fosse lógico/Ergueu no patamar quatro paredes flácidas/Sentou pra descansar como se fosse um pássaro/E flutuou no ar como se fosse um príncipe/E se acabou no chão feito um pacote bêbado. // Morreu na contramão atrapalhando o sábado” (2).

(* = // início de estrofe. por questão de espaço).

Fonte 2: LP “Construção”, de Chico Buarque, SP: Philips, 1971.

3 – “SONHO DE ÍCARO”. De autoria de Pisca-Cláudio Rabelo, foi sucesso nacional na 1ª metade dos anos 80, na interpretação majestosa de Biafra.

Foto-capa de Lívio Campos.

São muitos os verbos no infinitivo e nas três conjugações, diga-se de passagem. Vamos á composição, na íntegra: “voar, voar/Subir, subir/Ir por onde for/Descer até o céu cair/Ou mudar de cor/Anjos de paz/Asas de ilusão/E um sonho audaz/Feito um balão/No ar, no ar./Eu sou assim/Brilho do farol/Além do mais/Amargo fim/Simplesmente sol/Rock do bom/Ou quem sabe jazz/Som sobre som/Bem mais, bem mais/O que sai de mim/Vem do prazer/ De querer sentir/O que eu não posso ter/O que faz de mim/Ser o que sou/É gostar de ir/por onde ninguém for/Do alto coração/Mais alto coração/Viver, viver/E não fingir/Esconder no olhar/Pedir não mais que permitir/Jogos de azar/Fauno lunar/Sombras no porão/E um show vulgar/Todo verão/Fugir meu bem/pra ser feliz/Só no polo sul/Não vou mudar do meu país/Nem vestir azul/ Faça o sinal/Cante uma canção/Sentimental,/em qualquer tom/Repetir o amor/Já satisfaz/Dentro do bombom/Há um licor a mais/E até que o dia,/chegue enfim/Em que o sol derreta/A cera até o fim+/Do alto coração/Mais alto coração” (3).

+ Ícaro? Sim. Aquele da mitologia Grega que queria voar a qualquer preço. Esperamos, que mais uma vez, os nossos leitores gostem do nosso tour.

Fonte 3: LP “Existe Uma Ideia”, de Biafra. – RJ: Barclay, 1984.

Por Angeline, Francisco e Winnie.

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