Muito embora a música erudita brasileira seja pouco divulgada à altura do seu mérito nos dias atuais, ela é muito rica e a sua origem remonta ao século XVIII, com o padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), considerado o “pai” de nosso gênero clássico. Porém, há outros nomes de destaque como Carlos Gomes (1836-1896), com as óperas O Guarani e Lo Schiavo e Heitor Villa-Lobos (1887-1959), criador das geniais Bachianas. Ambos foram sucesso, principalmente na Europa.
Heitor nasceu na cidade do Rio de Janeiro no dia 5 de março e lá faleceu no dia 17 de novembro, aos 72. Foi considerado “a figura criativa mais significativa do século XX na música clássica brasileira”. O desejo de sua mãe era que o filho fosse médico. Ainda muito jovem, deixou a família para viajar pelo país, quando então, conheceu bem os sons e ritmos populares nacionais. Por exemplo, apresenta-se na Semana de Arte Moderna de 1922,entre aplauso e vaias devido ao seu estilo artístico clássico.

O moço Heitor é apresentado ao mundo musical pelo pai Raul, o qual exigia muito do filho: “quando ouviam o guincho da roda do bonde, um pio de pássaro ou o baque de um objeto de metal caindo, Villa-Lobos tinha de dizer a qual nota musical correspondia aquele som. Se errasse, castigo” (1).
Aos seis anos já tocava violoncelo. Seu instrumento preferido. Também aprende clarinete e violão. “Com a morte do pai, passa a frequentar rodas boêmias do Rio, convivendo com sambistas e chorões como Anacleto de Medeiros, Sinhô, Donga, Ernesto Nazareth, entre outros. Desses encontros nasceram as séries de Choros e as Bachianas” .
Durante o Estado Novo (1937-1945), o músico teve o seu nome associado à ditadura de Vargas. No entanto, “ele se aproveitou do apoio estatal para realizar antigo sonho: educar musicalmente o povo brasileiro, a partir da infância. Nessa época, comanda gigantescos corais. Organiza o Guia Prático, com peças populares para ensinar música em escolas públicas, a partir de estudantes, é claro” (1).
O método de compor desse artista era deveras curioso, interessante: “criava ouvindo novela de rádio ou burburinhos infantis. Tom Jobim o visitava. Certo dia, vendo-o compor com gente tocando violão, flauta, ouvindo música, pergunto: “Mestre, o senhor não se sente incomodado com essa barulheira toda?” Ele respondeu: “Meu filho, o ouvido interno não tem nada a ver com o externo”‘ (1).
Lá pelos idos dos anos 1930, Villa-Lobos cria o rancho carnavalesco Sodade do Cordão. O pesquisador Jota Efegê, na obra Meninos, Eu Vi, conta o seguinte: “Lembro dele na frente, sorrindo feliz, de terno branco, chapéu gelot, charuto no canto da boca, agitando os braços, puxando o bloco […], inesquecível” (1).
Em 1948, aos 64 anos de idade, Heitor descobre que está com câncer. Resolveu então, fazer tratamento em Nova York. A sua esposa, dona Arminda, lembra-se assim do seu companheiro: “Na véspera da operação, ele compôs uma maravilhosa música. Deu-lhe o nome de Ave Maria. Não era um homem religioso, mas foi aquela forma que encontrara para rezar. […] Depois da doença, suas músicas ganharam uma característica diferente: eram mais violentas, mais fortes. Ele gritava” (1).
Quando Heitor faleceu em 1959, aos 72 anos, deixou ao Brasil/mundo uma obra monumental como resultado de muita dedicação. Como esta declaração dele próprio: “Minha inspiração são 8, 10, 12 horas de trabalho por dia. Componho de qualquer maneira, com dor de dente, com notícias desagradáveis, com dinheiro, sem dinheiro”. .Independentemente do seu estilo de seresteiro e boêmio, amante de charutos e de bilhar, Heitor Villa-Lobos foi um gênio da música, capaz de unir como poucos o erudito ao popular. Daí, a sua magistral criação artística a um tempo brasileiríssima e universal. Definia-se como “eu sou o folclore”, modéstia à parte, no sentido popular.
Eis aqui, mais uma modesta contribuição do Facetas para os seus leitores, de mais um nome de ilustre brasileiro, cujo legado musical será eterno.
Notinha útil – Os nossos parabéns vão para o piloto de F1, o britânico Lewis Hamilton (41 anos), seus fãs e admiradores, pela brilhante trajetória desportista. Detentor de 7 títulos mundiais, correndo atualmente pela Ferrari, ganhou neste domingo em Barcelona, Espanha. Chegando a 105 vitórias e a sétima naquela pista.
Por Angeline e Francisco Gomes e Winnie Barros.
Fonte consultada: 1. Almanaque Brasil de Cultura Popular, SP: MKT/TAM, 2005.