“Do rock ao clássico”

Toda e qualquer obra que direta ou indiretamente tratar de música, traz algo fascinante. Por exemplo, o livro “Do rock ao clássico: cem crônicas afetivas sobre música”, do jornalista, professor, escritor e crítico musical carioca Arthur Dapieve (62 anos), é, sem dúvida, mais um trabalho interessante voltado para essa temática, esse segmento.

As observações de “orelhas” são do produtor musical Tárik de Souza, o qual dispensa mais informações. Segundo ele, o leitor tem nesse livro “um raro provocante híbrido. Com leveza de cronista e pertinácia analítica” do autor, em uma dupla viagem, ou seja, “a da transformação musical, através dos tempos, lugares e suportes, a partir desta esquina de séculos, tisnada pela simultaneidade. E a de sua própria jornada de autoconhecimento” (1).

Assim prossegue Tárik: “Dapieve também fez a árdua (e literal) travessia de adversário de MPB autocompassiva e sócio de carteirinha do Clube da Esquina. E mais: ouvinte acurado das canções praieiras de Caymmi, do sublime Francis Hime, do enigmático Sinal Fechado (Paulinho da Viola), de Chico Buarque, de Aldir Blanc, e até espectador tardio de Bethânia. Além de fã declarado dos iconoclastas, cada qual a seu modo, Sérgio Sampaio, Fagner e Belchior” (1).

O interesse de Dapieve por música vem de longas décadas. Além de autor da “definitiva biografia de Renato Russo” e do histórico livro sobre o gênero (Brock: o rock brasileiro dos anos 80), ele comugou com seus ases. “Da Plebe Rude aos Paralamas; Rappa, Capital Inicial, Titãs, Kid Abelha, RPM, Barão, Ritchie, Fausto Fowcett e Cássia Eller”. E ainda, faz análise da música branca e negra dos EUA.

Ao apresentar seu trabalho editorial, o autor faz este resumo: “A música entrou na minha vida como uma experiência social, da porta para fora, algo a ser compartilha entre amigos. Ninguém na família tocava nada, nem com ela mantinha profunda ligação de ouvinte”, apesar de ter em casa “uma vitrola instalada num móvel elegante e alguns LPs com trilhas de novelas” (1).

Arthur relata a inserção da música na sua vida: “Meus primeiros LPs foram as antologias duplos dos Beatles, a vermelha e a azul; uma antologia dupla dos Rolling Stones, o primeiro volume dos ‘maiores sucessos’ de Bob Dylan, Wind Et Wuthering, do Genesis; o ‘disco da vaca’, Antom Heart mother, é o ‘disco do prisma’, The dark side of the moon, ambos do Pink Floyd. No futuro, perceberia que quase todos os grandes gêneros não brasileiros estavam contidos naquela meia dúzia de LPs: rock, pop, blues, jazz, música clássica, até um quê de música indiana. A partir daquele núcleo, deu-se um big bang. A ele se uniram, ao entender que vivíamos sob uma ditadura militar, os discos poéticos e politizados de Chico Buarque é, daí, o samba, o choro, a valsa e até um quê de fado. A coletânea em suas mãos – uma seleção de cem colunas dos meus 25 anos (de 1994 à 2018) de colaboração para o jornal O Globo – é constituída pelos ecos e fragmentos daquele momento primordial. Afinal como escreveu Camus, a obra de um homem ‘nada mais é do que esse longo caminho para reencontrar, pelos desvios da arte, as duas ou três imagens simples e grandes, às quais o coração se abriu uma primeira vez” (1).

No final – da página 321 à 334 – a editora “fala” exclusivamente sobre o livro em questão. “O conjunto de textos atravessa o tempo mais de duas décadas e também diferentes territórios do universo da música: está dividido em cinco partes, com 20 textos cada uma” (1).

O livro é muito bom. Crônicas bem selecionadas e atemporais às quais “estão intimamente ligadas à experiência do cronista e ao seu profundo mergulho no universo musical”. Os leitores deste blog interessados em melhor conhecer este livro, seu conteúdo encontra-se disponível nos aplicativos do streaming de música com algumas variações.

Notinha útil – Na última sexta-feira, dia 19.06.2026, o aluno Hugo Linhares Felix Sampaio (11 anos), do 7º ano do ensino fundamental II, do Colégio Militar da PM do Amazonas, da Unidade de Petrópolis, Zona Centro Sul de Manaus, foi agraciado com o Diploma de Honra ao Mérito “por ter sido destaque do primeiro trimestre de 2026, com média igual ou acima de nove (9,0)”. Tem mais: o garoto é clarinetista da Banda de Música da conceituada escola, citada acima. Ao mesmo, os parabéns da equipe do Facetas (www.facetasculturais.com.br).

Por Angeline e Francisco Gomes e Winnie Barros.

Fonte consultada: Dapieve, Arthur. Do rock ao clássico: cem crônicas efetivas sobre música. – 4. ed. RJ: Bom de Ler, 2021..

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