“Ninguém sabe que coisa quer./Ninguém conhece que alma tem.”
Fernando Antônio Nogueira Pessoa, nasceu a 13 de junho de 1888 e morreu a 30 de novembro de 1935, aos 47 anos de idade. Ainda criança viaja para a África do Sul em companhia de sua mãe, Maria Magdalena Pinheiro Nogueira. Aos sete anos escreve a sua primeira poesia, “À minha querida mamã”. Desde então não para mais de escrever. Manifestando a sua genialidade.

Ainda adolescente volta sozinho e definitivamente para Lisboa, onde vai residir com a avó Dionísia e duas tias. Aos 20 anos, emprega-se como correspondente estrangeiro em firmas comerciais e passa a morar sozinho. Como lia muito e falava um inglês fluente, nessa época passa a ser muito influenciado por poetas e romancistas como Antero de Quental, Guerra Junqueiro, Almeida Garret, entre outros. Escreve então, as primeiras páginas de Fausto.
O ano de 1913, foi de intensa produção literária para ele. Escreve o poema dramático “O Marinheiro” e publica artigos de crítica na revista Teatro. Dois anos depois, publica em inglês o poema “Antinous“. Nesse mesmo ano edita o primeiro número de Orpheu, irritando a crítica e o público por sua posição avançada. Ele, portanto, não se abala e segue com o seu ofício poético.
Em 1919, já detinha os seus heterônimos (Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos). Inclusive, nesse mesmo ano divulga “Poemas Inconjuntos” na voz de Alberto Caeiro. Em 1923, Pessoa assina, com os demais intelectuais portugueses documento de protesto contra a censura oficial ao “Mar Alto” de Antônio Ferro. Ainda 1919, é editado “Motivos de Beleza“, de Antônio Boto, com nota introdutória de Fernando Pessoa.
Assim, o poeta vai se destacando, e ganhando cada vez mais notoriedade. Por exemplo, em 1929, João Gaspar Simões publica o primeiro estudo crítico sobre a poesia de Fernando Pessoa: Antologia de poetas portugueses modernos. No ano de 1930, foi quando os heterônimos mais produziram, Cada um deles na sua, é claro.
Entre os anos de 1933 e 1935, foram de agitada atividade criativa de Pessoa, apesar de ter passado por uma crise de pressão e neurastenia (1933); escreveu uma carta a Adolfo Casais Monteiro na qual explica a gênese dos seus heterônimos. Reage com veemência a artigo publicado no “Dário de Lisboa”, contra uma proposta de lei visando a abolição da maçonaria. Ainda em 1935 faz planos de ir à Inglaterra para visitar o irmão Luís Miguel. Porém, “no dia 29 de novembro é internado no Hospital São Luís dos Franceses. Morre no dia seguinte, às 20h30” (1).
Na obra em análise consta: “Em Fernando Pessoa, especialmente na sua poesia, consuma-se aquela estada ideal de comunicação, pelo qual o leitor passa a ser parte da ação poética, porque o que o poeta diz impregna-se de uma verdade de vida que consiste exatamente em não decretar verdade nenhuma. Já no espantoso fenômeno da invenção dos heterônimos (vários poetas flando pela boca de um só), Fernando Pessoa quis traçar seu mapa do tesouro, cuja paixão consiste na aventura da procura, mais do que no prazer definitivo da descoberta. Pessoa não quis o definitivo, deixo abertas todas as possibilidades conceituais da dúvida, e através dela permitiu ao leitor comum o supremo prazer de se reconhecer inventor, coparticipe de uma cínica e fascinante teoria do fingimento” (1).
A seguir, como tema gerador deste mês de novembro, três excertos do fantástico poema “Passagem das Horas”, de 22 de maio de 1928: “Trago dentro do meu coração/Como num cofre que se não pode fechar de creio,/Todos os lugares onde estive,/Todos os portos a que cheguei,/Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias, Ou de tombadilhos, sonhando,/E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero (…). Não sei se a vida é pouco ou demais para mim./Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei/Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,/Consanguinidade com o mistério das coisas, choque/Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção dos ruídos,/Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz (…). Sentir tudo de todas as maneiras,/Viver tudo de todos os lados,/Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,/Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos/Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo” (1).
“Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo”. Seja assim você amigo (a) leitor (a). “Seja uma flor ou uma ideia abstrata”. Viva, cada um a sua vida, com a “passagem das horas”, dos minutos, dos segundos. De todos os instantes, enfim – intensamente.
Notinha útil – Alguns leitores nos contactaram para saber o porquê do nome da Dra. Winnie Barros tão ter figurado no artigo da semana passada. Apesar de criadora deste blog, ela está de licença dos seus afazeres literários/musicais, devido o nascimento do seu filho, o Heitor. Em breve estará de volta para compor conosco as publicações semanais do Facetas. Somos gratos a todos que nos seguem.
Por Angeline e Francisco Gomes.
Fonte; 1. Antologia poética/Fernando Pessoa; organização Walmir Ayala. 9. ed. revista – RJ: Nova Fronteira, 2011.